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NOTAS HISTÓRICAS|
ESTUDOS SOBRE O CONCELHO DA CALHETA (S. JORGE)
POVOADORES,. APELIDOS. GENEALOGIAS. PROCEDÊNCIAS. GENTE DE COR.

PADRE MANUEL DE AZEVEDO DA CUNHA
(1)

À falta de documentos, não é fácil dizer quem foram os primeiros que povoaram a Calheta, nem o ano em que aportaram aqui os primeiros colonos. A única fonte a respeito são justificações de nobreza produzidas para usar brasão ou obter o cargo de chefe das capitanias. Como se vê, não são fontes muito seguras, pois que por vezes se baseiam, não em documento escrito, mas em simples tradições orais.

Por quantos anos estaria despovoada a ilha de S. Jorge após o reconhecimento dos Açores, de 1432 a 1439? Não se sabe.

Por uma declaração consignada no testamento do Conde D. Henrique, falecido em 1460, se presume que, já naquele ano, as Velas teria moradores; porquanto no dito testamento se diz: «ordenei e estabeleci a igreja de S. Jorge na ilha de S. Jorge». Mas esse estabelecimento seria in re ou ad faciendum? Quer dizer, em 1460 haveria de facto uma igreja nas Velas ou apenas as precisas instruções para a todo o tempo se estabelecer?

[1] O Padre Cunha, como refere, serviu-e de uma cópia de Saudades da Terra existente na Biblioteca Nacional de Lisboa. Todavia, no original, Campar Frutuoso indica um outro sacerdote anterior (imediatamente?) a Gonçalo Enes que é Mateus Pires Albernaz (cf. Ibid@m, L. VI, ed. já cit., p. 235).

[2] Entenda-se, Infante D. Henrique.

Consigna aquele documento haver o Conde fundado uma igreja na ilha de Santa Iria, que se diz ser o Corvo.

Então em 1460 havia uma fundação religiosa naquele ilhéu, se as Flores só foi povoada a sério depois do ano de 1500, porquanto Guilherme Casmaca ou Vandaraga, iniciador de sua colonização, talvez de 1490 em diante, desistiu dela retirando-se para o Topo desta ilha de S. Jorge, como se julga, pouco antes do dito ano de 1500? Parece, pois, discutível a interpretação daquela passagem do referido testamento.

É de supor que os primeiros povoadores, em mui limitado número, entrassem nesta ilha na década de 1460 a 1470.

No Topo começou a povoação com a vinda de Wilhelm Van der Haghe (Guilherme da Silveira) o Vandaraga ou Casmaca, como lhe chamavam no Topo e era natural de Bruges, cidade flamenga, sendo casado com Margarida Silveira. Aportaram ao Topo, no último quartel do século XV.

Foi portanto dos dois pontos extremos que o povoamento irradiou para o interior e mais partes da terra. À mulher de Guilherme Casmaca chama Frutuoso Margarida da Sabuya; outros, de Azambuja; outros Sabina, Sabuia, e Sabuio. A senhora Maragarida supõe-se flamenga. E sendo raro então que as mulheres usassem apelido diferente do que usavam seus maridos, não teria ela simplesmente o do homem com quem casara, que traduzido em português era o de Silveira?

Com efeito, é graficamente semelhante Sylveyra com Sabuya, ou Zambuja, dando lugar ao erro de leitura ou de interpretação, a má ou duvidosa caligrafia do referido apelido? ... Aquele casal teve três filhos e cinco filhas: Francisco da Silveira, nascido no Faial e ali casado com D. Isabel de Macedo, filha do 1.º donatário do Faial e Pico; Josse de Hurtere e de D. Brites de Macedo, com descendência; João da Silveira, casado na Terceira com D. Guiomar Borges Abarca, filha de João Borges, o velho, e de Isabel Abarca, com descendência; Jorge da Silveira, ou José, Jos e Josse da Silveira, cujo destino se ignora; Ana da Silveira, casada com Tristão Pereira, natural do Pombal e filho de Diogo Pereira e de Catarina Correia, com descendência; Catarina da Silveira, casada com Jorge Gomes de Ávila, da Graciosa e troncos dos Silveiras de Ávila do Topo: Luzia da Silveira, casada no Topo com o tabelião André Fernandes, a qual ainda vivia em 1548. Deixaram descendência; Margarida da Silveira, casada com Jorge da Terra, como era chamado no Topo, segundo se vê dos mais antigos documentos daquela jurisdição, e havia ela testado no Topo por mão de seu confessor o P.e Melchior Pires em 12 de Junho de 1529, instituindo capela, e nomeando administrador desta a seu filho João da Silveira; e finalmente, Maria da Silveira, casada com o escudeiro João Pires de Matos.

Testou este, em 30 de Abril de 1518, mandando erigir a ermida de S. Lázaro e ela em 14 de Agosto de 1545. Conhecem-se deste casal os seguintes filhos: Diogo de Matos da Silveira, Jordão de Matos da Silveira, Maria de Matos da Silveira e Druciana de Matos da Silveira. Destes descendem os Matos da Silveira desta ilha. E de Guilherme Casmaca da Silveira, ou Vandaraga, que procedem os Silveiras dos Acores, como se vê da monografia a respeito, publicada pelo Dr. João Teixeira e ultimamente editada, com notas interessantes, pelo Sr. João Forjaz de Lacerda e Carvalho, da Vila das Velas.

João Vaz da Costa Corte-Real, donatário da Ilha de S. Jorge em1483, esforçou-se pela colonização dela. E assim nossa desautorizada opinião é que a Calheta teria seu primeiro núcleo de povoadores pelo ano de 1500. A falta de dados positivos, tem para nós muita autoridade o Dr. João Teixeira que afirmava haverem sido estas ilhas povoadas muito mais tarde do que se pensa. E quanto à Calheta justifica-se este parecer: 1.º pela topografia especial que a isola um pouco dos pontos onde já se haviam estabelecido alguns casais, e cujos terrenos davam esperança de melhor resultado agrícola; 2.º pela época de falecimento dos que se diziam netos dos primeiros povoadores, por exemplo: Tomé Gregório, 1.º cap.-mor da Calheta, neto do povoador, Pero Enes de Valença, falecido aquele etn 1624; Isabel de Azevedo Vieira, filha do povoador Vicente Dias, nascida em 1547 e falecida em 1617; Manuel de Azevedo, 2.º cap.-mor desta vila, falecido em 1632 e neto do povoador João de Águeda, escudeiro; 3.º cap.-mor Gaspar Nunes Neto, falecido em 1655, e era neto do povoador Nuno Álvares Pereira; o tabelião António Vieira, exercendo o cargo em 1561, falecido em 1624, e foi casado com Bárbara Manuel, falecida em 1614, e era neta do povoador Manuel Fernandes Ferro, o velho; e justifica-se ainda pela datada criação das três vilas de S. Jorge: Velas em 1500, Topo em 1510, ou antes desta data e Calheta em 1534.

SEBASTÃO DIAS SALAZAR

Foi casado com Senhorinha Gonçalves, dama do Paço, «fidalga muito nobre que veio da cidade de Lisboa». Diz-se, talvez sem fundamento, que no ano de 1484 se estabeleceram no sítio onde depois se fundou, ou fundou ele, a ermida de S. Bartolomeu. Talvez que o ano de 1484 seja o da sua vinda para a Terceira donde posteriormente se mudasse para a Calheta.

Seu filho João Dias Homem casou nas Velas com Susana Gonçalves Teixeira, e foram progenitores de Baltasar Dias Teixeira, casado com Francisca Gaspar Fagundes, dos quais nasceu João Dias Teixeira, casado com Inês Lourenço, e foram os pais de Domingos Dias Teixeira, casado com Paula Correia de Avila, e estes pais de Maria de Avila Bettencourt, casada com Francisco Lopes Beirão que geraram a D. Mariana de Ávila Silveira Bettencourt, casada com José Pereira da Cunha e Silveira, progenitores de Francisco Silveira Bettencourt e Cunha, casado em 1748 com D. Bárbara Joana da Silveira que geraram a José Pereira da Cunha e Silveira, casado em 1764 com D. Rosa Vicência de Simas, pais do cap. José Pereira da Cunha e Silveira, casado em 1823 com D. Joana Álvares Pacheco, da freguesia de S. Tiago, e são os progenitores do Dr. José Pereira da Cunha e Silveira e Sousa, Dr. António Pereira da Cunha, e Dr. João Pereira da Cunha Pacheco, já todos falecidas.

Ana Dias, filha dos ditos Sebastião Dias e Senhorinha Gonçalves, foi casada com Domingos Fernandes, de S. Tiago, e foram os pais de Isabel Dias, casada com Belchior Afonso de Valença, e estes geraram a Bárbara de Valença, mulher do 3.º cap. mor da Calheta Gaspar Nunes Neto, pais de Bárbara Pereira, casada com o sarg. mor do Topo, João Silveira de Ávila, progenitores do cap. mor daquela jurisdição, António Silveira de Avila, casado com D. Catalina Machado de Azevedo, e foram os pais do cap. mor da Calheta, Miguel António da Silveira e Sousa, casado em S. Tiago com D. Maria Josefa da Cunha que geraram ao sarg. mor António Silveira Ávila, casado com D. Isabel Maria de Jesus, pais do último cap. mor desta vila, Miguel António da Silveira e Sousa, casado com D Maria da Luz Moniz do Cantos, da Conceição de Angra, e filha de Bernardo Moniz Barreto do Canto e de D. Bernarda Josefa do Canto.

Do referido João Dias Homem, ouvidor do donatário em 1543, foi filha Apolónia Dias Teixeira, casada com Francisco Pires Machado, da Terceira, e geraram a Maria Machado, casada com Gaspar Garcia, progenitores de Jorge Machado Teixeira, casado com Bárbara Gregório, e destes nasceu António Machado Teixeira, casado com Catarina Dias Teixeira, progenitores do cap. António Machado Teixeira, falecido em 23 de Junho de 1758 e era irmão do vigário das Manadas, P.e Manuel Machado Teixeira, e do vigário desta Matriz, P. João Machado Teixeira, falecido em 6 de Junho de 1760 e o dito capitão casado com Francisca Vieira Machado e geraram o cap. José Inácio da Silveira que foi casado com. D. Ana Maria da Silveira, e foram progenitores de D. Joana Francisca da Silveira, casada com Joaquim Furtado de Mendonça que, enviuvando, tomou ordens de presbítero, e foram seus filhos o cap. Joaquim António da Silveira, casado com Luísa Perpétua da Silveira, progenitores de D. Joana Francisca da Silveira, mulher de António Teixeira Maciel Bettencourt, e foram os pais de Joaquim António da Silveira, notário público, falecido em 25 de Maio de 1910, e foi casado com D. Rosa do Viterbo da Silveira. de S. Tiago.

António Teixeira Maciel Bettencourt era filho de João Teixeira Maciel de Bettencourt das Velas e de D. Antónia de Jesus Pereira. Viera para a Calheta com sua família am 1834, como tabelião, na vaga aberta por falecimento de Raimundo José de Oliveira em 27 de Junho de 1829. António Teixeira Maciel faleceu, com 84 anos, em 26 de Dezembro de 1883.

Joaquim Furtado de Mendonça. Acerca de sua ordenação publicou o consciencioso investigador José Cândido, em seu livro, Ilha de S. Jorge, uma nota interessante, que por isso mesmo, e para ser mais conhecida, aqui transcrevemos:

  • «Entrara de noviça para o Convento de N. Senhora do Rosário das Velas D. Joana Francisca da Silveira, filha do cap. José Inácio da Silveira. À monotonia do claustro preferiu ela viver no século, fugindo do mosteiro para casar com Joaquim Encurtado de Mendonça, sob condição de que se ele falecesse primeiro ela entraria de novo no Convento para professar; no caso contrário tornaria ele ordens sacras. Casaram-se nas Velas em 7 de Janeiro de 1758, tendo ela 20 anos de idade. Tiveram cinco filhos, e uma filha: D. Francisca Joana, o cap. Joaquim António da Silveira e Cunha, o P.e Amaro Joaquim da Silveira, e o P.e Francisco Silveira Machado. Falecendo D. Joana, com 42 anos de idade, em 16 de Agosto de 1780, seu viúvo tratou de cumprir seu compromisso. E assim subiu ao altar a celebrar sua 1.a missa por alma de sua esposa, em 1790, tendo já 59 anos, sendo acolitado por dois de seus filhos, pregando naquela festa seu outro filho» [1]
  • Nos anais da classe sacerdotal é caso notável e talvez único, nos Açores. O P.e Joaquim Furtado de Mendonça faleceu em 24 de Agosto de 1800, com 69 anos de idade, pois nascera na freguesia da Matriz da Horta, em 8 de Novembro de 1731.
  • ÁLVARO VIEIRA

    Foi casado com Iria Afonso de Azevedo, e são o tronco dos Azevedos desta jurisdição. Era filho de Diogo Álvares Vieira, já falecido em 1497; viera para Angra com João Vaz Corte-Real, e foi casado com Beatriz Eanes Camacho. Iria Afonso era filha de Afonso Vaz de Azevedo. Ignoramos se Álvaro Vieira veio povoar a Calheta, mas foi progenitor de

    VICENTE DIAS VIEIRA

    Este deu o nome à Fajã Grande ou Fajã de Vicente Dias. Em 1562 e 1563 exerceu nesta ilha o lugar de escrivão da Provedoria e Resíduos, donde, é de crer, residisse algum tempo na vila das Velas, capital da ilha, sede da Provedoria. Isto no caso de não ser este filho de outro Vicente Dias e neto, portanto, de Alvaro Vieira, o que nos parece muito mais provável Foi casado com Beatriz Fagundes ou Beatriz Gonçalves Teixeira, filha de André Gonçalves Teixeira e de Isabel Pires de Sousa, sendo aquele filho de Jerónimo Goncalves Teixeira e de Luzia Dias de Sousa e Jsabel Pires, filha de Pero Luís de Sousa do Brasil e de Catarina Eanes Pires, e Pero Luís de Sousa do Brasil, filho de Fernão Luís de Sousa, de Santarém, e de Margarida de Sousa, açoriana, ou casada nestas ilhas com aquele; e são o tronco dos Sousas desta ilha de S. Jorge. Jerónimo Gonçalves Teixeira foi o tronco dos Teixeiras. Veio de Trás-os--Montes e teve datas no Topo, acima do Monte Formoso. Era Cavaleiro de Cristo.

    [1] José Cândido da Silveira Avelar, Ilha de S. Jorge (Açores). Apontamentos para a sua História Horta, 1902, pp. 269-270.

    Acerca de Pero Luís de Sousa, tem-se laborado, segundo nos parece, num círculo vicioso a respeito de seu apelido do Brasil. Dizem uns que o tomou do monte que forma abrigo, por oeste, do porto de Angra. Outros afirmam que ele mesmo deu o nome ao monte, porque, vindo do Brasil, foi dono e senhor daqueles terrenos que obteve por compra. Mas consta que Pero Luís de Sousa vendeu tais domínios a João Corte-Real, falecido em 1496. E sendo o Brasil descoberto em 1500, quatro anos depois da morte de João Vaz, como é que Pero Luís de Sousa foi ao Brasil, angariou fortuna, veio para Angra, comprou o monte, vendeu o monte e lhe deu o nome, tudo isto antes de 1496? E um anacronismo insuportável. Tal nome Brasil parece anterior ao reconhecimento destas ilhas pelos portugueses. Porquanto, vê-se nos preciosos mapas publicados no Arquivo dos Açores pelo Ex. º Coronel Chaves, concordantes com outros mapas primitivos, que a ilha correspondente à Terceira é cognominada I. dei Brasil. Foi em vista desses mapas do século XIV, trazidos do estrangeiro pelo Infante D. Pedro, que o Conde D. Henrique mandou a Gonçalo Velho Cabral navegar para o poente, pondo em Lisboa a popa das caravelas.

    Correlacionando, expomos aqui um facto pessoal, dado em Janeiro de 1909, com respeito ao antigo nome de Cabrera, Caprera, Capraria, e insula puelarum, exarado nos mapas do século XIV, nos quais pareciam estas ilhas com denominação diferente da actual, julgando-se que Capraria correspondia à ilha de S. Miguel.

    Todos sabem que uma ilha vista ao longe no meio do oceano apresenta aspectos diferentes segundo,são diversos os pontos em que se acha o observador. Assim esta ilha de S. Jorge, a certa distância fora dela, afigura-se uma enorme serpente adormecida na superfície do oceano. A ilha do Corvo a uma cagarra descansando à tona da água. Santa Maria vinha com o nome de l'ovo, naturalmente porque ao longe oferece a forma de uma oval.

    Ora, em Janeiro de 1909, achando-nos a bordo do vapor S. Miguel, vindo de Lisboa pela Madeira, sendo de manhã, sol fora, tempo bom, ao dobrar o paquete a ponta ocidental da ilha de Santa Maria, em direccão a Ponta Delgada, no tombadilho e encostados à amurada, dirigimos nosso olhar no rumo seguido pelo navio, ficando agradavelmente surpreendidos, divisando imediatamente a ilha de S. Miguel, parecendo-nos uma cana verde boiando ao longe, lá muito ao longe; e connosco outros passageiros que exclamaram alegremente: «S. Miguel, ela lá está ... ela lá está».

    O mais notável, porém, é que se destacavam nitidamente e com a mais perfeita simetria, dois pares de cones, perfeitamente regulares, semelhando os galhos de duas cabras, ou melhor, quatro seios erectos, dois numa e dois noutra extremidade da ilha.

    Afigure-se uma canga sem curvas, perfeitamente recta, pois os quatro canzis eram os cones da ilha, tanto na forma, como na distância simétrica a que se achavam das extremidades leste e oeste.

    Passados dez minutos, mudou a configuração da ilha devido à marcha daquele excelente barco.

    Tivemos então a reminiscência dos mapas antigos, concluindo, pelo aspecto da terra que a ilha de S. Miguel havia sido primitivamente divisada de igual latitude, obtendo por isso o nome de ínsula caprária, ou insula puelarum, respectivamente, ilha das Cabras, ilha das raparigas, das moças ou das donzelas.

    Que valor terá este nosso juízo a respeito de tal assunto?

    Simplesmente o de uma hipótese fundamentada num facto de nossa própria observacão, aproximando aquelas duas circunstâncias o aspecto de S. Miguel visto da latitude de Santa Maria e os nomes que, parece, lhe foram consignados nos antigos portulanos.

    VICENTE DIAS

    Nos elementos genealógicos desta ilha aparecem Vicente Dias Vieira, casado com Beatriz Fagundes e Vicente Dias Vieira, casado com Beatriz Gonçalves Teixeira.

    Serão dois povoadores, um das Velas e outra da Calheta? Sendo assim eram tio e sobrinho e o primeiro, irmão de João Dias Vieira, casado no Pico, e de Alvaro Vieira, pai do segundo Vicente Dias, e aqueles, filhos dos mencoinados Diogo Alvares Vieira e de Beatriz Eanes Camacho. E este último Vicente Dias é irmão de Branca Vieira, avó paterna de S. João Baptista de Angra que, no dizer do P.e Cordeiro, em sua História Insulana, nasceu em 1582.

    Também é possível que nesta ilha houvesse tão somente um Vicente Dias cuja mulher fosse chamada por uns Beatriz Fagundes e por outros Beatriz Gonçalves Teixeira, tanto mais que à primeira não assinam paternidade. Ou senão, é igualmente de supor que houvesse casado duas vezes, visto que Isabel de Azevedo Vieira, sua filha, faleceu com 70 anos em 22 de Janeiro de 1617, nascendo portanto em 1547, o que nos leva a concluir que aquela era do 2.º matrimónio ou senão que Vicente Dias veio muito tarde para a Calheta ou talvez nasceu mesmo cá, onde se aposentaria como dos primeiros povoadores seu pai Alvaro Vieira, casado com Iria Afonso de Azevedo. É também muito verosímil que Vicente Dias, tio, fosse casado com Beatriz Fagundes, da Terceira e o sobrinho Vicente Dias, casado em S. Jorge com Beatriz Gonçalves Teixeira. Última hipótese: não repugna, igualmente, que Vicente Dias Vieira casado com Beatriz Fagundes, seja o progenitor de Vicente Dias Vieira, escrivão da Provedoria (Velas) em 1562 e 1563, casado com Beatriz Gonçalves Teixeira.

    Os apontados genealógicos de Mateus Machado Fagundes de Azevedo são deficientes a respeito do assunto, não havendo, que saibamos, outras quaisquer fontes de investigação para satisfatoriamente se resolver este ponto. A falta dos registos paroquiais, a confusão que deriva dos homónimos, a pouca clareza das referências escritas, a falta de cronologia e até a duplicidade de cognome usado por alguns lançam notável embaraço no espírito de quem se ocupa de genealogias.

    Conhecemos Manuel Joaquim da Guarda que por tal era conhecido e tratado nesta vila e no registo de baptismo de seus filhos, e seu verdadeiro nome e sobrenome ou apelido, consignado na alta e baixa do Regimento miliar, era Manuel Teixeira Bettencourt, das Velas.

    João Inácio de Azevedo, casaca, outro morador há poucos anos falecido, havia casado com o nome de João de Azevedo Machado. Se isto modernamente, que julgaremos nós da exactidão dos antigos registos?

    São estas incertezas que nos levam ao campo das conjecturas e que não tendo valor peremptório, significam muito, todavia, como elementos de futura elucidação.

    Vicente Dias Vieira, e sua mulher Beatriz Gonçalves Teixeira, tiveram seis filhos: 1.º Miguel Vieira, casado com Susana Manuel; 2.º Isabel de Azevedo; 3.º Maria de Azevedo, casada com João de Agueda, o Moço, ou Júnior, como hoje se diz e era filho do escudeiro João de Águeda, o Velho, ou Sénior; 4.º Manuel Vieira de Azevedo; 5.º Afonso Vieira de Azevedo, casado no Topo com F... Vilalobos da Silveira, que supomos filho do tabelião André Fernandes e de Luzia da Silveira.

    Este Afonso Vieira de Azevedo, morador no Topo em 1560, era abastado de bens.

    Vivia também naquela jurisdição seu primo Bastião Vieira que, no dito ano tomou posse do lugar de tabelião, dando por fiança ao cargo ao dito Afonso Vieira de Azevedo Teve este Afonso Vieira um filho por nome Diogo Fernandes, como se vê de uma acta de sessão da Câmara topense, do dito ano de 1560.

    6.º filho de Vicente Dias Vieira Catarina Dias Vieira, casada com Pedra Lourenço Machado, vereador da Câmara de Angra, em 1534, morador das Doze Ribeiras, onde foi capitão e naquele ponto fundou a ermida de S. Jorge. Esta parece ser filha de Vicente Dias, irmão do dito Alvaro Vieira e não de Vicente Dias, filho deste Alvaro.

    Diz Mateus Machado Fagundes de Azevedo, em suas genealogias, que aquele Manuel Vieira de Azevedo fora cap. mor do Topo. É possível casasse naquela vila, sendo também primo do dito tabelião Bastião Vieira. Não nos parece fosse cap. mor daquele distrito, porquanto a capitania só foi criada em 1610, e o 1.º chefe da mesma foi João Silveira Borges.

    Se não há confusão com seu sobrinho Manuel de Azevedo, que foi o 2.º cap. mor da Calheta de 1624 a 1632, só pode explicar-se a referência admitindo-se que o dito Manuel de Azevedo Vieira seria o 1.º cap. de Ordenança do Topo, 1.º e único, por ter o lugar 64 fogos apenas, e lhe chamassem cap. mor, como chamavam a seu pai, Vicente Dias, mas indevidamente, porque o 1.º chefe da capitania da Calheta, criada em 1610, como a do Topo, foi Tomé Gregório.

    Por último, não encontrámos no registo oficial do Topo, a menor referência a Manuel Vieira de Azevedo; e em 1607, numa lista dos moradores, já não achamos Afonso Vieira nem Bastião Vieira, pelo que é de supor, fossem já falecidos. Sebastião Vieira ainda vivia em 1603, exercendo o tabelionato no Topo. Havia casado com uma filha do tabelião André Fernandes e de Luzia da Silveira, filha de Guilherme Casmaca, Vandaraga ou da Silveira. André Fernandes, parece, ainda vivia em 1560. De Miguel Vieira, casado com Susana Manuel, filha de Manuel Fernandes Ferro, Velho e de Maria Gomes, foi filha Isabel Vieira, casada com Diogo Fernandes Pereira, filho de Brás Fernandes e de Isabel Pereira. Aqueles, Diogo Fernandes e Isabel Vieira foram ainda os pais de António Vieira Pereira de Sousa, de Sebastião Vieira Pereira, casado com Maria Leal; de Ana Pereira e de outro Diogo Fernandes Pereira falecido, solteiro, em 1644; de Bárbara Vieira, falecida em 1659, e havia casado em 1628 com Bartolomeu Nunes Pereira, filho do cap. Gaspar Nunes Brasil e de Marta Simoa; de Maria Pereira, casada em 1634 com João de Azevedo Vieira, filho do cap. mor Manuel de Azevedo; de Isabel Nunes Neta, casada em 2 de Fevereiro de 1639 com Bartolomeu Nunes de Bairros; de Miguel Vieira de Sousa, casado com Beatriz Alves Maciel, filha de Pedro Sanches e de Isabel Pereira; de Pedro Vieira e de Bartolomeu Pereira Vieira.

    Miguel Vieira de Sousa e Beatriz Alves Maciel foram pais de 9 filhos:

    1.º João Fernandes Maciel, casado em 21 de Abril de 1664 com Bárbara Pereira, filha de João Pereira de Borba e de Maria Pedrosa; 2.º Manuel Pereira Maciel, casado em 16 de Setembro de 1680, com Ana Machado, viúva de Amaro Pereira da Cunha; 3.º Catarina Vieira, casada em 19 de Setembro de 1672, com João de Quadros Pereira, filho do cap. Sebastião Nunes Pereira e de Isabel de Quadros, filha de Gaspar Gonçalves de Quadros, ou Quadrado, e de Maria da Cunha; 4.º Miguel Vieira de Sousa, casado, em 8 de Novembro de 1700, com Isabel Nunes Pereira, viúva de Pedro do Brasil. Miguel Vieira, morador dos Biscoitos, faleceu em 12 de Março de 1744, e sua mulher em 25 de Marco de 1728; 5.º Gonçalo Pereira Maciel, casado em 19 de Maio de 1681, com Bárbara Pereira, viúva de Sebastião Fernandes; 6.º Beatriz Vieira, casada, em 11 de Janeiro de 1672, com Manuel Ferreira de Sousa, filho de Aleixo Fernandes Cordeiro e de Ana Ferreira que haviam casado em 10 de Agosto de 1643; 7.º Bárbara Pereira de Sousa, casada em 18 de Fevereiro de 1669, com o sarg. mor João de Azevedo Pereira, filho de Francisco Vaz de Azevedo e de Bárbara Pereira de Lemos; 8.º Isabel Pereira falecida com 70 anos a 25 de Março de 1728, e havia casado, em 8 de Janeiro de 1663, com Manuel de Azevedo Pereira e Sousa, filho do dito Francisco Vaz de Azevedo e de Bárbara Pereira de Lemos; 9.º Maria Alves de Sousa, casada, em 6 de Fevereiro de 1661, com Pedro de Borba Teixeira, filho de João Gançalves de Borba das Figueiras, e de Maria Luís, e estes casados em 22 de Novembro de 1638, e moravam na Canada da Cancela. Aquele João Gonçalves de Borba das Figueiras, talvez neto de Catarina Rodrigues e de outro João Gonçalves das Figueiras já falecido em 1594, faleceu em 1663.

    De Pedro Borba Teixeira e de Maria Alves nasceu Miguel Vieira de Borba, casado em 25 de Janeiro de 1700 com Bárbara de Valença, filha do cap. Miguel Afonso de Sousa e de Leonor Pereira; e aqueles geraram o alferes António de Sousa de Borba, casado em 1747 com Maria do Rosário, e foram os progenitores de Matias Pereira de Borba, casado em 1774 com Marta de S. José que geraram Maria de S. José de Borba, casada em 1794 com António Francisco Vieira, e foram os progenitores de Bárbara Joaquina, casada em 1814 com João José Goulart, filho de Francisco José Goulart, do Topo, mas casado em S. Tiago, e moradora Entre Grotões, e era filho de Antão Goulart, casado coem Paula de S. José, o qual Antão Goulart era filho de João Gonçalves Neto e de Ana Goulart que descendia dos Goulart do mesmo Topo, os quais provinham dos Goulart do Faial, cujo tronco foi Gouart Luís, que veio para ali no tempo do 1.º donatário acosse Van Hurtere e era muito entendido e mestre no cultivo do pastel. Joz Goulart, casado no Topo com Maria Alves, já falecido em 1562, deve ser o tronco destes Goulart e provavelmente foi filho do dito Luís.

    João José Goulart e Bárbara Joaquina foram os pais de António José Goulart, falecido em 1859 no naufrágio do iate Caridade, e havia casado em 1841 com Bárbara Jacinta de Avila, filha de Francisco de Azevedo da Cunha e de Jacinta Rosa, da Piedade do Pico, filha de Francisco Ferreira e de Maria de Avila Brasil.

    António José Goulart e Bárbara Jacinta de Avila foram pais de 6 filhos e uma filha:

    1.º João Mariano Goulart, nascido em 1844, casou na Vidigueira, Beja, em 13 de Fevereiro de 1885 com D. Delfina do Carmo Carneiro, filha de José Tomás Carneiro e de D. Maria Gertrudes, proprietários, residentes na dita Vidigueira. Tiveram dois filhos: Virgílio Mariano Goulart, nascido na Vidigueira em 1885, e casou em Manaus, Brasil, seguindo a vida comercial; e José Mariano Gulart, nascido também na Vidigueira em 1891, e casou em Lisboa, sendo empregado num vapor francês da carreira Havre-Brasil.

    2.º António Mariano Goulart, nascido em 21 de Janeiro de 1847, e falecido nesta vila em 28 de Julho de 1893; e havia casado na igreja da Encarnação em Lisboa, no dia 16 de Outubro de 1890, com D. Joana da Cunha Goulart, de S. Tiago, deste concelho, e filha do Dr. António Pereira da Cunha. Tiveram apenas uma filha D. Joana da Cunha Goulart, nascida oito dias após o falecimento de seu pai, e casou em Lisboa, em Junho de 1911, com o Dr. José Ferreira Teles Diniz, filho de Francisco Ferreira Garcia Diniz, natural de Lagares, e de D. Inácia Teresa Teles Madeira Diniz, e este Francisco Ferreira, irmão do Prior da Encarnação de Lisboa o Dr. P.e' José Ferreira Garcia Diniz, antigo deputado da nação e falecido há pouco.

    3.º José Marciano Goulart, benemérito filho desta vila, nascido a 8 de Setembro de 1849, falecido em Coimbra em 8 de Janeiro de 1917; e tinha casado a 27 de Dezembro de 1896, com sua prima coirmã D. Maria Clementina Ferreira da Cunha, dos quais é filho o Dr. António Mariano Goulart, nascido em Lisboa onde residem.

    4.º Tomás Mariano Goulart, nascido em 7 de Março de 1852 e faleceu solteiro na cidade de Faro, em Janeiro de 1899, vindo seu cadáver para esta vila a depositar-se no mausoléu da família levantado no cemiterio municipal.

    5.º e 6.º Paulo Mariano Goulart e Manuel Mariano Goulart, gémeos, nascidos em 14 de Janeiro de 1855, e este faleceu solteiro nesta vila em 20 de Dezembro de 1890 deixando de sua prima Doroteia Cândida, uma filha, Maria Júlia Goulart, nascida em 3 de Abril de 1888, e casou ultimamente com seu primo João Faustino da Silveira, de S. Pedro.

    Paulo Mariano Goulart, casou em Lisboa com D Maria Evarista Goulart, de quem não há descendência. É porém, filha de Paulo Mariano, D. Maria Júlia Goulart, casada em Novembro de 1911 com Jaime Pereira da Silva, natural de Angra e oficial do exército.

    7.º D. Júlia Goulart, nascida em 28 de Novembro de 1857, e falecida em Lisboa a 16 de Dezembro de 1906. Havia casado em Dezembro de 1893 com Francisco Assis Parreiras. De seu consórcio houve uma filha D. Maria Julieta Goulart Parreiras, nascida em 20 de Janeiro de 1895, e casada em Lisboa com Eurico Rogero Monteiro.

    Os filhos de António José Goulart haviam saído da terra João para S. Miguel em 1856, e dali para Califórnia, donde voltou em 1872, seguindo para Lisboa. António para S. Miguel em 1858, e a seguir para Lisboa. José em 1868 Tomás em 1871. Manuel para S. Miguel em 1864, donde voltou em 1867, indo para Lisboa em 1874. Paulo em 1870. Júlia, com sua mãe, em 1874, todos para Lisboa, morando em casa própria, contígua à igreja da Encarnação, Rua Garrett.

    João José Goulart e Bárbara Joanina, além de António José Goulart, tiveram mais três filhos: 1.º Manuel José Goulart, negociante à Ribeira da Calheta, e falecido em 22 de Maio de 1891, e havia casado, em 2 de Julho de 1881, com Maria Isabel, filha de André José de Borba, tendo 2 filhas Maria, nascida em 4 de Maio de 1875, e Zulmira, nascida em 25 de Maio de 1885; 2.º Rosa Júlia Goulart, casada, em 10 de Novembro de 1883, com Maurício José Brasil, de S. Tiago, sendo seu filho o capitão de marinha mercante João Maurício Goulart, que foi piloto da doca de Ponta Delgada, e casou em 15 de Julho de 1897, com D. Isabel Firmina, tendo dois filhos nascidos em Ponta Delgada, Maurício, em 1898 e Maria, em 1900; 3.º Maria José Goulart, casada em S. Tiago com António Machado de Sousa de Borba, viúvo de Ale-xandra de tal ...

    Moraram na Fajã dos Bodes. Maria José Goulart faleceu com 99 anos de idade em 1914, deixando de seu matrimónio 3 filhos: 1.º Rosa Brasil Goulart, viúva de José Machado Brasil, dos Biscoitos, com descendência; 2.º Maria Goulart, falecida em Califórnia; 3.º João Silva Goulart que vindo do Chile, casou em Santo Antão do Topo com D. Maria Emília Pacheco, filha do capitão Estulano José de Azevedo de Mendonça Machado, e de sua 3.a mulher D. Emília Isabel Pacheco, de S Tiago, e esta filha de António Silveira Neto e de D. Isabel Vicência, filha de João de Sousa Pereira Machado e de D. Ana Josefa de Sousa Pacheco, e estes os pais do P.e João de Sousa Pacheco, do cap. Manuel Machado Pacheco, de Bartolomeu Pacheco, de D. Margarida, de D. Maria Madalena e de D. Quitéria. Aquela D. Emília foi irmã de D. Rosa Viterbo de Sousa Pacheco, casada com João Faustino, das Manadas.

    O cap. Estulano era irmão do tenente Cândido José de Azevedo Mendonça Machado. D. Maria Emília Pacheco, viúva de João Silva, reside em Angra.

    Do mencionado Pedro de Borba Teixeira e de Maria Alves foi filho Francisco de Borba, casado, em 25 de Janeiro de 1700, com Isabel de Quadros, também filha do cap Miguel Afonso de Sousa e de Leonor Pereira; e assim os dois irmãas, Miguel Vieira de Borba e Francisco de Borba, casaram com duas senhoras irmãs Bárbara de Valença e Isabel de Quadros. Francisco de Borba e sua mulher foram os progenitoes de Catarina de Borba, casada, em 1736, com João Pereira de Lemos, e foram os pais de Manuel Pereira de Lemos, casado, em 1760, com Francisca Mariana, dos quais nasceu Manuel Pereira de Borba de Lemos, casado, de Avelar, avô materno de José Cândido da Silveira de Avelar, autor da Ilha de S. Jorge. Tanto este, como meus primos Marianos Goulart, descendem pelo cap. Miguel Afonso de Sousa do povoador Nuno Alvares Pereira, que «veio à descoberta da terra», e de sua mulher Catarina Fernandes.

    «Que veio à descoberta da terra». Estas palavras da justificacão de nobreza, produzida em 1735 por Miguel António, filho do cap. mor do Topo António Silveira de Ávila, querem significar que Nuno Álvares Pereira viesse nas caravelas que em 1434 ou 1435, reconheceram S. Miguel e estas ilhas de baixo, ou tão somente que seria um dos primeiros povoadores desta ilha de S. Jorge?

    Daquele referido Pedro de Borba e de Maria Alves, casados em 1661, nasceu o P.e Agostinho Pereira de Sousa, já presbítero em 1710, bem como João de Borba, casado, em 1697, com Maria de Ávila, viúva de António de Quadros, do Norte Grande, e foram progenitores, os ditos João de Borba e Maria de Avila, de António Alvares de Borba casado em 1732, com Maria Santa de Borba, e procriaram a João Nunes de Borba, casado, em 1754, com Maria Silveira de Sousa que geraram a D. Isabel da Conceição, casada, em 1784, com o tenente Manuel António da Silveira, dos quais nasceu o sarg. mor das Velas João Silveira de Carvalho, casado com D. Ana Brum da Terra e Silveira, pais de João da Silveira Bettencourt e Carvalho. Este e a sr.a D. Ana Farjaz de Lacerda os pais do sr. João Silveira Forjaz de Lacerda e Carvalho, distinto cavalheiro da vila das Velas.

    Temos apresentado até aqui, não todos, mas em certa linha, os descendentes de Vicente Dias, povoador da Calheta.

    Diz-se que este ou seu pai, Alvaro Vieira, ou ainda algum outro dos primeiros povoadores, se queixara que sua data de terreno na Calheta, lhe não daria trigo que alimentasse uma família. Seus descendentes, porém, lucraram notavelmente com a plantação de vinhas que, produzindo abundantemente, valorizaram a propriedade. Vimos em vários documentos que no ano de 1700 um alqueire de vinhedo era cotado em 20$000, ao passo que a mesma área em terra de pão valia 4$000, e a de pastagem apenas 2$000. Não é fora de propósito expor o valor vendível, por estima, em consequência da desvalorização do papel moeda, na actualidade, de igual quantidade de terreno, sendo 1000$000 para as vinhas e terras de pão, e de 3000$000, em média, para as pastagens. Parece inacreditável, sendo um facto real e verdadeiro, perfeitamente lógico em virtude do agio do oiro.

    JOÃO DE ÁGUEDA, ESCUDEIRO

    Também se chamava João Fernandes de Agueda e teve data da Relvinha à Ribeira chamada da Calheta. Ignora-se com quem foi casado, e quantos filhos deixou, sabendo-se apenas de um, por nome João de Agueda, o moço, casado com Maria de Azevedo, filha do povoador Vicente Dias Vieira.

    João de Agueda, o velho, fidalgo escudeiro, era irmão de Fernando de Águeda, casado com Maria Eanes, cujo filho Domingos Fernandes casou com Ana Dias, filha de Sebastião Dias Salazar e de Senhorinha Gonçalves, e teve, bem como seu pai, morada e terras na freguesia de S. Tiago. Conjecturamos que o escudeiro seria ainda irmão de Manuel Fernandes de Agueda Ferro, casado com Maria Gomes, que teve data nesta vila, do Grotão ao sítio da Cruz, uns 900 metros a oeste deste porto; mas cuja morada era acima da Ponta do Acougue ou forte de S. João Baptista. Seriam talvez filhos de algum Fernão de Águeda, visto apelidarcm-se Fernandes, porquanto todos sabem que por derivação Rodrigues quer dizer filho de Rodrigo, Alvares filho de Alvaro, Nunes filho de Nuno, Vasques filho de Vasco, Bernardes filho de Bernardo, Gonçalves filho de Gonçalo, Simões filho de Simão, Domingues filho de Domingos, Antunes filho de Antão, Pedroso filho de Pedro, etc.

    João de Águeda, o velho, escudeiro do rei, cujos principais representantes são actualmente a família Carvalhal da Rua Nova, e os Carvalhais de Azevedo, em Chico, na Califórnia, instituiu a capela de Nossa Senhora dos Remédios nesta matriz de Santa Catarina, dando-lhe para património meio moio de terra de pão à margem direita da Ribeira, da Rua Nova à Rua de Baixo, com o perpétuo de vinte missas por sua alma.

    A respectiva administração andou sempre em seus descendentes, que, assim como o instituidor, tiveram o privilégio de serem enterrados na dita capela, à direita e ao norte do templo e hoje consagrada a Nossa Senhora da Conceição.

    O último patrono dessa instituição foi o P.e João de Matos de Azevedo, pároco desta freguesia de 1818 a 1836, ano em que faleceu nas Manadas, donde era natural. Foi sua herdeira D. Rita Emília, casada com Mateus Cândido, a qual legou a terra da Capela a seu sobrinho António Pedroso de Bettencourt, do Norte Grande e filho de seu irmão António Inácio, e está em seus herdeiros, actualmente em Califórnia

    Por lastimável incúria dos párocos, o Livro do Tombo desta freguesia encontra-se mutilado. Algumas folhas perderam-se e outras foram propositadamente arrancadas por legatários sem consciência para se subtraírem aos encargos pios de sua obrigacão.

    Sucede que se estraviaram as quatro primeiras folhas desse Livro, onde vinha um extracto do testamento de João de Águeda. Se existisse talvez se obtivesse alguma notícia relativa à sua filiação, naturalidade, a sua mulher, a seus filhos, disposição de seus bens, data do falecimento, por onde se conjecturasse, ou positivamente se soubesse, a época em que aportou à Calheta, vindo colonizar a terra.

    De João de Águeda, escudeiro, foi filho João de Agueda, o moço, casado com Maria de Azevedo, filha de Vicente Dias Vieira. E tiveram três filhos: 1.º Isabel de Azevedo; 2.º Ana de Azevedo que se ignora haverem casado; 3.º Manuel de Azevedo que foi o 2.º cap. mor desta jurisdição, do ano de 1624 a 1632, em que faleceu; e casou com Maria Vaz, cuja paternidade se ignora.

    O cap. mor Manuel de Azevedo teve 6 filhos: 1.º Francisco Vaz de Azevedo, casado em 13 de Janeiro de 1631 com Bárbara Pereira de Lemos, filha do cap. Baltasar Luís Pereira e de Joana Dias Pereira de Lemos, filha do cap. Pedro Dias de Lemos e de Maria Nunes, filho de Joãa Dias de Lemos, irmão de Jorge de Lemos, casado este com Maria de Avila, fundadores da ermida de Santo António do Norte Grande em 1542. O curato de Santo António foi elevado a paróquia em 15 de Fevereiro de 1916.

    2.º João de Azevedo Vieira casado, como seu irmão, nesta matriz, em 20 de Janeiro de 1634, com Maria Pereira, filha de Diogo Fernandes Pereira e de Isabel Vieira, como já se disse. Maria Pereira testou em 3 de Fevereiro de 1657, falecendo em 24 de Janeiro de 1667.

    3.º Gaspar de Azevedo Teixeira, casado nesta freguesia, em 8 de Novembro de 1639, com Inês Vieira, filha (?) do dito Diogo Fernandes Pereira e de Isabel Vieira. Enviuvando, casou novamente, em 14 de Junho de 1660, com Bárbara Vieira, filha de Pedro A.lvares e de Catarina Vieira, moradores da Ribeira Seca. Gaspar de Azevedo Teixeira era já falecido em 1661, porquanto sua viúva, dita Bárbara Vieira, casou 2.' vez, em 9 de Janeiro de 1662, com Amaro Vieira, do Norte Grande, e filho de Domingos Fernandes e de Maria Vieira. Gaspar de Azevedo Teixeira houve de sua 2.' mulher Bárbara Vieira um filho, por nome Manuel de Azevedo Teixeira que casou, em 14 de Novembro de 1689, com Maria de Borba, filha de Mateus Nunes Pereira e de Ana de Borba.

    4.º Águeda de Azevedo, casada em 1633, com Miguel Vieira de Lemos, filho de Manuel Álvares Vieira, já falecido em 1655, e de sua 2.' mulher Constância Pires.

    5.º Manuel de Azevedo Teixeira, casado nesta Matriz, em 29 de Outubro de 1651, com Ana Dias de Lemos, filha do cap. Baltasar Luís Pereira e de Joana Dias Pereira de Lemos.

    6.º Isabel de Azevedo que ignoramos haver casado.

    Os capitães Azevedos da Rua Nova descendem do cap. mor Manuel de Azevedo por seu filho Francisco Vaz de Azevedo, casado com Bárbara Pereira de Lemos, porque foram estes os pais de Manuel de Azevedo Pereira e Sousa, casado em 8 de Janeiro de 1663, com Isabel Pereira, e destes nasceu Maria de Azevedo e Sousa, casada em 8 de Fevereiro de 1706, com o cap. João Pereira Brasil, do Norte Grande, e filho de João Gonçalves Brasil e de Maria ... (o P.' que lavrou aquele termo de oasa-dos ignorou o nome da mulher de João Gonçalves Brasil: não se chamava Maria, mas Catarina Jordão).

    Do cap João Pereira Brasil e de Maria de Azevedo Sousa nasceu D. Maria Josefa de Azevedo, casada, em 27 de Novembro de 1724. com o seu primo, o cap. António de Azevedo Machado, das Manadas, e filho do cap. Manuel Machado de Sousa e de Maria de Azevedo Vieira.

    Aquele cap. António de Azevedo Machado faleceu, com 96 anos em 18 de Maio de 1792, deixando por sua alma 935 missas rezadas, e foi sepultado na capela de Nossa Senhora dos Remédios, nesta Matriz, da qual era administrador. De seu consórcio nasceu João Machado Pereira, casado no Norte Grande com D. Teresa de Jesus, e foram os pais de D. Maria Josefa de Azevedo que, em 27 de Fevereiro de 1813, casou nesta paroquial com Jácome José do Carvalhal da Silveira Noronha Frias e Bettencourt, cavaleiro fidalgo, natural de Angra, e filho de João do Carvalhal da Silveira Noronha e Frias, de Santa Luzia da dita cidade, e de D. Francisca de Bettencourt, natural da Sé de S. Salvador.

    FRANCISGO VAZ DE AZEVEDO E BARBOSA PEREIRA DE LEMOS

    Tiveram seis filhos: 1.º André Pereira de Azevedo, casado, em 29 de Junho de 1666, com Maria de S. João, filha de Francisco Ribeiro e de Catarina Fernandes, e tiveram 5 filhos:

    2.º Maria Vaz de Azevedo ou Maria de Azevedo de Sousa, casada, com Manuel João da Bica, filho de João Dias Bica e de Juliana Pire,s sem descendência conhecida.

    3.º o sarg. mor João de Azevedo Pereira, casado, em 18 de Fevereiro de 1669, com Bárbara Pereira de Sousa, filha de Miguel Vieira de Sousa, já falecido nesse ano, e de Beatriz Alves Maciel, filha de Pedro Sanches, como já se disse. Tiveram 3 filhos.

    4.º Manuel de Azevedo Pereira e Sousa, nascido em 1637 e casado, l

    em 8 de Janeiro de 1663, com Isabel Pereira, filha do mencionado Miguel Vieira de Sousa. Tiveram 4 filhos.

    5.º Baltasar Luís Pereira de Azevedo, que se ignora haver casado; e

    6.º Joana Dias de Azevedo que faleceu solteira, em 19 de Fevereiro de 1710.

    ANDRÉ PEREIRA DZ AZEVEDO E MARIA DE S. JOÃO (moradores dos Biscoitos)

    Filhos: 1.º o sargento Manuel de Azevedo, casado em 26 de Fevereiro de 1705, com Maria de Melo, filha de Domingos Ferreira de Melo, tabelião, e de Catarina de Bairros, que haviam casado também nesta matriz em 12 de Janeiro de 1665, sendo Domingos Ferreira viúvo de Bárbara Vieira, esta de S. Mateus da Urzelina.

    2.º Bárbara Pereira, casada, em 14 de Maio de 1701, com Lázaro Pereira de Borba, filho de Manuel Rodrigues de Borba e de Ana Pereira André de Azevedo já falecido nesta data.

    3.º Mateus de Azevedo, casado, em 28 de Novembro de 1709 com Isabel Nunes, filha do dito tabelião Domingos Ferreira de Melo.

    4.º Antão Pêreira de Azevedo, casado, em 26 de Fevereiro de 1713, com Isabel de Quadros, viúva de Silvestre Pereira do Amaral; e

    5.º Catarina de Azevedo. Do sargento Manuel de Azevedo foi filha Maria de Azevedo, casada, em 28 de Setembro de 1726, com João Teixeira Cabral, filho do ajudante Aleixo Correia Cabral, da Graciosa, já em S. Jorge em 1694, e na Calheta em 1700, como escrivão do eclesiástico. Foi casado com Ana Machado Maciel, e primeiramente moraram na Ribeira da Areia.

    SARGENTO MOR JoÃo DE AZEVEDO PER'EIRA

    Filhos: 1.º Bárbara Pereira de Azevedo, casada, em 12 de Janeiro de 1705, com Simão Rodrigues de Borba, filho de Manuel Pereira de Lemos e de Bárbara Dias.

    2.º P.e André de Azevedo; e

    3.º P. Manuel de Azevedo Pereira e Sousa, iniciador do projecto de um convento nesta vila, e falecido em 1729.

    59

    O sarg. mor, enviuvando de Bárbara Pereira, casou com Luzia Dias, natural do Pico.

    Esta Luzia faleceu, com 85 anos, em 7 de Outubro de 1732, sem descendência.

    MANUEL DE AZEVEDO PEREIRA E SOUSA E ISABEL PEREIRA

    Filhos: 1.º Maria de Azevedo e Sousa, casada com o cap. João Pereira Brasil já mencionado.

    2.º O P.e Manuel de Azevedo Pereira, cura desta matriz, falecido em 13 de Dezembro de 1718.

    3.º O alferes António de Azevedo Pereira, que aparece nos registos em 1697; e

    4.º D. Ana de Azevedo Pereira, nascida em 1675 e casada, em 21 de Abril de 1708, com o cap. António de Sousa de Borba, filho de Manuel Lopes de Sousa e de Bárbara Gil de Borba, de S. Tiago D. Ana de Azevedo Pereira faleceu, com 83 anos, em 22 de Julho de 1758.

    Manuel Lopes de Sousa, filho de Gonçalo Lopes e de Ana Lopes, de S. Tiago, havia casado nesta matriz, em 6 de Junho de 1667, com a dita Bárbara Gil, filha de Francisco da Cunha Ferro e de Luzia Pereira, este filho de Manuel Vieira Ferro e de Vitória da Cunha, e ela filha do 2.º sarg. mar desta capitania, Melchior Nunes Pereira e de Bárbara Jorge de Borba, filha de Sebastião Gil de Borba, da Praia da Terceira. O cap. António de Sousa de Borba, falecido com 60 anos em 19 de Março de 1737, teve de seu consórcio 5 filhos:

    1.º O cap. António de Azevedo Pereira, casado, em 27 de Maio de 1748, com D. Maria Josefa de Sousa, irmã do P.' António de Sousa Pereira, depois vigário desta matriz e ouvidor da jurisdição, e filhos do sargento Domingos de Sousa Pereira, da Urzelina, mas casado nesta paroquial, em 19 de Janeiro de 1711 com Catarina Pereira, filha de Gaspar de Bairros e de Maria Pereira. Domingos de Sousa Pereira, que foi filho de João de Sousa Brasil e de Luzia Pereira, faleceu, com 68 anos, em 5 de Janeiro de 1753.

    2.º Manuel de Azevedo, que foi para Lisboa, e do qual não houve mais notícia.

    3.º D. Rosa Maria de Azevedo, casada em 10 de Julho de 1758 com o tenente Manuel António da Silveira, de S. Lázaro do Norte Pequeno e filho de José de Sousa Oliveira e de sua segunda mulher, Isabel Gregório Machado, moradores das Manadas. José de Sousa de Oliveira era viúvo de Maria de Oliveira, também viúva de Lázaro Nunes da Cunha, do Norte Pequeno.

    4.º D. Isabel Maria de Azevedo, casada, em 15 de Fevereiro de 1751, com o alferes Manuel Pereira de Sousa, também irmão do P.e António de Sousa Pereira.

    5.º D. Bárbara de Jesus, que faleceu solteira, com 77 anos de idade, em 8 de Março de 1777, deixando a casa dos frades, como diremos adiante. Finalmente, o cap. António de Sousa de Borba morou na Rua Nova na casa que foi de seu sogro Manuel de Azevedo Pereira, em cujo local, no princípio do século passado, José Manuel Teixeira, vindo do Brasil, levantou novo prédio, que foi a morada de seu filho João Manuel Teixeira, prédio actualmente arruinado e pertence à família do sr. P.e António de Sousa dos Santos, da Fajã dos Vimes, e este sacerdote neto do dito José Manuel Teixeira. Este teve 4 filhos: João Manuel Teixeira, António Manuel Teixeira, o P.e José Manuel Teixeira, cura das Velas e Maria Firmina, mãe do dito sr. P.e Santos. Até aqui temos tratado dos descendentes de Francisco Vaz de Azevedo.

    MANUEL DE AZEVEDO TEXEIRA,

    filho do cap. mor Manuel de Azevedo

    Casado com Ana Dias de Lemos, tiveram 2 filhos:

    1.º D Maria Antónia da Piedade, religiosa no convento da Conceição da cidade de Angra, e falecida no ano de 1711.

    2.º o sarg. mor António de Azevedo Teixeira, falecido com 75 anos em 7 de Fevereiro de 1737, de epidemia que durante algum tempo fez nesta jurisdição grande número de vítimas. Sua mãe, Ana Dias de Lemos, falecera em 27 de Outubro de 1698. Não encontrámos o registo de matrimónio deste sarg. mor, sabendo, porém, que em 1701 já estava casado com D. Francisca de Sousa Machado, filha de João Machado Pereira e de Isabel de Azevedo; esta filha de João de Azevedo Vieira e de Maria Pereira, e aquele filho de Gaspar Nunes Pereira Brasil e de Ana Machado, das Manadas, esta filha de João Machado e de Maria Gonçalves e Gaspar Nunes filho de António Alvares Pereira, filho do povoador Nuno Alvares Pereira e de Catarina Fernandes; e casado, o dito António Alvares, com Catarina Pereira, filha de Gaspar Nunes Pereira, o Velho e de Maria Luís de Sousa.

    Gaspar Nunes Pereira, o Velho, foi filho de A.lvaro Nunes Pereira e de Maria Pereira, aquele filho de Alvaro Pires, cavaleiro de Cristo, e sarg. mor do Algarve, casado com Catarina Eanes, e veio para Angra com João Vaz Corte-Real; e Maria Pereira, filha de Lourenço Vaz e de Bárbara Pereira. Lourenço Vaz foi filho de João Vaz Corte-Real, donatário de Angra, e desta ilha de S. Jorge; e Bárbara Pereira filha de João Garcia Pereira, da ilha do Faial.

    Maria Luís de Sousa, mulher de Gaspar Nunes Pereira, o Velho, foi filha de João Valido e de Inês Pires, e esta, filha de Pero Luís de Sousa do Brasil e de Catarina Eanes Pires. João Machado, casado com Maria Gonçalves, foi filho de Pedro Lourenço Machado e de Catarina Dias Vieira, esta, filha do já mencionado Vicente Dias Vieira, e Pedro Lourenço, filho de Afonso Lourenço, um dos principais de Angra nos seus princípios, e de Marquesa Gonçalves Machado, filha de Goncalo Eanes da Fonseca e de Mécia de Andrade Machado.

    D. Mécia de Andrade Machado foi filha do Dr. João Lisboa Machado, natural de Labeyra, Espanha, e de D. Maria de Castro. O Dr. João Lisboa foi filho do Dr. Pedro Machado, regedor das justiças e de outra D. Maria de Castro, dama do Paço; o Dr. Pedro Machado, filho de João Esteves de Vila Nova, alferes mor de D. João I e de D. Leonor Goncalves Machado, filha de Alvaro Gonçalves Machado, do Conselho de Estado, e de D. Maria de Carvalho; Álvaro Gonçalves Machado, filho de Goncalo Machado, filho de Diogo Machado, filho de Pedro Martins Machado, senhor de Entre Homem e Cávado, filho de Diogo Machado, filho de Martim Machado, alcaide-mor de Lanhaso, filho de Martim, ou Mem Moniz, que, a golpes de machado despedaçou a porta da muralha na tomada de Santarém por D. Afonso Henriques em 1147. Martim Moniz casado com D. Teresa Afonso, filho de el-rei D Afonso de Leão. O mesmo Martim Maniz foi filho do 1.º conde D. Maninho Osório de cabreira e Ribeira e de D. Maria Nunes, filha de D. Nuno Soares. Alvaro Gonçalves Machado, casado com D. Maria de Carvalho, foi irmão de D. Teresa, casada com Martim Bulhões, e estes, pais de Santo António de Lisboa. João Esteves de Vila Nova foi filho de Vasco Fernandes, senhor da Torre de Moncorvo, alferes-mor de el-rei D. João I de boa memória. (Apontamentos do Dr. José Pereira da Cunha da Silveira e Sousa, das Velas).

    O SARG. MOR ANTÓNIO DE AZEVEDO TEIXEIRA E D, FRANCISCA DE SOUSA MACHADO

    Tiveram 7 filhos :

    1.º D. Maria de Azevedo de Sousa, nascida em 19 de Agosto de 1697 e falecida com 82 anos em 6 de Dezembro de 1779. Casou duas vezes, a 1.a em 8 de Março de 1734 com Nicolau Silveira Machado, dos Rosais, e filho de João Silveira Machado e de Catarina Dias de Sousa. Enviuvando de Nicolau Silveira, que faleceu de 37 anos de idade em 22 de Setembro de 1735, casou 2.a vez, em 9 de Maio de 1740, com o cap. António Álvares Machado, filho de Francisco Gonçalves Quadrado, das Velas, mas escrivão da Câmara da Calheta. De Nicolau Silveira, houve D. Maria um filho o alferes Manuel Silveira Machado; e do cap. António A.lvares houve o alferes António Alvares Machado, o Moço e moravam na Rua Nova, à entrada da canada das Loirinhas.

    O cap. António Álvares Machado, também escrivão da Câmara, falecido com 94 anos em 12 de Fevereiro de 1760, casou a 1. vez com Isabel Silveira de Sousa e Avila, de S. Tiago, e filha de Francisco Silveira de Avila e de Maria Neta, filha do cap. mor Gaspar Nunes Neto. Do consórcio do cap. António Alvares Machado, houve: 1.º Ana, baptizada em 28 de Julho de 1694; 2.º D. Maria Joana da Silveira, ou D. Maria Silveira Machado, nascida em 4 de Janeiro de 1698, e casou com João Teixeira Cabral, das Velas; 3.º o P.e Manuel Silveira Machado, nascido em 25 de Dezembro de 1699, e era cura de S. Tiago em 1727; e 4.º o P.e António Silveira Machado, baptizado em 22 de Janeiro de 1696, e foi vice-vigário desta matriz de Santa Catarina, e em 1758 era vigário de Nossa Senhora da Luz, da Graciosa.

    2.º filho do sarg. mor D. Marta de Azevedo ou D. Marta Maria do Sacramento, nascida em 16 de Janeiro de 1702, e falecida, solteira, em 13 de Agosto de 1770. Morava na Fajã Grande desta freguesia.

    3.º D. Rosa Clara de Santa Maria, nascida em 26 de Setembro de de 1705, e casada em 17 de Julho de 1730, com o cap. Jorge de Sousa da Silveira, das Manadas, viúvo de D. Maria Clara de Bettencourt, e filho do cap. João de Matos da Silveira.

    4.º D. Margarida Machado de Azevedo, casada, em 1743, com o cap. João de Sousa Pereira, filho do cap. Agostinho Pereira de Borba, e de D. Maria da Trindade; e o cap. Agostinho filho de Matias Pereira

    O SARG. MOR ANTÓNIO DE AZEVEDO TEIXEIRA E D. FRANCISCA DE SOUSA MACHADO

    Tiveram 7 filhos :

    1.º D. Maria de Azevedo de Sousa, nascida em 19 de Agosto de 1697 e falecida com 82 anos em 6 de Dezembro de 1779. Casou duas vezes, a 1.a em 8 de Março de 1734 com Nicolau Silveira Machado, dos Rosais, e filho de João Silveira Machado e de Catarina Dias de Sousa. Enviuvando de Nicolau Silveira, que faleceu de 37 anos de idade em 22 de Setembro de 1735, casou 2.a vez, em 9 de Maio de 1740, com o cap. António Álvares Machado, filho de Francisco Gonçalves Quadrado, das Velas, mas escrivão da Câmara da Calheta. De Nicolau Silveira, houve D. Maria um filho o alferes Manuel Silveira Machado; e do cap. António A.lvares houve o alferes António Alvares Machado, o Moço e moravam na Rua Nova, à entrada da canada das Loirinhas.

    O cap. António Álvares Machado, também escrivão da Câmara, falecido com 94 anos em 12 de Fevereiro de 1760, casou a 1.' vez com Isabel Silveira de Sousa e Avila, de S. Tiago, e filha de Francisco Silveira de Avila e de Maria Neta, filha do cap. mor Gaspar Nunes Neto. Do consórcio do cap. António Alvares Machado, houve: 1.º Ana, baptizada em 28 de Julho de 1694; 2.º D. Maria Jwna da Silveira, ou D. Maria Silveira Machado, nascida em 4 de Janeiro de 1698, e casou com João Teixeira Cabral, das Velas; 3.º o P.e Manuel Silveira Machado, nascido em 25 de Dezembro de 1699, e era cura de S. Tiago em 1727; e 4.º o P.e António Silveira Machado, baptizado em 22 de Janeiro de 1696, e foi vice-vigário desta matriz de Santa Catarina, e em 1758 era vigário de Nossa Senhora da Luz, da Graciosa.

    2.º filho do sarg. mor D. Marta de Azevedo ou D. Marta Maria do Sacramento, nascida em 16 de Janeiro de 1702, e falecida, solteira, em 13 de Agosto de 1770. Morava na Fajã Grande desta freguesia.

    3.º D. Rosa Clara de Santa Maria, nascida em 26 de Setembro de de 1705, e casada em 17 de Julho de 1730, com o cap. Jorge de Sousa da Silveira, das Manadas, viúvo de D. Maria Clara de Bettencourt, e filho do cap. João de Matos da Silveira.

    4.º D. Margarida Machado de Azevedo, casada, em 1743, com o cap. João de Sousa Pereira, filho do cap. Agostinho Pereira de Borba, e de D. Maria da Trindade; e o cap. Agostinho filho de Matias Pereira de Borba, já falecido em 1655, e de Milícia Gaspar, filha de Gaspar Gonçalves de Quadros ou Quadrado e de Maria da Cunha; e Matias Pereira de Borba filho do 2.º sarg. mor da Calheta, Melchior Nunes Pereira, falecido em 1643, e de Bárbara Jorge de Borba; e o sarg. mor filho de Gaspar Nunes Pereira, o Velho, e de Maria Luís de Sousa, já mencionados.

    5.º João Pereira, estudante, solteiro, falecido de epidemia, com 22 anos, em 10 de Fevereiro de 1737.

    6.º Ana de Azevedo, solteira, falecida da epidemia, com 34 anos, em 12 de Fevereiro do mesmo ano.

    7.º Isabel de Azevedo, solteira, falecido da epidemia, em 2 de Novembro do dito ano.

    Daquele Gaspar Gonçalves de Quadros, ou Quadrado, e de sua mulher, Maria da Cunha, foram ainda filhos: 1.º Isabel de Quadros, casada com o cap. Sebastião Nunes Pereira; 2.º João Fernandes; e 3.º Vitória Goncalves, casada em 1632 com João de Bairros, filho de Gaspar de Bairros e de Beatriz João, já falecidos nesta data.

    MANUEL FERNANDES FERRO, O VELHO, casado com Maria Gomes

    Teve data nesta vila em terrenos contíguos e ao oeste do Grotão, e sua morada acima da Ponta do Açougue ou forte de S. João Baptista.

    Foram seus filhos : 1.º Manuel Fernandes de Agueda, o Moço, 2.º Bárbara Manuel, casada com António Vieira Ferro; 3.º Damião Fernandes, casado com Apolónia Dias; 4.º Bartolomeu Fernandes; 5.º Gaspar Manuel; 6.º Baltasar Manuel, casado com Catarina Vieira; 7.º Susana Manuel, casada com Miguel Vieira, filho de Vicente Dias Vieira.

    ANTÓNIO VIEIRA (FERR0) E BÁRBARA MANUEL

    Foram os progenitores 1.º de Manuel Vieira Ferro, casado com Vitória da Cunha, filha de Belchior Gonçalves da Cunha, do Topo, já falecido em 1594 e de Juliana Pires, e estes os troncos do.s Cunhas desta jurisdição; Juliana Pires foi filha de João Pires e de Joana Pires, que testou em 31 de Agosto de 1567, nas notas do tabelião Manuel Brás, e aquele casal teve mais os filhos seguintes: Jorge Fernandes, Gaspar Fernandes, Baltasar Fernandes, Madalena Fernandes, Ana Gonçalves, Simão Fernandes, Pedro Fernandes, Catarina, João, Fernão, e Belchior, que morreu no mar. Moravam acima dos Lameiros, no Vale das Amoras; 2.º António Vieira Ferro que figura na prestação de contas do município em 1625; 3.º Pedro Vieira Ferro, casado com Maria de Lemos; 4.º; Brás Vieira Ferro, casado com Catarina Pedrosa; 5.º; Bárbara Man,uel, casada com o tabelião António Vieira. Manuel Vieira Ferro e Vitória da Cunha foram os pais de António da Cunha Vieira, casado com Águeda Jorge, filha de António Luís Pereira e de Helena Toste, de S. Tiago; Antonio Luís Pereira, filho de Nuno Jorge e de Margarida Toste; e Nuno Jorge, filho de Nuno Álvares Pereira e de Catarina Fernandes. Helena Toste, mulher de António Luís, era filha de João Afonso do Pó e de Lucrécia Lopes. António Luís Pereira e Helena Toste foram também os pais de Francisco Luís Souto Maior, do P.'e João do Souto Maior, de Manuel do Souto Maior e de António Luís Souto Maior. Foram ainda filhos de João Afonso do Pó e de Lucrécia Lopes agueda Luís, falecida em 1641, Bárbara Luís, Maria Álvares, Isabel Afonso ou Isabel Geegório, Catarina Pires, Ana Lopes e Lázaro Pereira, todos de S. Tiago. António Luís Pereira e Helena Toste, sua mulher, ainda viviam em 1632. Os dados genealógicos de João Afonso do Pó e de Lucrécia Lopes foram-nos fornecidos pelo contexto do testamento de seu neto Francisco Luís Souto Maior, casado em 1625 com Helena Machado Vieira, e falecido a 20 de Novembro de 1666. Estes sobreviveram a seus filhos Inácio Machado e João Luís Machado. Helena Machado Vieira, mulher do Souto Maior, falecida a 22 de Maio de 1671, declara em seu testamento ser tia de Isidoro Gonçalves Pereira e de Bartolomeu Goncalves Pereira; era portanto irmã de Ana Machado casada com Gaspar Nunes Pereira Brasil, e filhas de João Machado e de Maria Gonçalves, filha de Duarte Gonçalves, da Terceira.

    MANUEL FERNANDES VIEIRA FERR0, já falecido em 1623, e VITÓRIA DA CUNHA

    Tiveram 9 filhos:

    1.º António da Cunha Vieira, casado com Agueda Jorge; c.d.

    2.º Baltasar da Cunha Vieira, casado com ..., e cuja filha Maria da Cunha casou em S. Tiago com Domingos Afonso de Sousa, filho do cap. Baltasar Luís Pereira, como diremos adiante. Teve outro filho por nome Manuel Vieira da Cunha.

    3.º Gaspar Vieira da Cunha, nascido em 1594, e casou com Francisca Pereira, filha do sa.-g. mor Melchior Nunes Pereira, de quem houve 8 filhos;

    4.º Juliana Pires, casada com João Dias Bica, filho de Aleixo Dias Bica, o Velho, e de Juliana Pires. Tiveram 4 filhos.

    5.º Manuêl Vieira da Cunha, casado com Catarina de Bairros, falecida em 1659 e tiveram 10 filhos.

    6.º Apolónia da Cunha, casada com João Dias Pereira, filho do sarg. mor Melchior Nunes Pereira. Conhecemos 4 filhos deste ca.sal.

    7.º Francisco da Cunha Ferro, casado com Luzia Pereira, filha do mencionado sarg. mor Melchior Nunes Pereira e de sua mulher Bárbara Jorge de Borba.

    8.º Catarina Vieira da Cunha, falecida em 1657, casada com Álvaro Nunes Pereira, do Norte Pequeno, que supomos filho do sarg. mor Melchio- Nunes Pereira. Álvaro Nunes Pereira foi filho de Baltasar Nunes Pereira, e este, filho de Alvaro Nunes Pereira e de Maria Pereira, filha de Lourenco Vaz.

    9.º Bárbara da Cunha Vieira, como conjecturamos, e foi casada com Luís Correia da Silva, irmão ou sobrinho do vigário desta matriz P.e Cosme Correia da Silva, natural da Graciosa. Deste Luís Correia e de Bárbara da Cunha julgamos filhos Gaspar dos Reis da Silva casado em 1652 com Iria João, do Norte Pequeno; Vitória da Cunha, casada com Manuel Cardoso Bica, e Maria da Silva, casada com Manuel Cardoso Carvalho.

    De Gaspar Vieira da Cunha e de Francisco Pereira filhos: Gaspar de Bairros; Maria da Cunha ou Maria da Trindade; Vitória da Cunha; Catarina Pereira; Marta da Trindade; António Pereira da Cunha, nascido em 1630; Jow da Cunha; e Manuel Vieira da Cunha. Gaspar Vieira da Cunha era já falecido em 1668.

    De Juliana Pires e de João Dias Bica -filhos: Maria da Cunha, falecida solteira e de menoridade; António Dias da Cunha, casado com Apolónia Pereira, filha do cap. Miguel Afonso de Valença e de Isabel Nunes; Manuel João da Bica, casado com Maria Vaz de Azevedo, filha de Francisco Vaz de Azevedo; e Aleixo Dias da Cunha, casado em S. Tiago com Bárbara Ramalho, filha do cap. Francisco Lopes Teixeira e de Isabel Gregório. Francisco Lopes Teixeira já falecido em 1650.

    De Manuel Vieira da Cunha e de Catarina de Bairros, filhos: o P.e Mateus Vieira da Cunha, cura desta matriz; Vitória da Cunha; Maria Vieira da Cunha, Bárbara Pereira da Cunha, Brites Vieira, Gaspar de Bairros Pereira, Francisco da Cunha Pereira, João, Pedro de Bairros, e António Vieira da Cunha, casado com Maria Nunes, filha de Francisco Gomes e de Maria Pereira.

    De Apolónia da Cunha e de João Dias Pereira filhos: Bárbara Vieira de Sousa, casada com o cap. mor Gonçalo Pereira Machado, Pedro da Cunha e Sousa ou Pedro Dias Pereira, casado com Bárbara Vieira Machado; Amaro Pereira da Cunha, casado nas Manadas com Ana Machado, já viúva de Amaro Pereira da Cunha em 16 de Setembro de 1680; e Maria Nunes da Cunha de Borba, casada com o cap. Gonçalo Nunes Pereira, filho do cap. Pedro Luís Pereira e de Bárbara Dias Teixeira O cap. Gonçalo e Maria de Cunha procriaram o vigário de Rosais P.e António Teixeira Machado, o vigário de Santo Amaro desta ilha P.e Manuel Machado de Sousa e Bárbara de Sousa Maohado, çasada com o sarg. mor das Velas, Amaro Soares de Sousa.

    De Francisco da CunAa Ferro e de Luiza Pedreira, filhos:

    1.º Bárbara Gil, casada em 6 de Junho de 1667 com Manuel Lopes, de S. Tiago, e filho de Gonçalo Lopes e de Ana Lopes.

    2.º José Pereira da Cunha, casado com Luzia Pereira, com descendência no Funchal, Madeira.

    3.º Catarina Pereira da Cunha, casada com Amaro de Avila, do Norte Grande, e filho de João de Oliveira Fagundes e de Joana de Avila.

    De Manuel Fernandes Vieira Ferro e de Vitória da Cunha julgamos ainda mais um 10.º filho, João Vieira da Cunha, morador do Norte Pequeno.

    António da Cunha Vieira e mulher, Agueda Jorge, tiveram 9 filhos: 1.º Vitória da Cunha, baptizada em 23 de Fevereiro de 1628; 2.º Helena Toste, baptizada em 22 de Junho de 1630; 3.º Manuel, baptizado em 22 de Dezembro de 1632; 4.º Maria da Cunha, baptizada em 27 de Maio de 1635; 5.º Isabel Peixeira, nascida em 1637; 6.º João, baptizado em Março de 1639: 7.º Apolónia, baptizada em 12 de Janeiro de 1642; 8.º Ana, baptizada em 31 de Julho de 1644; e 9.º António, baptizado a 8 de Abril de 1649.

    ANTÓNIO VIEIRA, Tabelião, casado com Bárbara Manuel

    Veio de Lisboa para a Calheta, figurando aqui nos ofícios de tabe-

    lião e escrivão da Câmara em 1561. Devia sê-lo já em 1559, data em que nos três concelhos desta ilha começou o registo das deliberações camarárias, escrevendo-,se as actas das respectivas sessões.

    Em 1567 era também tabelião nesta vila Manuel Brás, talvez mais velho que António Vieira.

    Casado com Bárbara Manuel, filha de António Vieira Ferro e de Bárbara Manuel, em 1614 era já viúvo, falecendo de longa idade em 1624. Julgamos ser sua filha Sultana Manuel, casada com Francisco Rodrigues de S. Pedro, que em 1624 lhe sucedeu no cargo de tabelião e de escrivão da Câmara e em 1656 já era falecido.

    Nesta época foi escrivão da Câmara das Velas Gonçalo Vieira, e da Câmara do Topo, Pero Dias. Eram certamente filhos ou netos, de outros que no Reino exerciam os mesmo: ofícios. Pois, como se vê no Arquivo dos Açores, Fernão Vieira lavrava, em Tavira, cartas de confirmação em nome de El-Rei, no ano de 1448. João Vieira alvarás, em Vila Nova de Portimão, em 1495. André Dias, em Lisboa, no ano de 1501. Francisco Dias, em Lisboa, no mesmo ano. Jorge Dias em 1513, 1514 e 1536. Álvaro Dias, no Faial, em 1539. Simeão Dias, Lisboa, 1540. Damião Dias, Lisboa, 1540 e 1546. Rui Dias, Lisboa, 1553. Baltasar Dias, escrivão da Câmara das Lages do Pico, em 1559. Duarte Dias, Lisboa, 1583. E Rui Dias de Meneses, Lisboa, em 1583 e 1602. No concelho das Velas desta ilha o cargo de escrivão da Câmara andou na mesma família durante 300 anos, e nesta vila da Calheta durante 130.

    PEDRO EANES VALENÇA , casado com Isabel Casada Barreto

    Segundo o Dr Gaspar Frutuoso, teve grandes datas de terreno na Ribeira da Areia, parte do Norte Pequeno e Fajã dos Cubras. Seus filhos se estabeleceram em S. Tiago da Ribeira Seca, acima da igreja paroquial, com terras em toda a circunvizinhança. Sua mulher dizem uns ser Isabel Casada, e outros Isabel Caiada. Deve ser Casada, porquanto há no Norte Grande o chafariz à Ramada, em frente à igreja, cuja água é encanada da Fonte da Casada, nome tradicional que é de presumir só fosse usado pela família de Pero Eanes de Valença.

    Deste povoador descende o P. João Taveira de Freitas, falecido em 29 de Março de 1917, e seu sobrinho, Hermenegildo Teixeira Martins, oficial do exército, residindo na Figueira da Foz. Mais descendem os representantes do último cap. mor Miguel António da Silveira e Sousa, bem como algumas famílias desta freguesia de Santa Catarina e de S. Tiago e, nomeadamente, o maestro sr Francisco de Lacerda e seus primos João Forjaz Pacheco e José Severiano de Andrade e Silveira.

    Porquanto estes são bisnetos de João Caetano de Sousa, casado em S. Tiago com D. Rita dos Anjos e Silveira, filha do cap. Bartolomeu Silveira Machado e de D. Rita do Espírito Santo e Silveira, filho, o dito capitão, do cap. Tomé Teixeira de Sousa e de D. Maria dos Anjos de Lemos, filha de Pedro Luís de Lemos e de Bárbara de Sousa Teixeira, filha do cap. Tomé Gregório Teixeira e de Ana de Sousa Brasil, e aquele capitão, filho do cap. Francisco Lopes Teixeira e de Isabel Gregório, filha do 1.º cap. mor da Calheta, Tomé Gregório e de Bárbara Ramalho, e o cap. mor filho de Gregório Fernandes, e este filho do dito povoador Pero Eanes de Valença e de sua mulher Isabel Casada Barreto.

    Tomé Gregório, 1.º cap. mor da Calheta e sua mulher Bárbara Ramalho foram também os pais do 3.º cap. mor das Lages do Pico, Baltasar Gregório Ramalho, casado ali com Luzia de Avila Bettencourt, filha de João Jorge da Silveira, do Faial, e de Agueda Pereira de Bettencourt, «pessoas de antiga nobreza e fidalguia, que viveram com fausto de escravos, cavalos, armas, e criados», descendentes de Antão Gonçalves de Avila Bettencourt.

    Baltasar Gregório Ramalho deixou descendência nas Lages. Casara 1.a vez com Luzia Homem, filha de Luís Homem da Costa.

    NUNO ÁLVARES PEREIRA, casado com Catarina Fernandes

    Foram considerados «nobres e fidalgos» e tiveram 8 filhos com larga descendência, nesta, e nas freguesias de S. Tiago, Manadas, Norte Pequeno e Velas.

    Do consórcio de Nuno Alvares, houve os seguintes filhos: 1.º Nuno Jorge, casado em S. Tiago com Margarida Toste; 2.º António Álvares Pereira, casado com sua prima Catarina Pereira e Sousa, filha de Gaspar Nunes Pereira, o Velho e de Maria Luís de Sousa; 3.º Bartolomeu Simão, o Ruivo; 4.º Gaspar Nunes Alvares Pereira; 5.º Amador Louranço; 6.º Leonor Dias; 7.º Isabel Pereira; e 8.º Gon-çallo Nunes Pereira, casado com sua prima Maria Luís Pereira, filha do mencionado Gaspar Nunes Pereira, o Velho e de Maria Luís de Sousa.

    Gaspar Nunes Pereira, o Velho, filho de Álvaro Nunes e irmão de Nuno Álvares, foi casado com Maria Luís de Sousa, filha de João Valido e de Inês Pires, filha de Pero Luís de Sousa do Brasil e de Catarina Anes Pires, de Santarém; e morou, o dito Gaspar Nunes Pereira, no Norte Pequeno, onde o avô de sua mulher, dito Pero Luís de Sousa, escolheu terras para sua filha Inês Pires, e nomeadamente as terras dos Azevinhos e Fajã do Mero. Também tinha bens nesta vila, como 3 alqueires de vinha atrás da matriz em que lançou o foro de 600 reis ao SS. º desta igreja, e cujo primeiro enfiteuta foi Catarina Lopes, talvez 2.' mulher do instituidor, dito Gaspar Nunes.

    Filhos de GONÇALO NUNES PEREIRA e de Maria Luís Pereira

    1.º Gaspar Nunes Neto, 3.º cap. mor desta vila em 1638, morador da Ribeira Seca, juiz ordinário em 1614 e noutros anos e 1.º sarg. mor desta jurisdição até 1638. Foi casado com Bárbara de Valença, filha de Belchior Afonso de Valença e de Isabel Dias.

    Faleceu em 1655, e sua mulher Bárbara de Valença, em 26 de Agosto de 1681, dizendo em seu testamento «queria ser enterrada na sepultura de seu avô Domingos Fernandes, onde já sua mãe Isabel Dias o havia sido». Tiveram os seguintes filhos: 1.º João Luís Pereira, que lhe sucedeu no cargo de chefe da capitania, talvez em 1641; 2.º Maria Neta de Sousa, casada com Francisco Silveira de Ávila; 3.º Bárbara Pereira Neta, casada com o sarg. mor do Topo João Silveira de Ávila. Aqueles Avilas eram do Topo, e ambos filhos de António Silveira de Avila e de Águeda Dias: 4.º Luzia Dias, baptizada em 25 de Junho de 1628; 5.º Ana Dias, mais conhecida por Ana Rodrigues, que aparece no arquivo paroquial em 1632, e foi casada com Pedro Rodrigues; 6.º Catarina Alvitres, baptizada em 8 de Agosto de 1632, e foi casada com Amaro Pereira; 7.º Gonçalo Nunes Neto, que aparece no dito ano, e foi casado ccen Francisca Gaspar; 8.º Isabel Dias, que figura no registo paroquial em 1637; e 9.º Gaspar Nunes Pereira, casado com Bárbara de Sousa, moradores do Norte Pequeno.

    Quanto a seu filho mais velho João Luís Pereira, 4.º cap. mor da Calheta talvez desde 1641, sabe-se que casou três vezes: a 1. com Francisca de Borba, de quem nasceu Ana de Borba, casada com o cap. António Machado Teixeira; 2.' vez com Catarina Machado Teixeira, filha de António Teixeira Machado e de Francisca Gaspar Boto, moradores de Santo António do Norte Grande, e houveram dois filhos o cap. mor Gonçalo Pereira Machado, casado com Bárbara de Sousa, filha de João Dias Pereira e de Apolónia da Cunha; e 2.º Maria Neta, ou Maria da Piedade, casada, em 10 de Maio de 1660 com o cap Francisco Correia de Bettencourt, das Velas; 3.' vez com Catarina de Sousa, do Topo, irmã de João Dias de Sousa, da qual não teve descendência. Em 1662 já se achava casado com esta, porquanto Catarina Machado Teixeira, 2.' mulher, falecera em 1660. João Luís Pe."eira de Valença faleceu em 1677. Assinava-se tão somente por João Luís Pereira, mas era conhecido por João Nunes, João Nunes Neto, João Luís Pereira, João Luís Pereira de Valença.

    2.º filho de GONÇALO NUNES PEREIRA e de Maria Luís Pereira

    Isabel Nunes, já falecida em 1669, casada com o cap. Miguel Afonso de Valença, nascido em 1594, filho de Belchior Afonso de Valença e de Isabel Dias Belchior Afonso de Valença filho de Pedro Afonso de Valença; e de Catarina Rodrigues e Pedro Afonso de Valenca filho de Pero Eanes de Valença e de Isabel Casada e Barreto. Isabel Dias, mulher de Melchior Afonso, foi filha de Domingos Fernandes e de Ana Dias; Domingos Fernandes filho de Fernando de Agueda e de Maria Eanes; Fernando de Agueda, irmão de João de Águeda, o Velho, escudeiro; e Ana Dias, finalmente, filha de Sebastião Dias Salazar e de Senhorinha Gonçalves.

    Do cap. Miguel Afonso de Valença e de sua mulher Isabel Nunes, já falecida em 1669, conhecemos os filhos seguintes:

    1.º o cap. João Luís de Valença, morador do Norte Pequeno e casado no Topo, em 1654, com Luzia Silveira de Sousa, filha do 1.º sarg. mor daquela jurisdição, já em 1618, Francisco da Silveira de Avila, e de sua mulher Ana de Matos da Silveira.

    2.º Ana Pereira Leal, casada, nesta matriz, em 16 de Setembro de 1654, com Amaro de Avila Amarante, viúvo de Isabel Teixeira Fagundes, e filho de João Amarante e de Paula Correia de A.vila Goulart, estes das Velas.

    3.º Catarina Leal de Valença, casada em 28 de Janeiro de 1658, nesta igreja paroquial, com Relchior Nunes Pereira, nascido em 1630, e era filho de Matias Pereira de Borba, já falecido em 1655, e de Milícia Gaspar, esta filha de Gaspar Gonçalves de Quadros, ou Quadrado, e de Maria da Cunha; e Matias Pereira de Borba filho do 2.º sarg. mor desta vila Melchior Nunes Pereira e de Bárbara Jorge de Borba.

    4.º Apolónia Pereira, casada, nesta matriz, em 24 de Janeiro de 1661, com António Dias da Cunha, filho de João Dias Bica e de Juliana Pires;

    5.º António Leal Pereira, casado no Brasil com Joana de Oliveira;

    O 5.º filho do cap. Miguel Afonso de Valenca António LeaI Pereira, e sua mulher Joana de Oliveira, tiveram um filho Pascoal Pereira de Valença, nascido em Pernambuco, o qual, já falecidos os pais, vendeu em 21 de Setembro de 1700, ao cap. (mor) Simão Pereira de Sousa a vinha do Sumidouro na Fajã Grande, confinando pelo sul e oeste com caminho público (hoje de João Amaral), e outra contígua pelo nascente (hoje de André José da Silva) por 160$000, vinhas que haviam pertencido a seu avô dito cap. Miguel Afonso de Valença, casado com Isabel Nunes Pereira.

    O sarg. mor Melchior Nunes Pereira testou em 20 de Julho de 1643, falecendo nesse ano.

    De Maria Luís Pereira, mulher de Gonçalo Nunes Pereira, era irmã Bárbara Pereira, casada com Domingos Afonso, ou Domingos Nunes Pereira, filho de Baltasar Nunes Pereira, e este irmão de Gaspar Nunes Pereira (o velho). Aqueles Domingos Afonso e Bárbara Pereira foram os pais de Gaspar de Bairros, já falecido em 1631, e do cap. Baltasar Luís Pereira, morador da Rua Nova, e faleceu em 1656.

    Casou com Joana Dias Pereira de Lemos, filha do cap. Pedro Dias de Lemos e de Maria Nunes, filho, este Pedro Dias, de João Dias de Lemos, que José de Faria, nos Títulos das famílias de Portugal, diz que «morava na Ilha de S. Jorge».

    Baltasar Luís Pereira já era cap. de ordenança em 1633.

    Tiveram 11 filhos :

    1.º O P.e João Pereira de Lemos, ainda estudante em 1647, ordenado de presbítero em 1648, foi vigário do Norte Grande, e de 1683 a 1689 vigário desta freguesia de Santa Catarina.

    Morava no 1.º prédio ao poente da casa do concelho, hoje pertencente a Anatólio Dutra. Tinha sido deixado para «Passal» pelo vigário P.e João Gonçalves Boto, natural das Velas, e falecido em 1646. O P.e Boto havia comprado essa casa a Pedro Cardoso, procurador do número. Em 1669 foi arrematada por 45$000 em favor da Confraria do SS.mo, sendo arrematante o vigário P.e Francisco Silveira Vilalobos, que a cedeu ao P.e Lemos. Deste passou a seu sobrinho o P.e Lázaro Nunes, degolado pelos turcos na ilha de Chipre, pelo que foi, pela Santa Sé, declarado Venerável. Com o martírio deste, passou ao P.e Baltasar Luís de Borba, deste ao P.e José de Sousa Machado, deste ao cap. António de Azevedo Pereira, passando a sua viúva, D. Maria Josefa, que vendeu ao ouvidor P.e Jacinto José de Bettencourt, que legou a seu sobrinho, o cap. Jacinto Soares de Albergaria, que vendeu em 1825 ao vigário P.e João de Matos de Azevedo, que deixou a D. Rita Emília, casada com Mateus Cândido da Silveira, cujo filho António Cândido, legou a seu cunhado o P.e João Ernesto de Amorim, cura de S. Tiago, o qual padre vendeu a José Machado Dutra, pai do sr. Anatólio Dutra. Diremos ainda que após o terramoto de 9 de Julho de 1757, o P.e José de Sousa Machado, vigário do Norte Grande, requereu a esta Câmara fizesse arrematar a interesse dele, a madeira e telha da casa vinculada pelo P.e João Pereira de Lemos, «por não ter ficado pedra sobre pedra, como sucedeu a todas desta vila», na noite de 9 de Julho. Fez-se praça em 9 de Novembro do dito ano, sendo arrematante, por 16$010, Francisco de Borba. O dito prédio, como todos os desta vila, foi depois reedificado.

    2.º filho do cap. BALTASAR LUÍS PEREIRA

    Bárbara Pereira de Lemos, casada, em 13 de Janeiro de 1631, com Francisco Vaz de Azevedo, filho do cap. mor Manuel de Azevedo, e de cuja descendência já nos ocupámos.

    3.º filho do cap. BALTASAR LUÍS PEREIRA

    Joana Pereira de Lemos, já falecida em 1652, e havia casado com o cap. Gaspar Gonçalves Balieiro, das Velas, e filho de Floriano Cardoso Pereira e de Clara Quadrado. Foram aqueles os 5.os avós dos Drs. Cunhas, a saber: o Conselheiro Dr. José Pereira da Cunha da Silveira e Sousa, morador das Velas; o Dr. António Pereira da Cunha, morador de S. Tiago da Ribeira Seca; e o Dr. João Pereira da Cunha Pacheco, morador da Fajã de Santo Amaro desta ilha, e já todos falecidos.

    4.º filho do cap. BALTASAR LUÍS PEREIRA

    Domingos Afonso de Sousa, casado em S. Tiago com Maria da Cunha Vieira, filha de Baltasar da Cunha Vieira e de ...

    Moravam estes a S. Bartolomeu, e cuja habitação era contígua e ao nascente da casa do P.e João Teixeira de Freitas, e esta na épocadaquele casal, pertencia ao cap. João Teixeira de Lemos. Maria da Cunha Vieira faleceu em 31 de Março de 1674. Em 1651 já aparecem casados. Nos apontamentos particulares dos descendentes do cap. Baltasar Luís Pereira não figura Domingos Afonso como seu filho. Não pode haver a menor dúvida a respeito, porque no testamento do P.e João Pereira de Lemos vem com individuação, e com a maior clareza, escrito Domingos Afonso de Sousa como seu irmão. Nesse testamento, porém, não se faz a menor referência a D. Joana Pereira de Lemos, casada com o cap. Gaspar Gonçalves Balieiro, e falecida em 1652, o que não quer dizer, todavia, que o P.e João Pereira de Lemos não fosse irmão dela.

    Do casal de Domingos Afonso de Sousa conhecemos, porque alguns casaram nesta matriz, 1.º Filipa de S. Tiago, com Jacinto Pereira, viúvo de Catarina Vieira; 2.º Antão Pereira de Sousa, casado, em 12 de Janeiro de 1705, com Maria Alvares de Borba, filha de Pedro de Borba Teixeira e de Maria Alves, esta filha de Miguel Vieira de Sousa e de Brites Alves, e aquele, filho de João Gonçalves de Borba das Figueiras, casais de que já nos ocupámos; 3.º Manuel Vieira Teixeira; 4.º João Teixeira de Sousa ou João Pereira da Cunha, casado, em 25 de Novembro de 1717, com Catarina Homem de Sousa, filha de Pedro do Brasil e de Bárbara Vieira; 5.º Baltasar da Cunha, casado com Bárbara Vieira. e esta falecida, com 95 anos, em 31 de Dezembro de 1751.

    5.º filho do cap. BALTAZAR LUÍS PEREIRA

    Ana Dias de Lemos, casada, em 29 de Outubro de 1651, com Manuel de Azevedo Teixeira, filho do cap. mor Manuel de Azevedo, dos quais já nos ocupámos. Ana Dias testou em 5 de Dezembro de 1696.

    6.º filho do cap. BALTASARL LUIS PEREIRA

    Maria Luís de Lemos, casada com João Pedroso Vieira, irmão de António Vieira, e filhos de Brás Vieira e de Catarina Pedrosa, falecida em 1657.

    Tiveram 8 filhos: 1.º João Pedroso; 2.º Maria Luís; 3.º o cap. Rafael Pereira de Lemos, casado, em 30 de Janeiro de 1690, com Maria Pereira de Borba, filha de Francisco Goncalves de Borba e de Francisca Pereira; 4.º Catarina Pereira, casada, em 11 de Novembro de 1675, com Manuel de Azevedo Vieira, viúvo de Ana Vieira, das Manadas, e estes últimos foram os pais de Maria de Azevedo, casada com o cap. Manuel Machado de Sousa, que foram os progenitores do P.e José de Sousa Machado, cura do Norte Grande em 1735, e depois vigário da mesma freguesia; 5.º Joana Dias Pedrosa, casada, em 28 de Janeiro de 1697, com António Pereira de Borba, filho de Francisco Gonçalves de Borba e de Francisca Pereira, já defuntos naquela data. António Pereira de Borba faleceu em 23 de Março de 1707, e Joana Dias Pedrosa, sua mulher, em 6 de Abril de 1733, tendo 80 anos de idade; 6.º António Pereira de Lemos, casado com Catarina Pereira, já falecidos em 1716. Seu filho Amaro Pereira Brasil casou, em 16 de Novembro do dito ano de 1716, com Maria de Azevedo de Borba, filha de Manuel de Azevedo Teixeira e de Maria de Borba; 7.º Antónia Luís; e 8.º Pedro Luís de Lemos, casado em S. Tiago com Bárbara de Sousa Teixeira, filha do cap. Tomé Gregório Teixeira e de Ana de Sousa Brasil. Pedro Luís de Lemos e sua mulher Bárbara de Sousa Teixeira foram os pais de Catarina de Lemos, de Maria dos Anjos de Lemos, de que já fizemos referência; do sarg. mor Tomé Gregório Teixeira, nascido em 1685, casado em 1717 com D. Bárbara Maria da Encarnação, falecidos no terramoto, e foram os pais de D. Rosa Maria da Silveira, falecida na Rua Nova no dia 1.º de Novembro de 1788, e havia casado nesta matriz, em 27 de Dezembro de 1741, com o morgado Jorge da Terra Brum, do Faial, e foram os progenitores da cap. Raulino da Terra Brum de Vasconcelos Bettencourt Corte-Real, nascido na Horta, e morador da Rua Nova desta freguesia, e falecido com 80 anos, em 9 de Junho de 1822. Era cavaleiro fidalgo, e assim se assinava.

    7.º filho do cap. BALTASAR LUÍS PEREIRA

    Manuel Pereira de Lemos, falecido em 30 de Agosto de 1711, e havia casado, em 3 de Junho de 1658 com Bárbara Dias, filha de Simão Rodrigues de Borba e de Catarina Gonçalves. Tiveram 5 filhos: 1.º o P.e Baltasar Luís de Borba, falecido com 67 anos, em 17 de Março de 1735, e foi vigário do Norte Grande; 2.º o alferes Simão Rodrigues de Borba, casado, em 12 de Janeiro de 1705, com Bárbara Pereira e Sousa, filha de João de Azevedo Pereira e de Bárbara Pereira e Sousa.

    O alferes Simão Rodrigues de Borba, falecido, com 93 anos, em 3 de Janeiro de 1756, teve os filhos seguintes: D. Rosa Maria de Azevedo que faleceu solteira, no 1.º de Abril de 1791; o alferes José de Sousa de Azevedo, casado, em 1729, com Teresa Caetana, filha de João Silveira de Ávila e de Maria de Lemos, falecendo o dito alferes, com 39 anos, em 19 de Abril de 1746; e, finalmente o cap. João de Azevedo pereira, casado, em 1740, com D. Marta de Jesus, filha do cap. António Machado Teixeira, casado, em 1720, com D. Maria de Jesus Machado de Sousa, que casou 3 vezes, sendo aquele seu 2.º marido, que faleceu em 1721, deixando aquela filha, póstuma. O cap. João de Azevedo e D. Maria foram os pais do P.e José Bernardo Teixeira, reitor do Norte Pequeno em 1781, e depois cura de S. Tiago; D. Isabel Maria de Azevedo, casada com o cap. José Sebastião de Sousa, morador da Rua Nova, e não teve descendência; André de Azevedo Pereira, falecido com 28 anos em 26 de Janeiro de 1776, e nascera em 16 de Novembro de 1748; e, finalmente, mais três filhas menores mortas pelo terramoto de 1757, a saber: Rita de 14 anos, Perpétua de 4 e Bárbara de 17 meses.

    Com efeito, perdida sua mulher e aquelas filhas em tal sucesso, o dito João de Azevedo Pereira, que tinha estudado em Angra, no colégio dos Jesuítas, latim, humanidades e teologia, para se ordenar, agora viúvo, dirigiu-se àquela cidade recebendo ordens sacras em 1758. Foi beneficiado desta matriz e ouvidor da jurisdição, falecendo com 82 anos, no 1.º de Março de 1797; 3.º filho de Manuel Pereira de Lemos, o cap. António Luís Pereira de Borba, falecido em 22 de Junho de 1746, e foi casado, em 17 de Agosto de 1711, com Catarina Machado, filha do alferes Pedro Dias Pereira, ou Pedro da Cunha e Sousa e de Bárbara Vieira Machado; 4.º filho de Manuel Pereira de Lemos, Catarina Gonçalves de Borba; 5.º filho Joana Dias de Lemos que faleceu solteira, com 87 anos de idade, em 30 de Dezembro de 1746.

    8.º filho do cap. BALTASAR LUÍS PEREIRA

    Lázaro Pereira de Lemos, casado, em 19 de Abril de 1660, com Maria da Cunha, filha de Gaspar Vieira da Cunha e de Francisca Pereira, sendo aqueles nubentes parentes em 3.º grau de consanguinidade, porque o sarg. mor Melchior Nunes Pereira, avô de Maria da Cunha de Borba, era irmão de Bárbara Pereira, avó de Lázaro Pereira de Lemos, e aquela Bárbara Pereira, casada com Domingos Afonso, filho de Baltasar Nunes Pereira da presente genealogia. Do casal de Lázano Pereira de Lemos conhecemos 4 filhos: 1.º Gaspar Vieira da Cunha, casado, em 19 de Fevereiro de 1696, com Antónia Silveira, filha de Manuel Dias Toste e de Maria Silveira; 2.º Bárbara Pereira, casada, em 15 de Fevereiro de 1697, com Antão Pereira Brasil, filho de Amaro Pereira Brasil e de Maria das Candeias; 3.º Manuel Pereira da Cunha, casado, em 4 de Maio de 1705, com Joana de Sousa, filha de Manuel Quadrado e de Bárbara de Sousa, e aqueles pais de Simão Pereira da Cunha, casado, em 12 de Setembro de 1741, com Maria Gil, estes progenitores de Maria de Borba, casada, em 8 de Novembro de 1766, com Caetano Machado Pires, e estes pais de Maria Joanina, casada com Manuel Pereira da Cunha, que procriaram Manuel Joaquim da Cunha, casado com Paulina de Azevedo da Silveira, que geraram Rosa Joaquina da Silveira, casada com Antonio Augusto Pereira da Terra, pais do sr. João Augusto Terra e dos seus irmãos Manuel, António e Maria.

    Lázaro Pereira de Lemas é também ascendente e 7.º avô de Francisco de Sousa Vieira, das Calrinhas, casado com Isabel Beatriz de Azevedo, porque o dito Francisco de Sousa Vieira é filho de Rosa Joaquina e de António de Sousa Vieira e este, filho de outro António de Sousa Vieira e de Angélica Rosa que era irmã do dito Manuel Joaquim da Cunha, avô dos srs. Terras, desta vila. Aquela Paulina de Azevedo da Silveira, mulher de Manuel Joaquim da Cunha, descende dos Netos de S. Tiago, cujo tronco foi o 3.º cap. mor Gaspar Nunes Neto. E assim os srs. Terras, bem como o sr. João Machado de Azevedo, desta vila, casado com nossa prima, a sr.' D. Maria de S. Pedro, e este sr. João Machado, por sua mãe Maria da Glória, descendem dos dois povoa-dores Nuno Alveres Pereira, casado com Catarina Fernandes e Pero Eanes de Valença, casado com Isabel Casada Barreto; 4.º filho de Lázaro Pereira de Ledos, Baltasar da Cunha, casado, em Setembro de 1721, com Bárbara Machado, viúva de Gaspar Gonçalves.

    9.º filho do cap. BALTASAR LUIS PEREIRA

    Gregório Pereira de Lemos, casado, em 16 de Maio de 1672, com Catarina Pereira, filha de Pedro Ferreira Pereira e de Bárbara Vieira, já defuntos naquela data. Se teve descendência, desconhecêmo-la.

    10.º filho do cap. BALTASAR LUÍS PEREIRA

    António Luís Pereira, que se ignora haver casado.

    11.º filho do .cap. BALTASAR LUÍS PEREIRA

    O cap. Pedro Dias de Lemos, casado com Maria Nunes, cuja paternidade desconhecemos, por não havermos encontrado o registo de casamento. Sabemos, porém, que fora antes de 1659, e que em 1662 já tinham os filhos Baltasar e Maria Nunes, e esta já casada em 1687, pois já nesse ano tinha filhos legítimos.

    Além destes Baltasar e Maria Nunes, tiveram: Bárbara de Sousa, casada, em 4 de Novembro de 1680, com Brás Vieira de Borba, filho de João Pereira de Borba e de Maria Pedrosa, já falecidos naquela data; 4.º filho: o P.e Lázaro Nunes de Souza que, em 24 de Dezembro de 1704 foi «degolado» pelos turcos. na ilha de Chipre, quando regressava a Portugal, de sua viagem à Terra Santa. E a respeito, aproveitamos uma nota do nosso conterrâneo Dr. João Teixeira Soares de Sousa:

    • «O P.e Lázaro Nunes de Sousa foi natural da vila da Calheta, e filho do cap. Pedro Dias de Lemos e de Maria Nunes, pessoas qualificadas naquela vila, que o educaram convenientemente para a vida eclesiástica que seguiu. Por alvará de 20 de Junho de 1682, apresentou-o El-Rei (como perpétuo administrador da Ordem de Cristo) na igreja de Santa Catarina do Cabo da Praia, na Terceira. Ali se achava em 10 de Janeiro de 1696, dia em que vendeu a seu primo, o cap. Rafael Pereira de Lemos, da mesma vila, representado por procurador, 32 alqueires de vinha na Fajã do Calhau, (Fajã das Almas) freguesia das Manadas, pelo preço de 300$000. Do dia seguinte temos uma carta sua, autógrafa, dirigida ao comprador, nosso ascendente, sobre a recepção daquela quantia. Querendo o Bispo D. António Vieira Leitão prendê-lo por motivos que hoje ignoramos, saiu o venerável P. Lázaro Nunes de Sousa furtivamente para Lisboa, e de lá foi fazer uma peregrinacão aos lugares santos de Jerusalém. Ignoramos a data daquela saída, mas supomos que o facto da venda indicada estará estritamente ligado com ela, e que portanto seria depois dele. Depois de visitar Jerusalém e, certamente quando se retirava para Portugal, foi cativo dos turcos, que o levaram à ilha de Chipre onde sofreu martírios pela fé que professava, e de que era ministro. Ocorreu este facto em 24 de Dezembro de 1704, nascendo sua alma para a gloriosa eternidade no aniversário do dia em que o seu Divino Mestre nasceu para a Redenção do género humano. O P.e Fr. José da Trindade, como Geral da Terra Santa, alcançou de El-Rei provisão para que o Corregedor dos Açores fizesse cobrar dos herdeiros daquele venerável padre, ouvindo-os, 200$000, assim dos tributos que os Padres da Terra Santa pagaram por ele aos turcos, como da despesa que fizeram em resgatar o seu cadáver, para lhe darem sepultura eclesiástica, o que veio a efectuar-se sem oposição, arrematando-se bens dos que deixou nesta ilha, em 1708, sendo arrematando o referido cap. Rafael Pereira de Lemos; e do respectivo título colhemos esta parte da nossa notícia. Parece que na História Seráfica, crawlógica da Província de Portugal de Fr. Fernando da Soledade, se trata do martírio deste venerável padre, certamente a propósito daqueles padres da Terra Santa, filhos daquela ordem. O venerável Padre Lázaro Nunes de Sousa morreu como deve morrer todo o homem de bem na sua posição. Não tinha tido somente a fortuna de nascer no grémio do cristianismo, instruíra-se muito particularmente nas suas doutrinas, e fora seu apóstolo. A sua morte foi para ele lógica, de fé, e necessária. Esta doutrina será a mesma em todos os tempos. Fique, pois, o P.' Lázaro Nunes de Sousa sendo conhecido por um dos mais ilustres filhos da vila da Calheta, desta ilha de S. Jorge, no catálogo dos quais, com ufania, hoje o inscrevemos. O último assento no Cabo da Praia do vigário Lázaro Nunes de Sousa é de baptismo, de 6 de Maio de 1697.»
    • ( Jorgense, n.º 49, de 15 de Outubro de 1873)
  • Nesta época aparecem nesta jurisdição vários Pedro Dias, cuja ascendência não conseguimos averiguar: Pedro Dias Gato, casado com Bárbara de Lemos, defuntos em 1651; Pedro Dias de Oliveira, casado em 14 de Fevereiro de 1643, com Maria Lourenço; Pedro Dias Afonso, casado em 8 de Junho de 1647, com Maria Pereira; Pedro Dias Japão, casado na Ribeira Seca, com Isabel Gregório; Pedro Dias Teixeira, casado com Ma;ia Gonçalves. E antes destes o .sogro do referido cap. Baltasar Luís Pereira Pedro Dias de Lemos, casado com Maria Nunes; e em 1623 Pero Dias casado com Bárbara Simoa.
  • 3.º filho de GONçALO NUNES PEREIRA e de Maria Luís Pereira

    O cap. Pero Luís Pereira. Faleceu em 1665 e foi casado com Bárbara Dias Teixeira, filha de António Teixei-a Machado e de Fran-cisca Gaspar Boto, moradores de Santo António do Norte Grande. Pero Luís Pereira fixou residência no Norte Pequeno.

    Conhecemos 5 filhos deste casal: 1.º o P.' Brás Pereira de Lemos Machado, que foi cura e depois beneficiado desta matriz, de 1665 a 1685; 2.º Gaspar Gonçalves Pereira, casado nesta freguesia, em 22 de Setembro de 1636, com Maria Vieira, filha de Jerónimo Fe.mandes e de Bárbara Vieira; 3.º Manuel Machado Pereira, casado com Inês Pacheco Maciel, filha de Gaspar Pacheco e de Maria Nunes, e aqueles foram pais do P.e Pedro de Sousa Machado e do Vigário das Velas, Dr. P.e João de Sousa Pacheco; 4.º Gonçalo Nunes Pereira, casado com Maria da Cunha de Borba, filha de João Dias Pereira e de Apolónia da Cunha, a que já nos referimos; 5.º o cap. Sebastião Nunca Pereira, casado, em 25 de Outubro de 1638, com Isabel de Quadros, filha de Gaspar Gonçalves de Quadros, ou Quadrado, falecido em 1663, e de Maria da Cunha, talvez filha de Manuel Vieira Ferro e de Vitória da Cunha filha de Belchior Gonçalves da Cunha e de Juliana Pires, e Belchior Gonçalves da Cunha, filho de Baltasar da Cunha e de Adriana Souto Maior, do Topo. O cap. Sebastião Nunes Pereira e Isabel de Quadros tiveram 5 filhos, a saber: 1.º o cap. João de Quadros Pereira, nascido em 1645, e casado, em 19 de Setembro de 1672, com Catarina Vieira de Sousa, filha de Miguel Vieira de Sousa e de Brites Alves; 2.º Afonso; 3.º António; 4.º Apolónia Pereira, casada, em 17 de Junho de 1669, com Bartolomeu Gonçalves Pedroso, viúvo de Isabel Dias, de S. Tiago; 5.º o cap. Miguel Afonso,de Sousa, casado com Leonor Pereira, e moradores no Val das Amoras.

    Do cap. João de Quadros Pereira, filhos: 1.º Maria Nunes Pereira, ou D. Maria Antónia, falecida a 16 de Maio de 1754, e havia casado, em 30 de Outubro de 1707, com o cap. Manuel de Sousa Seteira, das Manadas, filho de André Lopes Pereira e de Maria Teixeira de Sousa Brasil. O cap. Manuel de Sousa Seteira era viúvo de D. Inês de Avila Bettencourt, filha do cap. Francisco Evangelho Vieira e de Maria de Avila Bettencourt; 2.º Antao Pereira de Quadras ou, Barreto, casado com Maria de Azevedo Machado, em 3 de Novembro de 1714, e esta filha de Manuel de Bairros Pereira e de Ana Machado de Azevedo, filha de João Machado Pereira e de Isabel de Azevedo, estes moradores dos Biscoitos, e casados nesta matriz em 2 de Julho de 1657, e aos quais já nos referimos, quando da genealogia de Manuel de Azevedo Teixeira, filho do cap. mor Manuel de Azevedo; 3.º o P.e Manuel de Sousa Pereira, ou P.e Manuel Pereira de Sousa; 4.º António Pereira, baptizado em 26 de Fevereiro de 1683; 5.º o cap. João de Sousa Pereira, falecido com 70 anos, em 3 de Julho de 1761, e foi casado com Catarina Leal de Valença, falecida com 87 anos, em 16 de Janeiro do mesmo ano, e julgamos filha do cap. Miguel Afonso de Sousa e de Leonor Pereira. Filhos do cap. João de Sousa Pereira: Manuel de Sousa Pereira; Bárbara de Jesus; Catarina Maria de Sousa; Isabel Maria; Rosa Maria, casada com Manuel António; João de Quadros Pereira; Simão de Sousa Pereira; e Maria de Quadros, casada, em 6 de Setembro de 1744, com João Pereira da Cunha, filho de Brás da Cunha Cardoso e de Luzia Pereira; total 8 filhos. Filhos de João Pereira da Cunha: 1.º Bárbara, nascida em 7 de Outubro de 1748; 2.º José, nascido em 27 de Maio de 1751; 3.º Manuel, nascido em 28 de Setembro de 1753; 4.º Isabel, nascida em 11 de Abril de 1756; 5.º outra Isabel, nascida em 31 de Maio de 1757; 6.º João, nascido em 7 de Dezembro de 1758; 7.º António, nascido em 24 de Setembro de 1761; e 8.º Raimundo, nascido em 27 de Abril de 1764.

    O cap. João de Quadros Pereira e Catarina Vieira são os ascendentes dos Quadros da Rua Nova, diferentes dos Quadras Lobões, que são da Graciosa. Estes Quadros Lobões são também conhecidos por Quadros das Canas.

    Daquele cap. João de Quadros descende a esposa do sr. Rodrigo Rodrigues, casados em Ponta Delgada, S. Miguel. O sr. Rodrigo Rodrigues é um distinto funcionário do Ministério das Finanças. Porque aquela senhora é filha de António Teixeira de Oliveira, desta vila, filho de António Teixeira Machado de Oliveira e de Catarina Maria da Rocha, nascida em 31 de Maio de 1814, falecida em 24 de Fevereiro de 1906, com 92 anos, e foi filha de José de Sousa de Matos e de Isabel de Quadros, casados nesta matriz em 9 de Outubro de 1805.

    António Teixeira de Oliveira, filho de António Teixeira Machado de Oliveira e de Catarina Maria da Rocha, casou em Ponta Delgada, no dia 17 de Maio de 1871, com D. Emília das Neves, filha de José Joaquim Lopes de Azevedo e de D. Emília Rufina das Neves. Tiveram duas filhas e um filho. Com uma daquelas senho.ras contraiu matrimónio o dito sr. Rodrigo Rodrigues.

    José de Sousa de Matos foi filho de José de Sousa de Quadros e de Maria de S. Pedro, da freguesia de Nossa Senhora das Neves, Norte Grande, e Isabel de Quadros filha de João de Quadro.s Pereira e de Catarina Maria de Azevedo, das Manadas. E João de Quadros Pereira filho do mencionado cap. João de Sousa Pereira e de Catarina Leal de Valença. Rosa de Quadros também filha de José de Sousa de Matos e de Isabel de Quadros, casou em 13 de Novembro de 1837, com Miguel de Azevedo da Cunha, e faleceu, de 25 anos, em 6 de Junho de 1841. Seu marido faleceu de desastre tendo 37 anos, no dia 17 de Janeiro de 1852. Tiveram três filhos: José de Azevedo da Cunha, ou José Irlandês, em Provincetown, Miguel de Azevedo da Cunha, cap. balieiro em Provincetown, e Cândida da Glória. Casou esta em 1861 com Manuel da Silva de Almada, de quem houve Maria da Silva, casada com seu tio Manuel de Azevedo da Cunha, e tiveram uma filha Lina Silva de Azevedo, casada em Hanford, Califórnia, com o sr. Artur Vieira de Ávila, jornalista, natural das Lages do Pico, filho de Domingos Vieira de Avila e de D. Emília Leonor de Meneses P'amplona, da Terceira. E assim todos aqueles Quadros descendem dos povoadores Vicente Dias Vieira, Manuel Fernandes Ferro, o velho, Nuno Álvares Pereira, Álvaro Nunes Pereira, António Vieira Ferro e Pedro Eanes de Valença.

    O CAP. MIGUEL AFONSO DE SOUSA

    Foi casado com Leonor Pereira, havendo os filhos seguintes: 1.º Bárbara de Valença, casada em 25 de Janeiro de 1700, com Miguel Vieira de Sousa Borba, filho de Pedro de Borba e de Maria Alves; 2.º Isabel de Quadros, casada no mesmo dia, mês e ano, com João de Borba de Sousa, irmão do dito Miguel Vieira; 3.º Sebastião Nunes que saiu da terra; 4.º Antão Pereira Barreto que, emigrando para o Rio de Janeiro, deixou ali uma filha legítima, única, a qual casou com André de Medeiros, da ilha de S. Miguel. Falecendo o Medeiros em 1758, a viúva, que se chamava Ma=ia Pereira, vendeu toda a herança de seu pai, nesta jurisdição da Calheta, a Francisco de Sousa da Silva, então no Rio e era das Manadas desta Ilha, e casado com Maria Vitória Joanina, que fixaram residência em Angra; 5.º Maria de Quadros, casada, em 10 de Abril de 1684 com Manuel Pereira Brasil, filho de Sebastião Pereira Brasil e de Inês Pereira; 6.º Catarina Pereira; 7.º Bartolomeu Gonçalves. Leoa Pereira, mulher do cap. Miguel Afonso de Sousa, faleceu em 1705, sendo os bens do casal avaliados em 1489$050, figurando no inventário um escravo, Manuel, avaliado em 40$000. Julgamos aquela Catarina Pereira, ou Catarina Leal de Valença, casada com o cap. João de Sousa Pereira, acima mencionado.

    JOÃO VALIDO, povoador

    «Veio de Lisboa para esta vila da Calheta, onde casou com Inês Pires, filha de Pero Luís de Sousa Brasil.» Não conhecemos descendência deste casal, nem o cognome Valido aparece nas subsequentes gerações desta jurisdição. Estabeleceu-se na Fajã dos Azevinhos e Fajã do Mero do Norte Pequeno, onde há a Fonte dos Coentros ou de Feliciana Pires, e terras de Inês Pires, talvez filhas ou netas de Pero Luís de Sousa.

    ROQUE NUNES, povoador

    Devia ter vindo para a Calheta, como parece, no princípio da povoação, pois que testou em 1561, deixando uma casa que tinha nas Manadas a Nossa Senhora da Conceição desta Matriz de Santa Catarina (Notas do tabelião António Vieira). Mais tarde aparece outro Roque Nunes, genro de Aleixo Dias da Bica e que morou no «centro desta vila», em prédio contíguo e ao nascente da casa do concelho.

    ALEIXOS DIAS DA BICA

    Julgamo-la casado com Juliana Pires, irmã de Francisco Pires do Couto, e vieram da Praia da Terceira, simplesmente para colonizar, ou no tempo das alteraçôes do Prior do Crato. Era irmão de Apolónia Dias, casada com Damião Fernandes de António Dias da Bica, estabelecido em S. Tiago, casado com Maria Pereira e parece havê-la sido de João Dias da Bica, escrivão da Câmara das Velas em 1606. Era ainda cunhado de Maria Rodrigues e tio de Lucas Fernandes, talvez filho daquele Damião Fernandes. Faleceu em 1621. Julgamos aquele Aleixos Dias Bica filho de João Dias Bica, da Praia, ilha Terceira.

    Do Aleixos foram filhos: 1.º João Dias Bica que faleceu em 1642, e já casado em 1621 com Juliana Pires, filha de Manuel Vieira Ferro e de Vitória da Cunha; 2.º Gonçalo 1ìias da Bica, casado com Catarina Rodrigues; 3.º Simao Dias da Bica que era falecido sm 1624, e havia casado com Maria Gata, falecida em 1656; 4.º Brás Dias da Bica, já falecido em 1657 e foi casado com Isabel Cardosa, já também falecida em 1660; 5.º Leonor Dias, casada com Roque Nunes.

    João Dias da Bica, filho mais velho de Aleixos Dias, era falecido em 1642, e sua mulher Juliana Pires faleceu em 1657. Deste casal já apontámos a filiação. De Gonçalo Dias e de Leonor Dias, desconhece-mo-la. Vamos tratar dos descendentes de:

    Brás Dias Bica, casado com Isabel Cardosa. Foram seus filhos: 1.º Maria Álvares, casada, em 22 de Agosto de 1650, com João Teixeira, filho de Leonardo Goncalves Teixeira; 2.º Luzia Dias, casada, em 16 de Junho de 1674, com António Martins, filho de António Martins e de Bárbara de Sousa; 3.º Bárbara Dias; 4.º Manuel Cardoso Boa, casado, aí por 1650 com Vitória da Cunha, filha de Luís Correia da Silva, da Graciosa e de Bárbara da Cunha, filha de Manuel Vieira Ferro e de Vitória da Cunha. Esta filha de Belchior Gonçalves da Cunha e de Juliana Pires; e Belchior Gonçalves, do Topo, e filho de Baltasar da Cunha já falecido em 1588, e de Adriana de Souto Maior; e aquele Baltasar filho de Nuno da Cunha, da Graciosa, e tronco dos Cunhas, do Topo e desta vila de Calheta, mormente os que são conhecidos por Vieiras da Cunha; 5.º Domingos Cardoso, segundo nos parece.

    De Simão Dias, casado com Maria Gata, conhecemos Catarina Dias, casada, em 16 de Maio de 1656, com José Marques, viúvo de Isabel Vieira, com quem havia casado em 16 de Janeiro de 1640.

    Juliana Pires foi filha de João Pires e de Joana Pires, e esta já viúva em 31 de Agosto de 1567, em que testou por mão do tabelião desta vila, Manuel Brás, talvez o 1.º escrivão da Câmara desta vila.

    Filhos de Manuel Cardoso Bica e de Vitória da Cunha: 1.º Maria da Cunha, casada, no 1.º de Setembro de 1686, com Miguel Pereira de Águeda, filho de Bartolomeu Pereira de Agueda e de Maria Luís, dos quais Vitória, nascida em 28 de Outubro de 1694, Isabel, nascida em 6 de Maio de 1697, António, nascido em 31 de Maio de 1699 ; 2.º Catarina da Cunha, casada, no 1.º de Novembro de 1693, com André de Lemos, filho de João de Lemos e de Apolónia Luís; 3.º Brás da Cunha Cardoso, casado, em 9 de Fevereiro de 1699, com Luzia Pereira, filha de João Nunes Campos e de Ana Pereira de Sousa, naturais do Norte Grande. Filhos: 1.º Manuel Pereira da Cunha, nascido em 9 de Dezembro de 1699, e casado em 17 de Outubro de 1729, com Isabel Nunes, do Norte Pequeno, filha de Manuel Correia e de Ana Pereira de Lemos, aquele filho de Gaspar dos Reis da Silva, que julgamos filho de Luís Correia da Silva, já mencionado, e de Iria João, e casado com esta em 21 de Outubro de 1652; e Ana Pereira de Lemos era filha de Tomé Vieira de Lemos e de Maria Luís de Sousa, já falecida em 1680, casados nesta Matriz em 30 de Junho de 1653. Julgamos aquele Tomé Vieira de Lemos, que morava nos Biscoitos, filho de Miguel Vieira de Lemos, casado em 1633 com Águeda de Azevedo, filha do cap. mor Manuel de Azevedo. Miguel Vieira de Lemos também morava nos Biscoitos.

    Gaspar dos Reis era já falecido em 1696.

    [1] Vitória, Isabel e Antonio, são filhos de Maria da Cunha e de Miguel Pereira de Águeda.

    Manuel Pereira da Cunha e Isabel Nunes eram consanguíneos em 3.º grau, porque esta era neta de Gaspar dos Reis irmão de Vitória da Cunha, avó do dito Manuel Pereira da Cunha; 2.º filho de Brás da Cunha Cardoso: António Pereira da Cunha, nascido em 31 de Janeiro de 1702, e faleceu solteiro; 3.º Maria da Luz, nascida em 7 de Setembro de 1704 e casou com Manuel Vieira Pereira, com descendência; 4.º Ana Pereira, nascida em 7 de Dezembro de 1710; 5.º João Pereira da Cunha, nascido em 14 de Fevereiro de 1716, e casou em 6 de Setembro de 1744 com Maria de Quadros, filha do cap. João de Sousa Pereira, a que já nos referimos.

    Manuel Pereira da Cunha e Isabel Nunes foram pais de vários filhos e entre estes Manuel de Sousa da Cunha, casado cm 7 de Outubro de 1763, com Josefa Maria de Fraga, filha de Mateus de Fraga, falecido de 60 anos em 15 de Julho de 1773, natural da Piedade do Pico, (e filho de outro Mateus de Fraga) e de Francisca de Borba, desta Matriz, e filha de Manuel Simão Fagundes, já defunto em 1716, e de Isabel de Fraga de Borba.

    Seriam estes Fragas, dos Fragas que das Flores vieram para o Pico?

    Manuel de Sousa da Cunha e Josefa Maria tiveram 8 filhos: 1.º Maria Joaquina, nascida em 21 de Julho de 1764, casada, em 22 de Fevereiro de 1797, com José Machado Homem, de S. Tiago, tendo 3 filhos: Joaquim do Val, Faustina, e Florinda, estas saíram da terra. Joaquim do Val residiu vários anos na Fajã dos Cubres; 2.º Manuel de Sousa da Cunha, nascido, em 11 de Março de 1767, e casou, em 27 de Janeiro de 1791, com Luzia Silveira de Matos, de S. Tiago, de que não houve descendência; 3.º Ana maquina, nascida em 11 de Janeiro de 1770, casada, em 24 de Outubro de 1796, com Manuel Correia de Sousa, dos Biscoitos, filho de Mateus Teixeira e de Isabel Caetana, com larga descendência os Constantinos Correias daquele curato; 4.º Rosa Maria, nascida, em 6 de Dezembro de 1772, e faleceu solteira em 1836; 5.º António de Sousa da Cunha, nascido em 17 de Outubro de 1775 casado na Ribeira Seca com Maria Silveira de Avila, de quem houve 3 filhos: Isabel Silveira de Azevedo, casada em 24 de Dezembro de 1840, na dita Ribeira Seca, com Paulo José de Quadros (o Carmona) ; 2.º José Silveira da Cunha, casado com Margarida Rosa, em 4 de Outubro de 1821, e esta filha de Tomé Silveira Brasil e de Maria de Jesus; e daquele casal nasceram Manuel Faustino da Cunha, casado com Teresa Freitas; António Faustino da Cunha, casado com Manuel Pereira da Cunha e Isabel Nunes eram consanguíneos em 3.º grau, porque esta era neta de Gaspar dos Reis irmão de Vitória da Cunha, avó do dito Manuel Pereira da Cunha; 2.º filho de Brás da Cunha Cardoso: António Pereira da Cunha, nascido em 31 de Janeiro de 1702, e faleceu solteiro; 3.º Maria da Luz, nascida em 7 de Setembro de 1704 e casou com Manuel Vieira Pereira, com descendência; 4.º Ana Pereira, nascida em 7 de Dezembro de 1710; 5.º João Pereira da Cunha, nascido em 14 de Fevereiro de 1716, e casou em 6 de Setembro de 1744 com Maria de Quadros, filha do cap. João de Sousa Pereira, a que já nos referimos.

    Manuel Pereira da Cunha e Isabel Nunes foram pais de vários filhos e entre estes Manuel de Sousa da Cunha, casado cm 7 de Outubro de 1763, com Josefa Maria de Fraga, filha de Mateus de Fraga, falecido de 60 anos em 15 de Julho de 1773, natural da Piedade do Pico, (e filho de outro Mateus de Fraga) e de Francisca de Borba, desta Matriz, e filha de Manuel Simão Fagundes, já defunto em 1716, e de Isabel de Fraga de Borba.

    Seriam estes Fragas, dos Fragas que das Flores vieram para o Pico?

    Manuel de Sousa da Cunha e Josefa Maria tiveram 8 filhos: 1.º Maria Joaquina, nascida em 21 de Julho de 1764, casada, em 22 de Fevereiro de 1797, com José Machado Homem, de S. Tiago, tendo 3 filhos: Joaquim do Val, Faustina, e Florinda, estas saíram da terra. Joaquim do Val residiu vários anos na Fajã dos Cubres; 2.º Manuel de Sousa da Cunha, nascido, em 11 de Março de 1767, e casou, em 27 de Janeiro de 1791, com Luzia Silveira de Matos, de S. Tiago, de que não houve descendência; 3.º Ana maquina, nascida em 11 de Janeiro de 1770, casada, em 24 de Outubro de 1796, com Manuel Correia de Sousa, dos Biscoitos, filho de Mateus Teixeira e de Isabel Caetana, com larga descendência os Constantinos Correias daquele curato; 4.º Rosa Maria, nascida, em 6 de Dezembro de 1772, e faleceu solteira em 1836; 5.º António de Sousa da Cunha, nascido em 17 de Outubro de 1775casado na Ribeira Seca com Maria Silveira de Avila, de quem houve 3 filho.s: Isabel Silveira de Azevedo, casada em 24 de Dezembro de 1840, na dita Ribeira Seca, com Paulo José de Quadros (o Carmona) ; 2.º José Silveira da Cunha, casado com Margarida Rosa, em 4 de Outubro de 1821, e esta filha de Tomé Silveira Brasil e de Maria de Jesus; e daquele casal nasceram Manuel Faustino da Cunha, casado com Teresa Freitas; António Faustino da Cunha, casado com Maria das Neves Correia, ambos com descendência, como diremos; Maria Margarida, que faleceu solteira em 25 de Maio de 1910; e José Faustino da Cunha que saiu da terra e não voltou; 3.º filho de António António de Sousa da Cunha Manuel Joaquim de Azevedo, casado nas Velas com uma tal Leiria, e 2.a vez com Maria de Azevedo de Almada, da Ribeira da Areia, tendo duas filhas: Maria, com descendência na Ribeira da Areia, e Rosa Cândida, internada no Asilo das Velas, ali falecida em 12 de Maio de 1921;

    6.º filho de Manuel de Sousa da Cunha Joaquina Josefa, nascida em 8 de Abril de 1779, e casada, em 8 de Janeiro de 1803, com Manuel de Azevedo (Maio) que se dizia filho natural da casa Azevedo da Rua Nova, e tiveram Antonio de Azevedo (Maio) casado com Rita Clara, da Ribeira Seca, com descendência; Joaquim de Azevedo (Maio) casado com Maria Jacinta, com descendência; José de Azevedo (Maio) casado em S. Mateus da Terceira, com descendência; e Laureana de Azevedo, casada com Francisco Luís de Azevedo, tendo três filhos João, Jácome, e José, e 8 filhas: Maria, Rita, Rosa, Catarina, Joaquina, Isabel, Filomena, e Jacinta.

    7.º filho de Manuel de Sousa da Cunha e de Josefa Maria de Fraga José de Sousa da Cunha, nascido em 26 de Novembro de 1784, e casou na Piedade, Ponta, do Pico, em Outubro de 1803, com Maria Inácia, havendo deste matrimónio 2 filhos e 3 filhas: 1.º José Cunha, casado naquela freguesia com Vicência Constância, de quem nasceram José, António, Francisco e Mariano, que emigraram para os Estados Unidos; 2.º António Cunha, que embarcou em navios balieiros, não voltando à terra; 3.º Rita Inácia, casada com António Moniz de Oliveira, morado,res do Vale das Amoras, desta freguesia de Santa Catarina, tendo António, José e João que saíram para a América e não voltaram; e Maria, que casou com Manuel Hipólito, da freguesia de S. Tiago; 4.º Maria da Cunha. Houve um filho natural que casou com uma filha de Manuel Joaquim Relva; 5.º finalmente, Catarina da Cunha, que saiu para Angra, e lá faleceu sem descendência conhecida.

    Vicência Constância, acima mencionada, depois de viúva embarcou para os Estados Unidos, onde já se encontravam seus filhos. E falecida. Moravam no Calhau da referida freguesia da Piedade, não havendo hoje naquele lugar nenhum representante daquela família.

    8.º filho de Manuel de Sousa da Cunha e de Josefa Maria de Fraga:

    Francisco de Azevedo da Cunha, nascido em 12 de Novembro de 1781, falecido nesta vila em 18 de Março de 1867, e casado nesta igreja paroquial em 22 de Maio de 1814, com Jacinta Rosa de Ávila, da Piedade do Pico, filha de Francisco Ferreira e de Maria de Ávila Brasil.

    Jacinta Rosa de Ávila faleceu em 8 de Julho de 1853.

    Francisco de Azevedo da Cunha, também chamado Francisco de Sousa da Cunha, ou Francisco do Vale, por haver sido nado e criado no Vale Frio, ma;gem esquerda da Ribeira da Calheta, estabeleceu residência nesta vila,depois de seu consórcio, por se ocupar na vida marítima. Tomou o apelido de Azevedo sem ser proximamente aparentado com a casa Azevedo da Rua Nova, mas tão somente porque seu cunhado Manuel de Azevedo (Maio) o adoptou, por ser daquela família, embora filho ilegítimo. Filhos: 1.º Miguel de Azevedo da Cunha, casado a 1.a vez em 13 de Dezembro de 1837 com Rosa Delfina de Quadros, filha de José de Sousa de Matos e de Isabel de Quadros, a que já nos referimos, tendo deste matrimónio dois filhos e uma filha: José de Azevedo da Cunha, nascido em 1838, falecendo em Provincetown, já idoso, de desastre marítimo no gelo da Costa, e por vários anos comandou navios da pesca de bacalhau nos bancos da Terra Nova. Tem descendência em Provincetown, por sua filha Lillian, casada com um filho de João Joeira, filho de João de Sousa Luís e de Isabel Joanina Joeira; Miguel de Azevedo da Cunha, nascido em 1839. Sendo capitão balieiro visitou várias vezes esta vila, e faleceu em Provincetown em 1899. Casado, não houve descendência; Miguel de Azevedo e o irmão eram tão brancos e loiros, que este era conhecido em New Bedford por José Irlandês, sem dúvida pela descendência dos Matos, do Topo, da linha flamenga do Vandaraga, ou de algum de seus companheiros na colonização daquela parte da terra; e Cândida da Glória, nascida em 29 de Novembro de 1840, e falecida em 27 de Julho de 1911. Casada, em 1861, com Manuel da Silva Almada da Ribeira da Areia, e filho de Pascoal José de Sousa de Almada e de Delfina Mariana, em Dezembro do mesmo ano ficou viúva, nascendo do seu matrimónio uma filha Maria da Silva, casada, em 1883 com seu tio Manuel de Azevedo da Cunha, como já dissemos, seguindo logo para a Califórnia.

    Miguel de Azevedo da Cunha, enviuvando de Rosa Delfina de Quadros em 1841, casou em 12 de Março de 1842, com Rosa Jacinta de Azevedo, da Ribeirinha do Pico, e filha de Francisco António de Azevedo e de Isabel Jacinta. E deste consórcio houve os seguintes filhos: Manuel de Azevedo da Cunha, nascido em 9 de Dezembro de 1842; Francisco de Azevedo da Cunha, nascido em 3 de Dezembro de 1844 e falecido no Rio de Janeiro em 1908, como diremos adiante; Florinda Cândida, nascida em 27 de Dezembro de 1846, e falecida na Califórnia; Maria Wilson, nascida em 10 de Janeiro de 1850, a qual vive em Califórnia.

    Miguel de Azevedo da Cunha, finalmente, faleceu com 37 anos de idade em 17 de Janeiro de 1852, pelo esmagamento de uma peça de artilharia. Homem forte, achando-se com outros no dia 9 do referido mês no forte de Santo António da Fajã Grande, fez exercício de forças arvorando uma das peças que ainda hoje ali se encontram. E quando procurava manter o equilíbrio vertical da mesma, já levantada, escorregou, caindo-lhe aquela em cima de modo que lhe rebentou a bexiga. Durou apenas oito dias após aquele triste sucesso. Era homem considerado nesta vila.

    Seus filhos saíram da terra José, em companhia do primo João de Deus, no ano de 1860. Voltou em 1867, encontrando ainda vivo seu avô Francisco de Azevedo. Miguel em 1855. Cândida em 1883. Francisco para o Rio em 1860. Florinda saiu com sua mãe para Califórnia em 1870. Manuel em 1867. E Maria, criada no Pico em casa da tia Feliciana, foi para a Califórnia pouco depois de 1867.

    2.º filho de FRANCISCO DE AZEVEDO DA CUNHA

    Maria Jacinata de Ávila, nascida em 12 de Janeiro de 1816, e falecida em 29 de Janeiro de 1911.

    Casou em 17 de Dezembro de 1837, com António Faustino Maria de S. Pedro, nascido em 18 de Agosto de 1816, e falecido em 7 de Setembro de 1878. Era filho de José da Cunha Relva e de Rita Maria de S. Pedro, filha de Matias Pereira de S. Pedro, filho de António de Sousa de S Pedro, filho de outro Matias Pereira de S. Pedro, filho de João Pereira de S. Pedro, filho de Francisco Rodrigues de S. Pedro, casado em 17 de Novembro de 1642, com Maria Pereira, filho de outro Francisco Rodrigues de S. Pedro, e de Susana Manuel, que julgamos filha do escrivão da Câmara António Vieira, falecido em 1624, sendo substituído naquele cargo pelo dito Francisco Rodrigues de S. Pedro, já falecido em 1642. Susana Manuel, sua viúva, deve ter falecido em 1669.

    Filhos daquele casal: 1.º Maria Madalena, nascida em 1838 e falecida em 5 de Maio de 1920. Casou em 23 de Fevereiro de 1862, com Faustino Silveira de S. Pedro, seu primo em 2.º e 3.º graus de consanguinidade, também descendente de Francisco Rodrigues de S. Pedro.

    Faustino Silveira de S. Pedro foi filho de Francisco Silveira Teixeira, e de Vitória Joanina de S. Pedro, aquele filho de Manuel Teixeira e de Bernarda Silveira, e aquela filha de Matias Pereira de S. Pedro e de Rosa Maria Bettencourt de S. Pedro.

    2.º João de Deus, nascido cm 1840. Saindo para a América em 1860, foi capitão de navios da pesca do bacalhau por conta de armadores de Provincetown, dos Estados Unidos; e de 1885 em diante, da Empresa de A. Mariano e Irmãos, de Lisboa, com sede na Figueira da Foz.

    Casado com a irlandesa Annie Davis, teve dois filhos Jorge Davis, e Walter Davis, e uma filha Lotie Davis. Jorge é falecido. Walter reside nos Estados Unidos, e Lotie em Lisboa, aquele casado, e esta solteira.

    João de Deus faleceu na Figueira da Foz, em 7 de Janeiro de 1907.

    3.º António Maria, nascido em 5 de Maio de 1848, e faleceu solteiro em 10 de Setembro de 1896, no naufrágio do bote Mariana, em viagem do Cais do Galego, Ponta do Pico, para este porto da Calheta.

    4.º Doroteia Cândida, nascida em 23 de Março de 1850.

    5.º Faustino Maria de S. Pedro, nascido em 4 de Setembro de 1853, casado com Luísa Freitas, faleceu na Califórnia em 6 de Dezembro de 1906, esmagado por um comboio, pois era agulheiro dos caminhos de ferro. Havia saído para a Califórnia em 1872.

    5.º filho de FRANCISCO DE AZEVEDO DA CUNHA

    Manuel de Azevedo da Cunha, nascido em 30 de Março de 1818, falecido em 4 de Setembro de 1907, e havia casado na Piedade do Pico, em 30 de Outubro de 1845, com Rosa Mariana da Trindade, nascida em 22 de Junho de 1822, e falecida a 18 de Junho de 1898, sendo natural da Ribeirinha, da dita freguesia da Piedade, e filha de Manuel Quaresma Pimentel, nascido em 1777, e falecido em 27 de Dezembro de 1849, e de Maria da Trindade, nascida em 1783, e falecida no primeiro de Fevereiro de 1854.

    Manuel Quaresma Pimentel era filho do sargento Manuel Quaresma Pimentel e de Rosa Maria. Enviuvando desta, casou com Isabel da Conceicão, procedendo deste 2.º matrimónio Manuel Francisco de Fraga e Guilherme Francisco de Fraga, bem como Manuel da Silva, e seu irmão Francisco José da Silva, conhecido por Francisco do Pico, falecido em 26 de Fevereiro de 1924 nesta vila da Calheta, onde foi casado sem descendência com Carolina de A.vila Brasil, filho de João de Ávila Brasil, e de Felizarda Rosa.

    Mais descendem outros Quaresmas da Ribeirinha, e entre estes Manuel Quaresma Pimentel, conhecido por Manuel Dionísio, com prole distinta na América, e dois filhos exercendo o magistério, um no Faial, e outro em Lisboa.

    O sargento Manuel Quaresma Pimentel era filho do alferes João Quaresma Pimentel. Estes Quaresmas Pimentel cuja ascendência ignoramos, são oriundos da freguesia de Santo Amaro da dita ilha do Pico.

    A povoação da freguesia de Nossa Senhora da Piedade, começou haverá para mais de 400 anos. Pois o livro de registo paroquial mais antigo que se acha em seu arquivo é de 1830.

    Nesta diocese há igrejas cujo registo,remonta a 1565. Nesta de Santa Catarina o primeiro livro de casados começa em Janeiro de 1631 e em S. Tiago, o de baptizados principia em 1623.

    Alguns dados genealógicos só poderão alcançar-se por processo indirecto: testamentos, formais de partilha, ou apontados particulares de famílias, ou notas de algum curioso a respeito de tal assunto.

    No ano de 1657, a 29 de Outubro, casou nesta Matriz de Santa Catarina, um Domingos Fernandes Pereira, natural da Piedade, Ponta do Pico, e filho de João Quaresma e de Ana Fernandes, moradores da dita freguesia, com Isabel Pereira filha de Manuel João Brasil e de Águeda Luís. Se aquele João Quaresma não foi adventício ao lugar, é de crer que os Quaresmas povoassem na Ponta da ilha já no século XVI.

    Maria da Trindade, casada em 1801 com Manuel Quaresma Pimentel, era filha de Mateus Leal Cardoso, que estudando para seguir a vida eclesiástica, desistiu do intento, casando com outra Maria da Trindade, filha de Manuel Correia de Avila e de Domingos da Trindade. E destes descendem os Correias do Vale das Amoras desta freguesia; porquanto António Correia de Ávila filho destes últimos, veio para a Calheta, casando sucessivamente duas vezes, com duas mulheres irmãs. E destes Correias de Avila, da Ribeirinha, que também descendem pela parte materna os srs. Anatólio Dutra, José Correia da Cunha e António Correia da Cunha, casados, e residindo nesta vila, donde são naturais.

    Do alferes João Quaresma Pimentel é 3.a neta materna D Maria Teodora Pimentel, diplomada em medicina pela escola de Lisboa em 1895, sendo natural de S. Pedro de Angra, e vinda exercer clínica para aquela cidade, onde até hoje tem residido.

    De Manuel de Azevedo da Cunha filhos: Maria Filomena, nascida em 13 de Fevereiro de 1847, falecendo solteira em 5 de Julho de 1912: Filomena de Azevedo da Cunha, nascida em 16 de Agosto de 1851; Rosa de Azevedo da Cunha, nascida em 6 de Janeiro de 1856. Estas nasceram na Ribeirinha do Pico; José de Azevedo da Cunha, nascido em 23 de Abril de 1858, sendo casado com D. Maria da Conceição, natural de Amarante, em Portugal, sem descendência.

    5.º filho de Manuel de Azevedo da Cunha o P.e Manuel de Azevedo da Cunha, nascido (como seu irmão) nesta vila da Calheta, no 1.º de Janeiro de 1861. Tendo ido para o Seminário da diocese em Setembro de 1874, foi ordenado de presbítero no sábado 19 de Maio de 1883.

    4.º filho de FRANCISCO De AZEVEDO DA CUNHA

    Bárbara Jacinta de Ávila, nascida em 29 de Fevereiro de 1820, casada com António José Goulart em 21 de Novembro de 1841, falecida em Lisboa em 1910, e cuja descendência já atrás apontámos.

    5.º filho de FRANCISCO DE AZEVEDO DA CUNHA

    João de Azevedo da Cunha, nascido em 26 de Abril de 1822, e falecido em 18 de Fevereiro de 1880.

    Casou nesta matriz em 15 de Outubro de 1850 com D. Mariana da Glória, natural da vila do Topo, que vivia nesta da Calheta com seu tio materno, o P.' Fr. João Clímaco, e era filha de João Ferreira e de Maria da Trindade, e esta prima do Bispo de Macau, de Bragança e de Portalegre Dr. Manuel Bernardo de Sousa Enes.

    D Mariana da Glória faleceu na Picanceira, Mafra, em 19 de Outubro de 1914, tendo 80 anos de idade.

    Este casal teve os seguintes filhos: João Ferreira da Cunha, nascido em 14 de Setembro de 1851. Saiu da terra em 1870. Andando em navios baleeiros, percorreu todos os mares do globo. A seguir fixou residência na Califórnia, onde esteve vários anos, voltando em Julho de 1902 a esta vila, onde reside em estado de solteiro; 2.º Francisco de Azevedo da Cunha, nascido em 24 de Abril de 1854. Saiu da Calheta no navio baleeiro de seu primo Miguel de Azevedo da Cunha, no ano de 1872. Indo depois para a Califórnia, ali casou com Capitolina Loureiro, neta do Dr. Loureiro, de Ponta Delgada, ilha de S. Miguel, tendo os filhos que seguem: Maria, José, Capitolina, Amélia, Francisco, Curolina, Josefina e Catarina gémeos, e Helena: 10 filhos; 3.º o cap. José da Cunha Ferreira, nascido em 13 de Novembro de 1856. Saiu desta vila em 1868 na barca Amizade, de Ponta Delgada, comandada por Francisco José de Melo, há poucos anos falecido na Picanceira, como intendente da casa de Domingos Dias Machado, da Urzelina, desta ilha.

    Ficando depois nos Estados Unidos, sendo muito hábil, inteligente, sério, deram-lhe o comando de navios do bacalhau do porto de Provincetown, que ele dirigiu com perícia e interesse dos armadores. Em 1885 passou a comandar os melhores barcos que iam aos Bancos, pertencentes a seu e nosso primo, José Mariano Goulart, com sede na Figueira da Foz, dando à Empresa lucros assinalados. Casou na dita cidade com D. Maria Águas Ferreira, falecida sem descendência em 17 de Abril de 1924; 4.º D. Carolina da Cunha Ferreira, nascida em 4 de Fevereiro de 1859. Vive solteira em Lisboa com sua irmã; 5.º D. Maria Clementina da Cunha Goulart, nascida em 31 de Agosto de 1861, e foi para Lisboa em 1879 E viúva de seu e nossos primo, o benemérito José Mariano Goulart, falecido em Coimbra no dia 8 de Janeiro de 1917. António Mariano Goulart, formado em direito, é seu filho único. Faleceu afogado no rio Mondego na Figueira da Foz, no corrente ano; 6.º Augusto de Azevedo Ferreira da Cunha, nascido em 5 de Março de 1864, casou nesta matriz em 4 de Fevereiro de 1907 com D. Evangelina de Bettencourt, nascida em Santo Antão do Topo no dia 28 de Agosto de 1886, e filha do escrivão deste Julgado Manuel Maria da Silveira Bettencourt, natural da Prainha do Norte, ilha do Pico, e de D. Delfina Adelaide de Bettencourt da Silveira, natural de Santo Antão, no dito Topo. Tendo estado vários anos em Lisboa na casa comercial de A. Mariano e Irmãos (primos Goulart) voltou a esta vila em 1892, abrindo loja de tecidos e de outros géneros. E o agente da Empresa Insulana de Navegação. E, proclamada a República, foi, como Presidente da Câmara, o 1.º administrador deste concelho do novo regime. Tem os filhos seguintes: D. Ma-riana, D. Maria Celeste, Augusto, Palmira, Júlia, João e Domingos; 7.º D. Virgínia Ferreira da Cunha, nascida em 19 de Setembro de 1866, casou em 11 de Setembro de 1899 com Mariano Gil da Silva, filho de João Francisco da Silva e de Rita da Glória Freitas. E seu filho único o estudante de preparatórios José Mariano; 8.º Vítor Ferreira da Cunha, nascido em 15 de Outubro de 1868. Tendo saído para Pernambuco, adoeceu, voltando a Portugal e dedicando-se ao comércio. Casou nesta freguesia em 23 de Julho de 1906, com D. Gertrudes Inocência da Silveira, sua prima, falecida com 32 anos em 29 de Julho de 1908. D. Maria Carolina, sua filha única, vive em Lisboa e nasceu no sábado de aleluia, 18 de Abril de referido ano de 1908; Vítor Ferreira faleceu em Lisboa a 23 de Dezembro de 1923. Era um excelente companheiro, de carácter alegre, franco, jovial, dedicado e muito serviçal, sendo além disso homem disciplinado, desempenhando com inteligência, brio, honestidade e honra, os cargos ou omissões, que lhe foram cometidos. Seu falecimento, pois, foi lastimado e sentido por amigos e conhecidos; 9.º D. Amélia Ferreira da Cunha, nascida em 24 de Setembro de 1871, casou em S. Sebastião da Pedreira, Lisboa, em 28 de Junho de 1909, com o Dr. Domingos Pereira, da vila das Velas, filho de Manuel Inácio Pereira e de D. Maria Loureiro Pereira, já falecida. Tem um só filho Domingos; 10.º D. Clementina da Cunha Eteves, nascida em 26 de Outubro de 1873, vive na Figueira da Foz, onde casou a 11 de Março de 1899 com o empregado da Alfândega Zacarias José Esteves, cujos filhos são: D Maria Celeste, José, D. Maria Ângela e D. Maria Clementina; e 11.º finalmente, D. Júlia da Cunha Machado, nascida como todos seus irmãos ne,sta vila, em 14 de Março de 1876, e casou em Mafra no dia 6 de Setembro de 1906, com Augusto Pereira Machado, da Urzelina desta ilha de S. Jorge, sobrinho e principal herdeiro do benemérito Domingos Dias Machado, falecido na Picanceira em 22 de Dezembro de 1912, e legou cento e sessenta e seis contos para um hospital e asilo na sua terra natal, a Urzelina, freguesia de S. Mateus desta ilha de S. Jorge.

    Filhos do casal do sr. Augusto Pereira Machado: D. Maria Madalena e D. Maria de Nazaré.

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    6.º filho de FRANCISCO DE AZEVEDO DA CUNHA

    Mariana Jacinta, nascida em 11 de Outubro de 1824, casada em 11 de Agosto de 1844 com João Francisco da Silva, natural de Santa Cruz da Graciosa, e filho de António da Cunha, oficial que fora da ordenança, e de Catarina Rosa, filha de Sebastião Correia e de Maria de Jesus, da dita vila.

    João Francisco da Silva, que era um excelente marceneiro, nasceu em 3 de Outubro de 1824 e faleceu em 25 de Maio de 1914. Sua 1.a mulher Mariana Jacinta faleceu com 37 anos em 31 de Agosto de 1860. Foram seus filhos: 1.º Maria das Dores, nascida em 30 de Março de 1846, casou com Manuel Machado Homem, da freguesia de S. Tiago, e são falecidos há anos. Tiveram dois filhos: José Machado Homem, nascido em 10 de Maio de 1873, e está casado em New Bedford; e Maria das Leres Dutra, nascida em 18 de Maio de 1875, casou em New Bedford com José Dutra, faialense; 2.º António da Cunha Silva ou Brier, nascido no 1.º de Fevereiro de 1848, casou em Brewster, América, com Lisie Brier. Filhos: John Brier, Manuel Brier e Annie Brier. António da Cunha Silva, que emigrara em 1862, adoptou o apelativo Brier, tradução inglesa do português Silva; 3.º Catarina da Cunha Silva, nascida em 28 de Novembro de 1851, é já falecida. Foi casada, nesta Matriz, com Inácio de Morais Carvalho, filho do empregado da Alfândega João António de Morais, de Angra, e de D. Maria Soares de Albergaria, das Velas. Inácio de Morais Carvalho tem sido condutor de Obras Públicas em Ponta Delgada. São seus filhos: Mario de Carvalho, casado em Lisboa, e Alberto de Morais, ambos comandantes de vapores portugueses, e D. Irene de Morais; 4.º Manuel da Cunha (Brier), nascido em 20 de Fevereiro de 1855. P. falecido, e havia casado em Ne'w Bedford, onde sempre residiu desde que emigrou da terra em 1869. Não deixou descendência; 5.º Filomena Silva, nascida em 29 de Junho de 1857, e casada em Califórnia com Manuel Inácio Salsa, do Faial. 6 falecida, deixando um filho por nome Lourenço. Tinha saído de S. Jorge em 1875; e 6.º, finalmente, Florins Cândida da Silva, nascida em 25 de Junho de 1859, e casada com José Machado da Silveira, desta freguesia de Santa Catarina, estabelecidos em New Bodford desde 1876. Sua filha única D. Virgínia Silva, casou com Eugénio de Escobar, tendo um filho, José. Francisco de Azevedo da Cunha e Jacinta Rosa de Avila tiveram mais um filho, por nome Francisco, que faleceu com 5 anos de idade em 14 de Outubro de 1831, pois nascera a 4 de Novembro de 1826.

    Enviuvando, João Francisco da Silva casou 2.a vez, em 24 de Agosto de 1861, com Rita da Glória de Freitas, nascida em 23 de Agosto de 1841, e filha de Manuel Gonçalves de Freitas e de Francisca Leodora, desta freguesia de Santa Catarina, filha de Matias de Matos e de Luísa Rosa de Oliveira, moradores em meio da Ladeira Velha. As filhas de Matias de Matos passaram por verdadeiros tipos de beleza.

    Manuel Gonçalves de Freitas, falecido com 90 ano.s em 17 de Maio de 1880, era da Ribeirinha do Pico, e filho do alferes Manuel Gonçalves de Freitas e de Maria Leal. Vindo para esta vila em 1829, casou em 3 de Outubro desse mesmo ano com a dita Francisca Leodora, falecida em 21 de Março de 1881 com 75 anos de idade. Tiveram vários filhos, e entre estes o P.e António de Matos Freitas, ordenado em 1854, e faleceu em Ponta Delgada de S. Miguel, com 62 anos, em 3 de Dezembro de 1892.

    De sua 2.a mulher João Francisco da Silva teve 8 filhos: João Francisco da Silva, nascido em 12 de Agosto de 1862, e casado em New Bedford; Estefânia, nascida em 4 de Dezembro de 1863, estando casada na mesma cidade. Estefânia faleceu em 30 de Agosto do ano corrente; Mariano Gil da Silva, nascido em 21 de Abril de 1865, e casado com D. Virgínia Fer,reira da Cunha, como já dissemos; Virgínia, nascida em 2 de Dezembro de 1867, e viúva do cap. de infantaria Jaime de Andrade, de Ponta Delgada; Ernestina, nascida em 30 de Agosto de 1870, casada em Ne'w Bedford; Catarina de Alexandria, nascida em 25 de Novembro de 1873, viúva em New Bedford; António de Pádua, nascido em 1 de Dezembro de 1878 e casado em New Bedford; e Maria dos Remédios, nascida em 2 de Julho de 1884, casada nesta Matriz com José Faustino da Silva, desta freguesia, com descendência.

    Com respeito a Miguel de Azevedo da Cunha, 1.º filho de Francisco de Azevedo da Cunha, diremos ainda que seu filho José de Azevedo da Cunha, José Irlandês, casado em Provincetown, deixou duas filhas, sendo uma delas Lillian Ferreira Suette, casada com um filho de João de Sousa Joeira, de quem houve duas filhas.

    Do consórcio de Manuel de Azevedo com sua sobrinha Maria Silva houve uma filha Lena, ou Lina Víeira de Avila, casada em 29 de Fevereiro de 1912, em Hanford, Califórnia, com Artur Vieira de Avila, tendo Allan Vieira de Avila nascido na dita cidade de Hanford em 10 de Julho de 1914, Jaime Vieira de Ávila, nascido em Tulare no dia 23 de Junho de 1916 e Artur Vieira de Ávila, ainda infante. O sr. Artur V. de Ávila, jornalista, dirige com muita distinção A Colonia Portu-gueza na cidade de Oakland.

    Maria Wilson casou na Califórnia com Manuel Joaquim Bettencourt, que passou a chamar-se Manuel Wilson Este faleceu em S. Leandro, com 59 anos, a 31 de Março de 1899.

    Foram seus filhos: 1.º Manuel Wilson, nascido em Gold Hill, Nevada, em 6 de Junho de 1874, e casou com Eureka Longmaig, em Stockton, a 28 de Dezembro de 1900; e faleceu na mesma cidade a 6 de Novembro de 1916; 2.º António Wilson, nascido em Gold Hill a 8 de Agosto de 1876, e casou com Luciana Fagundes, em Stockton, a 30 de Setembro de 1911; 3.º Maria Wilson, que nasceu em Gold Hill a 30 de Novembro de 1878, e casou com José Cardoso a 5 de Abril de 1902, e tiveram gémeos, nascidos em 18 de Abril de 1904, Artur Cardoso e Arnaldo Cardoso; 4.º Leonor Wilson, nascida em Nevada a 14 de Dezembro de 1880, e casada com António Waxon a 3 de Dezembro de 1898; 5.º José Wilson, nascido em S. Leandro, a 13 de Janeiro de 1885 e casou com Catarina M Laughlin a 20 de Outubro de 19'14; e 6.º finalmente, Virgínia Wilson, nascida em S. Leandro a 7 de Julho de 1890, e em 1918 estava ainda solteira.

    Florinda, outra filha de Miguel de Azevedo da Cunha. Casou em Califórnia com Jorge da Silva Neto, da Ribeira Seca desta ilha, e faleceu em Stockton a 17 de Dezembro de 1896. Seu marido faleceu na mesma cidade em 10 de Junho de 1902. Filhos: 1.º Francisco Silva Neto, que casou com Josie Anthony, deixando dois filhos e duas filhas; 2.º Manuel Silva Neto, casado; 3.º Jorge Silva Neto, solteiro em 1918; 4.º Maria Silva Neto, casada com Jess Jordan, havendo um filho por nome Miller Jordan; 5.º Emília Silva Neto, casada com Albert Burth. Tiveram um filho José Silva Neto, solteiro em 1917, ano em que se alistou no exército americano, e em Junho de 1918 se achava em França combatendo contra os alemães.

    Maria Madalena, neta de Francisco de Azevedo da Cunha, e casada com Faustino Silveira de S. Pedro em 23 de Fevereiro de 1862. Filhos deste casal: 1.º João Faustino da Silveira, nascido em 19 de Outubro de 1862, e saiu para Lisboa em 1877 e para o Rio em 1895; 2.º Julio Faustino da Silveira, nascido em 27 de Setembro de 1864, casado em 27 de Junho de 1917, com Rosa Palmira da Silveira, da Fajã dos Rodes, filha de Pedro Silveira e de Mariana Luísa, filha de António Rato que faleceu no naufrágio do iate Caridade em 16 de Abril de 1859. Tem uma filha, Maria Madalena; 3.º D. Vitória de S. Pedro, nascida em 15 de Abril de 1866, casada em New Bedford com António José Fernandes com descendência; 4.º Cândido Silveira S. Pedro, nascido em 17 de Abril de 1868 e casado no Rio de Janeiro com Maria Silveira, de Portugal, com descendência; 5.º Lì. Olívia de S Pedro, nascida em 7 de Marco de 1870. Vive solteira nesta vila; 6.º José Silveira, nascido em 11 de Dezembro de 1871. E distinto prático marítimo deste porto. Está solteiro; 7.º D. Maria de S. Pedro, nascida em 21 de Novembro de 1873, e casou em 31 de Outubro de 1907 com João Machado de Azevedo, negociante, filho de José de Azevedo Machado, da Fajã dos Vimes e de Maria da Glória, de S. Tiago, instituidores da ermida da Fajã Grande, e moradores da mesma Fajã. Não há descendência daquele casal. 8.º D. Gertrudes Inocência da Silveira, nascida em 27 de Dezembro de 1876 e casada com seu primo Vítor Ferreira da Cunha, como já se disse; e 9.º Celestino de S. Pedro, nascido em 12 de Abril de 1882, e reside em Califórnia onde casou.

    Doroteia Cândida, neta materna de Francisco de Azevedo da Cunha seus filhos: 1.º D. Maria Doroteia, nascida em 21 de Setembro de 1873 e casada em 25 de Maio de 1896 com José António da Silva, desta vila. Filhos: Lina Silva, casada com Car,los de Freitas, Leandro Silva, casado com D. Júlia Palmira Ferreira Rebelo, das Velas, Celestina Silva, Flamínio Silva e Vítor Silva; 2.º José Teixeira, nascido em 19 de Junho de 1879 e casado, em 9 de Janeiro de 1913, com D. Maria Alexandrina Macedo, da Urzelina, e diplomada pela escola normal de Angra. Tem duas filhas: Maria Gambier e Maria da Glória. Estas duas meninas descendem, por sua mãe, de Joseph Gambier, francês, casado com Maria Catarina Pacheco, de Angra. Seu filho Francisco Gambier casou nas Velas em 27 de Maio de 1775 com Ana Narcisa Vitorina. Há outros descendentes deste casal, mas deixaram de usar aquele apelativo francês; 3.º Luís da Cunha, nascido em 15 de Março de 1884 e casou na igreja de Todos os Santos, diocese de S. Francisco da Califórnia, em 26 de Abril de 1908, com Maria Xavier; 4.º 0. Maria Jóia Goulart, nascida em 3 de Abril de 1888, baptizada no Norte Grande, e casada nesta Matriz em 12 de Maio de 1921 com seu primo João Faustino da Silveira, filho de Faustino Silveira de S. Pedro e de Maria Madalena. Tem um filho por nome Mozart e uma filha chamada Aldora.

    António de Sousa da Cunha, filho de Manuel de Sousa da Cunha e de Josefa Maria de Fraga, teve três filhos, como já se disse, e o 2.º foi José Silveira da Cunha, casado em 4 de Dezembro de 1821 com Margarida Rosa, e era conhecido tão somente por mestre José da Margarida, mestre e dono de uma lancha. Foram .seus filhos: 1.º Manuel Faustino da Cunha, nascido em 10 de Janeiro de 1823, e casado nesta Matriz em 11 de Fevereiro de 1858 com Teresa Florinda de Freitas, filha de Manuel Gonçalves de Freitas e de Francisca Leodora. Filhos: 1.º António de Matos Freitas, nascido em 7 de Setembro de 1858 e casado nesta Matriz, em 4 de Março de 1878 com Maria Carolina Picanço, filha de Carolina Augusta Picanço, da Graciosa. Foram para a Califórnia tendo a seguinte prole João, Lila, Maria, António e Adolfo; 2.º filho de Manuel Faustino da Cunha D. Maria da Cunha, nascida em 8 de Abril de 1860. Viveu com seu tio, P.e António de Matos Freitas, em New Bedford, durante os 11 anos em que este pastoreou a igreja de S. João Baptista daquela cidade, de 1874 a Novembro de 1885, em que vieram para os Açores, fixando residência em Ponta Delgada de S. Miguel. Por falecimento de seu tio, casou naquela cidade com Gabriel Tavares da Silva, tabelião. Tiveram um filho actualmente estudando medicina em Lisboa; 3.º filho de Manuel Faustino, Luísa Freitas, nascida em 6 de Janeiro de 1862, e casou na Califórnia com seu primo Faustino Maria de San Pedro, falecido repentinamente em 10 de Dezembro de 1906 esmagado por um comboio, tendo 6 filhos: Leandro, João, António, Faustino, Maria e Eva; 4.º filho de Manuel Faustino Joao Cunha Freitas, nascido em 18 de Fevereiro de 1864. Casou em Califórnia com uma francesa. E falecido sem descendência.

    2.º filho de José Silveira da Cunha José Faustino da Cunha, nascido em 1 de Dezembro de 1824. Emigrando para a América, não voltou à terra; 3.º Maria Margarida, que faleceu solteira em 1910; 4.º António Faustino da Cunha, nascido em 4 de Maio de 1833, e casou nesta Matriz em 5 de Julho de 1883 com Maria das Neves Correia, filha de José Correia Borges, vindo de Pernambuco para a Calheta em 1833, e era natural da Ribeirinha do Pico, e filho de Manuel Correia e de Teresa Maria, e de Maria Jacinta, filha de Francisco António de Azevedo e de Isabel Jacinta de Azevedo, casada com Miguel de Azevedo da Cunha, e de Isabel Jacinta ', casada nesta Matriz com Faustino Alexandre Leite de Vasconcelos Terra Brum da Silveira, filho de Francisco Leite, e este filho do cap. Raulino da Terra Brum.

    [1] Faltará o nome do pai de Teresa Maria, sendo Maria Jacinta sua mae

    António Faustino da Cunha teve de seu consórcio dois filhos: José Correia da Cunha, nascido em 14 de Setembro de 1882, e casou em 25 de Julho de 1903 com D. Maria Piques, filha de Manuel Jacinto Piques, natural de Santa Ana, Vale das Furnas, de S Miguel, e de Carolina Valim, filha de Manuel Pereira Valim, dos Valins, ou Velins, da Ribeirinha do Pico, e de Catarina Angelina Pedrosa, neta do alferes António Games Leal e de sua mulher Maria dos Anjos, da Piedade da mesma ilha. Tem 5 filhos: António Correia Piques da Cunha, estudando no liceu de Angra para o curso médico, em Lisboa, José empregado comercial, João, Alvaro e Alvarina; 2.º filho de António Faustinoda Cunha António Correia da Cunha, nascido em 14 de Outubro de 1884. Casou em 25 de Outubro de 1919 com D. Maria Madalena de Oliveira, filha do sr. Domingos de Oliveira e de D. Emília Adelaide de Oliveira, todos desta freguesia. Há uma filha daquele matrimónio, por nome Maria Maura. António Faustino da Cunha faleceu no mar, no naufrágio do iate União que ele comandava. Em Abril de 1884, saindo da Terceira para S. Miguel, sossobrou, não chegando a seu destino, nem havendo mais notícia dele. Sua viúva faleceu em 14 de Julho de 1914.

    Dissemos antecedentemente que Aleixos Dias da Bica tivera um irmão que se estabeleceu na freguesia de S. Tiago e se chamava António Dias da Bica. Casou este com Maria Pereira, sendo seus filhos Diogo Dias Bica, Catarina Nunes e António Pereira Bica, que casou com Maria Nunes, estes procriaram a Pedro, nascido em 1635; João, nascido em 1638; Bárbara Nunes, que aparece em 1642; e Sebastião Nunes Bica, ou Sebastião Dias Bica, que figura no registo de S. Tiago em 1645. António Pereira Bica faleceu em 20 de Dezembro de 1678, e sua mulher Maria Nunes faleceu em 10 de Janeiro de 1684. Francisco Ferreira e Maria de Avila Brasil, pais de Jacinta Rosa, mulher de Francisco de Azevedo da Cunha.

    Francisco Ferreira, já viúvo de Maria de Ávila, faleceu em 1823.

    Segundo um formal de partilha daquele ano, houve de seu consórcio 8 filhos: 1.º Jacinta Rosa, casada em 1814 com o dito Francisco de Azevedo da Cunha, que amestrou barcos grandes de viagem entre estas ilhas, e era homem dotado de um extraordinário poder visual. Basta dizer-se que percebia, a olho nu, o içar da vela de um pequeno barco de pesca, na costa do calhau do Pico, a 11 milhas de distância, não obstante a sombra projectada pela terra. E, veja-se o desconcerto, ou antes a lei da natureza, seus filhos Manuel e Bárbara eram míopes no mais elevado grau; 2.º Francisca Rasa, cujo destino ignoramos; 3.º Antónia de Jesus, que faleceu solteira; 4.º Manuel de Avila Brasil, com descendência na Piedade, no assento de morada de seu pai, e é à entrada do caminho de cima, que leva à Ribeirinha; 5.º Francisco de Ávila Brasil, que sendo recrutado quando foi da leva grande seguiu para Lisboa, indo fazer serviço no Arsenal da Marinha, ou instituto semelhante, não voltando ao Pico porque faleceu de nostalgia ou saudades da sua terra; 6.º Teresa Jacinta de Avila, de quem nada sabemos; 7.º Catarina de Jesus, casada na Piedade com Manuel de Azevedo Leal Monteiro, com descendência, sendo sua filha Isabel Jacinta, falecida com 88 anos em 18 de Julho de 1886, e havia casado nesta vila, em 26 de Outubro de 1831, com João António Leal, filho de José António Leal e de Maria Inácia, moradores na Rua de Baixo. É sua bisneta D. Maria Leonor Pinto de Sousa, viúva do falecido Jácome de Sousa Ribeiro, de Angra, pianista, violinista, chefe de orquestra, e foi secretário desta Câmara municipal da Calheta, para onde veio em 1899, durante 24 anos, e onde prestou assinalados serviços em música e arte cénica e escrituração camarária. D. Maria Leonor é neta de uma Catarina, casada em Angra, e era filha da mencionada Catarina de Jesus e de Manuel de Azevedo Leal Monteiro.

    [1] Será Isabel Jacinto e mãe de Miguel de Azevedo da Cunha?

    Filhos de Isabel Jacinta e de João António Leal: Maria jacinta, casada em 2 de Fevereiro de 1853 com Faustino Silveira dos Anjos, filho de José Maria de Oliveira e de Maria dos Anjos, aquele, enteado de Raimundo José de Oliveira, tabelião, e esta filha do minorista José Caetano de Sousa de Almada, e doutra Maria dos Anjos, da família dos Cardosos, moradores quase no cimo da Ladeira Velha.

    Filhos de Faustino dos Anjos: José Faustino, nascido em 3 de Janeiro de 1861. Estando alguns 30 anos em New Bedford, voltou à terra, casando em 16 de Junho de 1917 com Maria Guilhermina da Silveira, filha de Manuel Faustino da Silveira (Favinha) da Rua de Baixo; 2.º Rosa da Conceição dos Anjos, casada nesta Matriz em 3 de Junho de 1901 com José Boaventura, (Breca) do Carvalho, sem descendência; 3.º Maria dos Anjos, falecida na América; 2.º filho de João António Leal e de Isabel Jacinta José António Leal, nascido em 1833, e falecido em 29 de Novembro de 1912. Casou em 20 de Julho de 1861 com Maria Jacinta, filha de Manuel Jacinto da Silva (Trigueiro) e de Ana Margarida, filha de José de Sousa Belo e de Maria de Quadros. Filhos do casal: 1.º Maria, nascida em 8 de Março de 1862, casada com António Vitorino Vilalobos (caranguejo) da Ribeira Seca, falecido em 30 de Novembro de 1895, no porto das Velas: indo saltar do cais para o barco Caehapuz deste porto da Calheta, que ele amestrava, caiu ao mar. Sendo de noite, e havendo uma grande nortada, ninguém o ouviu clamar por socorro, morrendo à míngua, pois sendo marítimo não sabia nadar. Foi encontrado, ainda quente, no areal do varadoiro daquela vila; 2." José António, nascido em 2 de Fevereiro de 1864. Saindo para Califórnia em 1882, casou no Ireka, não voltando a esta vila; 3.º Rasa Joaquina dos Santos Cunha, nascida em 18 de Novembro de 1865, casou na América com António Augusto Terra, filho de António Augusto Pereira da Terra e de Rosa Joanina da Silveira, ambos dos Biscoitos. Filhos: Maria, José, Carolina, Elvira, Rosa e Clementina. Nesta freguesia residem José Cunha, negociante e Clementina, com sua mãe; os mais estão nos Estados Unidos; 4.º Rosalina Amélia Leal, nascida, em 17 de Outubro de 1867, falecida em 21 de Abril de 1924, e foi casada em 27 de Outubro de 1902, com Santos Alves, negociante nesta vila, e natural de S. Ramon, Galiza, Espanha. Filhos: José, falecido em 4 de Novembro de 1923, e D. Maria dos Santos; 5.º Joaquina Adelaide Mendes, nascida em 11 de Março de 1870, e casada em 11 de Janeiro de 1892 com Manuel Martins Mendes, remador da Alfândega e natural da Terceira. Maria, sua filha única, casou com Eduardo Soares, dos Terreiros, e professor primário desta vila. Faleceu vai para três anos, nos Afifes, S. Miguel, onde seu marido exercia o magistério. Deixou descendência: 6.º filho Carolina, nascida em 14 de Agosto de 1876, e faleceu aos 18 anos, em 18 de Setembro de 193; 7.º e último, António nascido em 2 de Agosto de 1883 Saiu para a Califórnia em 1901, não voltando à terra; e está casado em Nevada, com descendência.-

    8.º filho de Francisco Ferreira e de Maria de Avila: Maria de Avila, casada na Piedade com João Cardoso Vieira. Além da descendência do Pico, teve este casal outros filhos, casados nesta vila, a saber: Manuel de Ávila Brasil, Maria Jacinta e Jacinta Rosa. Estes, tendo nesta vila sua tia materna Jacinta Rosa de Ávila, casada com Francisco de Azevedo da Cunha, frequentavam a Calheta, mudando-se de todo para ela, por seu consórcio relizado nesta freguesia de Santa Catarina. E assim Manuel de Avila Brasil, nascido em 1795 e falecido em 12 de Junho de 1870, casou aqui em 22 de Outubro de 1825 com Isabel Inácia, da Rua de Baixo, falecida em 30 de Dezembro de 1867, e filha de José António Leal e de Maria Inácia; aquele, falecido com 80 anos em 14 de Abril de 1846, e haviam casado nesta matriz em 27 de Novembro de 1794. José António Leal era filho de pai não sabido e de Isabel Maria, natural do Norte Grande. Maria Inácia de S. José foi filha de José Gonçalves Peixoto e de Maria de S. José. Estes já falecidos em 1794.

    José Gonçalves Peixoto, filho de João Goncalves Peixoto e de Bárbara Pereira, havia casado a primeira vez em 21 de Novembro de 1740 com Maria de Quadros, contraindo 2.º matrimónio em 26 de Janeiro de 1761 com a dita Maria de S. José, filha de Manuel Vieira de Valença e de Josefa Pereira da Cunha, casados em 17 de Setembro de 1732, ele filho de outro Manuel Vieira de Valença, já defunto naquela data, e de Ângel,a Pereira; e ela filha de António Luís e de Bárbara Pereira.

    Manuel Vieira de Valença, casado com Ângela Pereira em 1692, foi filho de António Gonçalves Vieira e de Bárbara Vieira, casados em 25 Novembro de 1658. António Gonçalves filho de Domingos Gonçalves e de Ana Ferreira; e Bárbara Vieira, filha de Sebastião Vieira Teixeira e de Maria Mendes.

    João Gonçalves Peixoto, mencionado, foi filho de Manuel Gonçalves Peixoto e de Maria Dias, naturais e moradores de Vila da Praia, ilha Terceira. Manuel de Ávila Brasil e Isabel Inácia tiveram 4 filhos: João de Avila Brasil, nascido em 6 de Fevereiro de 1826, António de Avila Brasil, nascido em 8 de Dezembro de 1830, José de Ávila Brasil, nascido em 19 de Abril de 1834, e Cândida de Avila Brasil, nascida em 2 de Janeiro de 1842.

    João de A.vila Brasil, falecido com 89 anos em 26 de Fevereiro de 1915, casou em 1853 na igreja de Nossa Senhora da Piedade, ilha do Pico, com Felizarda Rosa, da Ribeirinha da dita freguesia, e filha de Manuel Gonçalves da Silva (Valente) e de Maria Rita, moradores na Terralta.

    João de Avila e Felizarda Rosa tiveram seis filhos e quatro filhas: Manuel, António, José, Maria, Carolina, 2.º António, João, Francisco, Virgínia e Isabel.

    1.º filho Manuel de Ávila Brasil, nascido em 17 de Julho de 1854.

    Foi criado com seus avós Manuel de Ávila e Isabel Inácia, e tia Cândida de Avila, em casa à Praça desta vila, a 4.a à direita a quem vem do terreno do porto, e foi há pouco reconstruída.

    Desde sua mocidade revelou-se inteligente, disciplinado, sem vícios, e por todos havido em boa conta. Tendo na Califórnia seu tio paterno José de Ávila, que havia saído da terra em 1853, Manuel de Ávila embarcou em 1872 para o Ireka no Estado da Califórnia, onde se achava aquele seu tio, seguindo viagem na barca Amizade de Domingos Dias Machado, da Praça de Ponta Delgada, capitão Francisco José de Melo, oriundo de Santa Maria e, há pouco falecido na Picanceira, e era secretário de Domingos Dias Machado.

    Na Califórnia comprou um claim, e ali se entreteve a minar oiro até ao ano de 1888, em que voltou à terra, tendo obtido, por seu trabalho e economia, uns dez mil dólares. Em 1892 voltou à Califórnia, onde se demorou quatro anos, voltando a esta vila em 1896.

    Casou então nesta matriz em 11 de Janeiro de 1897 com a sr.a Ro-salina Perpétua Brasil, de 33 anos de idade, natural de Santo Antão do Topo, filha de Manuel Baptista e de Maria Perpétua. Morou na sua casa ao lado norte da praça; e depois à esquina, lado esquerdo da canada que leva ao forte de Santo Espírito; casa legada a sua esposa por sua tia Ana Perpétua, por largos anos merceeira nesta vila, e casada com José António da Silva Regalo. Este foi um bom construtor de iates, barcos grandes de cabotagem, e barcos de pesca. Aquele prédio era de João de Matos de Oliveira, que em 1833 o houve dos herdeiros de António Silveira Neto, minorista, que o tinha construído em princípio do século XIX.

    Este Neto era hábil em mecânica, fazendo relógios de pesos, e trabalhando em oiro e prata com certa perfeição. Era dos Netos da Ribeira Seca, descendente do cap. mor Gaspar Nunes Neto, e também irmão do P. Franciseco de Azevedo Machado Neto, cura da Matriz, mestre de capela, professor de latim e ouvidor eclesiástico nesta vila; e construiu um bom prédio, em 1811, ao norte do forte de S. João Baptista. Este padre faleceu em 13 de Junho de 1831, com 67 anos de idade.

    António Silveira Neto teve um filho natural, o mestre Damião de Sousa, que constituiu família na Ribeirinha do Pico, homem muito hábil em toda a obra que se propunha realizar, tendo ali descendentes e uma neta cega, surda e muda, a qual é um prodígio e causa admiração pela extraordinária delicadeza de tacto e agudeza de olfacto.

    De seu consórcio houve Manuel de Ávila Brasil D. Amélia de Avila Brasil, nascida em 6 de Março de 1901 e casada com o sr. José Tristão da Cunha, de Santa Cruz da Graciosa, e digno empregado da Estação Postal desta vila da Calheta, e Tibério de Avila Brasil, nascido em 23 de Agosto de 1903, e primeiranista de medicina em Coimbra.

    Foi um dos fundadores da Sociedade Estímulo desta vila, com sua casa de teatro, bilhar e filarmónica, cuja inauguração se fez brilhantemente em 10 de Agosto de 1902. Pertenceu à comissão gerente como tesoureiro, prestando bons serviços àquela excelente instituicão. Homem sério, tinha força moral que o fazia respeitado. Faleceu no hospital de Ponta Delgada, vitimado por uma pneumonia, em 27 de Abril de 1908.

    Manuel de Avila fez falta neste meio, porque era inteligente, presti-moso, carácter leal, patriota convicto, em suma um excelente cidadão.

    Seus ossos vieram de S. Miguel, e acham-se depositados, em urna própria, no jazigo-capela de nosso pai Manuel de Azevedo da Cunha, levantado em Abril de 1905, no cemitério municipal da Fajã Grande, a expensas de nosso irmão José de Azevedo da Cunha.

    2.º filho António, nascido em 25 de Abril de 1856, e falecido de sete anos em 16 de Fevereiro de 1863.

    Andando por sobre os rochedos da costa do mar, abaixo da casa de seus pais, ao sul da matriz, caiu, sobrevindo-lhe um tumor na ilharga, de que em breve veio a sucumbir.

    3.º filho José de Ávila Brasil, nascido em 27 de Fevereiro de 1858.

    Casou nesta matriz em 9 de Outubro de 1878 com a sr.a Rosalina Augusta Brasil, natural da Praia da Vitória, Terceira, e filha de Manuel Francisco de Melo e de Maria Josefa, naturais das Pontas Negras, Ribeiras do Pico, donde emigraram para Angra, no ano de 1848. Do seu consórcio houve José de Ávila cinco filhos: Boaventura, nascido em 10 de Maio de 1880 e falecido no hospital de Angra em Setembro de 1902; Manuel, nascido em 2 de Outubro de 1884, e falecido no mar, e um dos catorze infelizes vitimados do naufrágio do bote Mariana, em 10 de Setembro de 1896; 3.º João de Avila Brasil, nascido em 21 de Setembro de 187. Saiu para o Rio de Janeiro em 15 de Abril de 1909 e foi um dos empregados da Charutaria Havanesa do Largo de S. Francisco de Paula, pertencente a nosso irmão José de Azevedo da Cunha; 4.º filho Albano, nascido em 8 de Dezembro de 1892 e falecido, com sete meses, em 13 de Junho de 1893; 5.º filho Teófilo de Ávila Brasil, nascido em 22 de Agosto de 1902, é actualmente caixeiro do sr. Augusto de Azevedo Ferreira da Cunha, com estabelecimento de tecidos ao lado do sul da Praça desta vila, em prédio construído de 1850 a 1852 por José Acácio de Bettencourt, neto materno do cap. António Faustino Pereira. Esse prédio pertence hoje, por compra, a meu irmão José de Azevedo da Cunha.

    José de Avila Brasil também emigrou para o Ireka. Embarcou em Abril de 1885 no excelente veleiro Maria Inês, iate de Provincetown, que meses antes fizera escala pela Calheta com destino a Lisboa, comandado por nosso primo, o inolvidável capitão José da Cunha Ferreira. Vinha dos Estados Unidos com carregamento de bacalhau a vender na capital.

    No Ireka, José de Ávila adoeceu, retirando-se para os Açores em Setembro de 1887, no iate Barcan Flat de Boston. Em 24 de Novembro desse ano foi, pela primeira vez, acometida de doença nos olhos, manifestando-se o mal pela dilatação da pupila. Tratado no hospital de Ponta-Delgada pelos distintos clínicos Bruno' e Manuel Maria da Rosa, não conseguiram estes curá-la, ficando ele completamente pego aos 30 anos de idade. Desde então adquiriu certa faculdade de se orientar nesta vila e freguesia, andando só e ocupando-se no amanho de algumas terras, culti-vando-as com acerto, conformando-se, resignado com sua triste sorte.

    Revelou habilidade para as letras e mecânica, trabalhando enquanto viu, em obras de carpintaria e de marceneiro. Goza da estima compa-decida de todas as pessoas desta vila.

    4.º filho de João de Avila Brasil e de Felizarda Rosa Maria Amélia da Silveira, nascida em 26 de Março de 1860. Casou a 28 de Janeiro de 1884 com Manuel Silveira Pereira, natural de S. Pedro de Angra, e filho de António Silveira Pereira e de Maria José. Seus filhos: Rodrigo, nascido a 5 de Novembro de 1883. Saiu para a América em 1903 e casou em Brockton, Massachusetts, com descendência: Teresa Guiomar da Silveira, nascida em 21 de Setembro de 1885. Reside, casada, em Brockton; Adelina A. Sould, nascida em 18 de Janeiro de 1888. Saiu para Brockton em 1904, e lá casou; Adolfo Pereira da Silveira, nascido a 5 de Junho de 1890. Emigrou para a dita cidade de Brockton em 1904, e ali se alistou na marinha de guerra. Está casado, com descendência; José, nascido em 2 de Outubro de 1891 e falecido com oito meses de idade, a 13 de Junho de 1892; Jaime Pereira Brasil, nascido em 6 de Abril de 1893. Foi caixeiro do sr. Augusto Ferreira, e membro da filarmónica Estímulo desta vila, pelo que chamado ao servico do exército, ingressou na banda militar da cidade da Guarda, onde casou; José, 2.º de nome, nascido em 6 de Janeiro de 1896. Está em Brockton; Maria Amélia da Silveira, nascida em 12 de Outubro de 1897. Está solteira. Esta com seus irmãos José e Teresa, emigraram para Brockton dos Estados Unidos, no 1.º de Fevereiro de 1921. E Teresa casou com um italiano Fulano Ferreira.

    [1] Dr. Bruno Tavares Carreiro (1857-1911).

    5.º filho de João de Avila Brasil Carolina de Ávila Brasil, nascida a 2 de Dezembro de 1861. Em 2 de Agosto de 1897 contraiu matrimónio com Francisco José da Silva, da Ribeirinha do Pico, filho de Manuel José da Silva e de Emília de S. José. Sem descendência. Está viúva. Carolina faleceu de uma síncope, repentinamente, no dia 9 de Outubro de 1925.

    6.º filho António de Avila Brasil, 2.º de nome, nascido em 26 de Junho de 1863. Saiu para o Ireka em 1881. Casou ali com Joana, filha de José Francisco, do Faial, e tem filhos; 7.º filho João de Ávila Brasil, nascido a 26 de Fevereiro de 1865. Em 1883 emigrou para onde seus irmãos, saindo no iate Liduina, capitão Silva, e piloto Militão Pacheco de Oliveira, desta vila. No Ireka casou com outra filha do dito faialense José Francisco e tem descendentes; 8.º filho Francisco de Avila Brasil, nascido a 7 de Março de 1867. Em 1884 já se achava com seus irmãos no dito lugar da Califórnia. Casou ali. Teve filhos. E faleceu com 51 anos, na data de seu nascimento 7 de Março de 1918; 9.º filho Virgínia de Avila Brasil, que nasceu a 4 de Setembro de 1869. Acompanhou seu primo Francisco de Azevedo da Cunha para o Rio de Janeiro no ano de 1888, e ali contraíram matrimónio. Faleceu, com 33 anos, em 9 de Novembro de 1902. E seu marido faleceu com 64, em 1908. Deixaram seis filhos: Miguel de Azevedo da Cunha, que se empregou como condutor de automóveis; Calisto de Azevedo da Cunha, pertencente ao corpo de polícia civil daquela grande metrópole; Oscar de Azevedo da Cunha, empregado comercial; Cícero de Azevedo da Cunha, que cursou o colégio dos Caetanos, em Braga, por protecção de seu padrinho nosso irmão José de Azevedo da Cunha. Adoecendo de amolecimento cerebral, faleceu em Lisboa em Julho de 1916; Maria de Azevedo e Rosa de Azevedo. Cursaram a escola normal do Rio, para exercer o magistério; 10.º filho de João de Avila Brasil Isabel, nascida a 4 de Junho de 1871. Faleceu de escrófulas em 4 de Março de 1879. Felizarda Rosa faleceu em 22 de Julho de 1884, com 62 anos de idade.

    2.º filho de Manuel de Avila Brasil e de Isabel Inácia: António de Avila Brasil, nascido a 8 de Dezembro de 1830 Casou na Piedade do Pico, em 1865, com Isabel Perpétua, da Ribeirinha, e filha de José Pereira e de Maria de Jesus.

    Filhos: Maria Perpétua de Avila, nascida no 1.º de Março de 1866. Vive solteira nesta vila, em casa que foi de,seus pais; José de Avila, nascido a 28 de Agosto de 1870. Emigrou para a América do Norte em 1890. Vive nas proximidades de Boston, casado com uma senhora viúva; Rosa Perpétua de Avila, nascida a 2 de Setembro de 1873. Em 5 de Outubro de 1891 casou com seu primo co-irmão José Pereira de Sousa, da Ribeirinha, e filho de João de Sousa e de Maria de Jesus. Filhos: Miguel Pereira de Ávila, nascido a 24 de Agosto de 1892 Faleceu da gripe, em 4 de Maio de 1920; Maria Perpétua, nascida a 29 de Junho de 1900. Casou com José Jacinto, do Carvalho; Noé, nascido a 4 de Outubro de 1905 e falecido em 14 do dito mês e ano; José Pereira, nascido a 17 de Abril de 1907. António de Ávila Brasil empre-gava-se na faina marítima, falecendo, com 82 anos, em 7 de Dezembro de 1912.

    Sua mulher, Isabel Perpétua, faleceu, com 63 anos em 9 de Fevereiro de 1901. Sua morada era o quinto prédio à direita a quem sobe do porto para a Praça desta vila, prédio que Francisco de Azevedo da Cunha havia comprado a Joaquim Silveira de Azevedo dos Biscoitos, para estabelecer venda, em que se entreteve nos últimos anos de sua vida, porquanto, sendo um gotoso, entrevou, deixando por isso de navegar.

    3.º filho de Manuel de Ávila Brasil e de Isabel Inácia: José de A.vila Brasil, nascido a 19 de Abril de 1834. Emigrou para o Rio de Janeiro, e dali para Califórnia, em 1853. No Ireka casou com Ana Dias, filha de Joaquim Dias, natural da Ribeira do Almeida, desta ilha de S. José. Deste consórcio houve três filhos Francisco, José e Manuel, e duas filhas Maria e Ana, todos casados; 4.º filho de Manuel de Avila Brasil Cândida de Avila Brasil, nascida a 2 de Janeiro de 1842 Casou em 5 de Junho de 1875 com António Silveira de Avila, filho de Manuel António da Silveira e de Ana Silveira, todos desta freguesia. Filhos de seu consórcio: Manuel Silveira de Ávila, nascido a 25 de Dezembro de 1874. Emigrou para Newman, Califórnia, em 1893. Voltando a S. Jorge em 1908, casou em Ponta Delgada, S. Miguel, em 24 de Abril de 1909, com Etelvina da Glória Frias, regressando logo à Califórnia. Tem um filho Gualter Frias de A.vila, nascido em 5 de Novembro de 1910; 2.º Maria Cândida de Ávila, nascida a 15 de Novembro de 1876. Casou com o sr. João Augusto Terra, em 30 de Julho de 1921; 3.º Isabel Cândida de Ávila, nascida a 17 de Dezembro de 1878 e faleceu solteira em Angra, no ano de 1900; 4.º Rosa Cândida de Ávila, nascida a 4 de Outubro de 1881. Emigrou para S. Lean-dro, da Califórnia, em 1909, onde vive em estado de solteira; António Silveira de Ávila faleceu nesta vila, com 76 anos, em 16 de Fevereiro de 1909; Manuel de Ávila Brasil e Isabel Inácia tiveram mais uma filha, chamada Maria, que nasceu a 14 de Março de 1838 e faleceu infante.

    2.º filho de Maria Jacinta de Ávida, casada com João Cardoso Vieira: Maria Jacinta, casada, a 27 de Janeiro de 1823, com Joaquim José Dutra e falecida nesta vila com 53 anos, em 23 de Abril de 1847. Filhas: Manuel Jacinto Dutra, nascido a 15 de Dezembro de 1823. Casou duas vezes, com prole dos dois matrimónios; Maria Jacinta Dutra, nascida a 21 de Novembro de 1825. Casou, em 13 de Junho de 1850, com António Silveira Leal, filho de António Silveira Leal, e Isabel Faustina, sendo 3 os filhos daquele casal: João Leal Dutra, nascido a 6 de Abril de 1854. Foi casado, e faleceu em Boston, no ano de 1890 Sua esposa era natural de Angra: Manuel Leal Dutra, nascido em 23 de Setembro de 1856. Casou com Mafalda da Conceição, filha de Felizberto de Sousa, desta vila, c era filho do cap. Jacinto Soares de Albergaria, das Velas. Mafalda da Conceição é também falecida, deixando dois filhos: José, cego desde seu nascimento, e Maria da Conceição, casada com Manuel de Matos, desta vila com descendência; 3.º filho, o sr. P.e José Jesuíno Dutra, nascido a 11 de Novembro de 1858. Ordenou-se de presbítero em 1884, paroquiando actualmente na vizinha freguesia de S. Tiago.

    3.º Filho de Joaquim José Dutra e de Maria Jacinta João António Dutra, nascido a 13 de ulho de 1830. Casou no Faial com Henriqueta Carolina. Com descendência. 4.º filho José António Dutra, nascido a 3 de Maio de 1836. Casou nas Flores Com descendência. Tiveram mais uma filha Rosa, nascida em 11 de Janeiro de 1828, e faleceu de menor idade.

    3.º filho de João Cardoso Vieira e de Maria Jacinta de Ávila: Jacinta Rosa, casada em 24 de Novembro de 1826 com João de Azevedo Machado, conhecido por João Inácio de Azevedo (Casaca) filho de José Inácio Goulart e de R. Rosa Silveira. Filhos: Manuel, nascido em 28 de Janeiro de 1833; João, nascido em 5 de Maio de 1835; e Mariana que saíram para a América e lá casaram; António que faleceu, solteiro; e Joaquim José de Azevedo, conhecido por Joaquim Inácio, nascido em 23 de Janeiro de 1837

    José Inácio Goulart e de R Rosa Silveira. Filhos: Manuel, nascido em 28 de Janeiro de 1833; João, nascido em 5 de Maio de 1835; e Mariana que saíram para a América e lá casaram; António que faleceu, solteiro; e Joaquim José de Azevedo, conhecido por Joaquim Inácio, nascido em 23 de Janeiro de 1837.

    Casou nesta vila, em 29 de Novembro de 1856, com Maria do Rosário, filha de Francisco Quaresma e de Isabel do Rosário, da Ribeirinha do Pico.

    Joaquim Inácio faleceu de cancro na face, a 30 de Agosto de 1909; e sua mulher Maria do Rosário, com 83 anos em 21 de Março de 1910.

    Seus filhos: Maria do Rosário, nascida a 20 de Outubro de 1857. Casou em 26 de Abril de 1885 com Manuel Machado Homem, viúvo de Maria das Dores, falecida em 20 de Agosto de 1884, e era filha de João Francisco da Silva e de Mariana Jacinta; Carolina, nascida em 4 de Janeiro de 1862; Joaquim, nascido a 23 de Outubro de 1863; José, nascido a 17 de Agosto de 1865 e falecido em 20 de Fevereiro de 1868; João Inácio, nascido a 14 de Abril de 1866. Casou nesta matriz em 11 de Setembro de 1893, com Maria Adelaide Cabral, da qual está viúvo, ficando-lhe uma filha de seu matrimónio; José Dugan, nascido a 23 de Fevereiro de 1868 e se encontra casado em Brewter; Dionísio, ou Dinis Dugan, nascido a 4 de Março de 1870, e também está casado em Brewter, América; Emília do Rosário, nascida em 5 de Novembro de 1873 e casou nesta matriz em 19 de Setembro de 1910 com José Pereira Soares, natural de Santo António, desta ilha, filho de João Pereira Soares e de Constância de Azevedo.

    José Pereira veio de Newman, Califórnia, onde por seu trabalho honrado adquiriu fortuna considerável. Deste casal há uma filha chamada Maria do Rosário Soares. Moram nesta vila.

    Dos filhos de Joaquim Inácio são falecidos, há 26 anos, aproximadamente, Carolina e Joaquim, que morreram solteiros, Carolina em New Bedford, e Joaquim na Califórnia.

    Do casal de Manuel Machado Homem e de Maria do Rosário houve os seguintes filhos: Carolina, nascida em 1886. Casou em New Bedford, no dia 29 de Junho de 1908, com Agostinho Jacinto Pereira, do Topo, e filho de Manuel Jacinto Pereira e de Rosa Violante Goulart. Filhos: Leonel Machado Pereira, nascido em 1910; Júlia Machado Pereira, nascida em 1911 e Agostinho Machado Pereira, nascido em 1913. É já falecida; Júlia, nascida a 11 de Fevereiro de 1887. Casou na mesma cidade, em 1904, com Guilherme Silva, filho de Manuel Silva, do Pico. e de Rosa Emília, do Faial. Filhos: Manuel Machado Silva, nascido em 19D6; Guilherme, nascido em 1807; e Cremilde, nascida em 1909; João Machado Homem, nascido a 21 de Fevereiro de 1888. Casado em 30 de Janeiro de 1911, com Delfina de S. Pedro, filha de Francisco de Sousa e de Catarina Amélia, naturais de Angra. Seus filhos: Maria Delfina Homem, nascida em 9 de Novembro de 1911; José Machado Homem, nascido em 7 de Maio de 1913, e Manuel Machado Homem, nascido em 7 de Maio de 1913, e Manuel Machado Homem, nascido em 6 de Outubro de 1917. Saíram para Santa Clara da Califórnia no 1.º de Fevereiro de 1921.

    4.º e último filho de Manuel Machado Homem Augusto, nascido em 19 de Março de 1889. Casou na Igreja do Carmo, em New Bedford, no ano de 1911, com Joaquina Silva, filha de Camilo Sanches da Silva, dos Rosais desta ilha de S. Jorge, e de Maria Henriques da Silva, da ilha das Flores. Reside com sua mãe e irmã Júlia na dita cidade de New Bedford.

    Jacinta Rosa, filha de João Cardoso Vieira e de Maria Jacinta de Ávila, foi casada com João Inácio (Casaca) em 24 de Novembro de 1826. Seus filhos, que nos Estados Unidos adoptaram o cognome de Dugan, foram: João Dugan, casado com Carolina Dugan, da ilha da Madeira, sem descendência; António Dugan, que não casou; Manuel Dugan, casado com mulher da «nacão» por nome Rebeca Dugan, sendo seus filhos: Filomena Dugan; Flossie Dugan; Robert Dugan; e Best Dugan. 4.º Mariana Dugan, que teve um filho natural de Manuel Maio, desta freguesia de Santa Catarina, chamado José Maio, que casou com Maria Maia, natural das Flores.

    De João Inácio e de Jacinta Rosa, houve mais um filho Joaquim Inácio, casado com Maria do Rosário, cujos filhos residentes em Brewster, também adoptaram o apelido Dugan, a saber: José Dugan, casado com Maria, filha de seu avô João Inácio (Casaca) e de sua 2.a mulher Mariana Faustina, dos quais um filho: João Calfete Dugan. E Dionísio, ou Dinis Dugan, casado com Joana Dugan; sendo filhos Artur Dugan, Carolina Dugan, May Dugan e Denis Dugan.

    Vemos como, em menos de um século, se multiplicaram nesta freguesia de Santa Catarina os descendentes de Francisco de Azevedo da Cunha, e de Francisco Fereira e de Maria de Ávila; os quais em parte se espalharam pelo mundo, mormente pela América do Norte.

    Nos netos de Francisco Ferreira ficou tradicional a brandura de carácter, a mansidão, e espírito religioso de seu avô.

    Porquanto, conta-se que alguns díscolos da freguesia de Nossa Senhora da Piedade, pouco respeitadores do alheio, como sempre tem havido em todos os tempos e lugares, deitavam ovelhas, peadas, a pastar em terras dele, semeadas de trigo já enrelvado, terras muradas e de portal tapado. Francisco Ferreira não procedia judicialmente exigindo perdas; nem levava aquele gado ao curral do concelho. Mas tomando nos braços as ovelinhas as colocava na estrada, paciente e moderado, admirando-se, resignado, da malícia alheia.

    Os que passavam estranhavam tanta moderação, dizendo alguns: «Sr. Francisco Ferreira, se o trigo fosse meu esse gado não saía vivo desse prédio». Ao que ele obtemperava: «Não se vá sem resposta. O dono deste gado é que errou; estas alimarinhas cuidam que tudo é seu. Não tendo culpa, não se lhes deve fazer mal». Resposta digna de um filósofo ou de um cristão de arreigadas crenças.

    Este único facto define um homem, e dá ideia de seu valor moral. Seu filho Francisco morreu em Lisboa de saudades da sua terra. Era pois uma família de amorosos, cujo carácter foi herdado por alguns de seus descendentes.

    Muitos outros viriam colonizar a Calheta. Ignoramos, porém, em que condições aportaram aqui, se como senhores, se como simples arro-teadores por conta daqueles. Porquanto, à falta de registos paroquiais, restam somente limitadas justificações de parentesco, que eram exclusivas de certas famílias, e só por correlação se referem a outras com quem se houvessem ligado por consórcio.

    Como a Calheta foi colonizada tarde, acorreram a este lugar sujeitos de outras partes onde não teriam obtido colocação. E como no princípio havia cá pouca gente, os que de novo ingressavam eram sempre bem acolhidos e bem vindas, donde no futuro derivou o provérbio: A Calheta é madrasta para seus filhos e mãe para os estranhos.

    Vieram para esta jurisdicão, em todo o decorrer dos anos, sujeitos da ilha de Santa Maria, de S Miguel, da Terceira, e nomeadamente da Praia, S. Sebastião, S. Mateus, Altares e de Angra. Vieram da Graciosa para o Norte Grande. Vieram da Piedade do Pico; dos Flamengos do Faial; e até das Flores.

    E como, em regra, todo o que emigra tem carácter aventureiro, e destes, embora alguns desequilibrados, são todos mais ou menos inteligentes, segue-se que estes povos são astutos, ladinos, alegres, francos e maliciosos; e assim um pouco diferentes da gente de certas terras de Portugal, ingénua, e às vezes boçal.

    Alguns dos que voltam do Brasil, ou da América do Norte, onde se demoraram vários anos, trazem certo grau de civilizacão superior à dos que por cá ficaram.

    Foram, viram, usaram, adaptaram-se ao meio, assimilaram, modificaram o carácter, em suma, aproveitaram.

    De princípio vieram os Enes, Dias Vieiras, Dias de Lemos, Teixeiras, Nunes, Pereiras, Brasis, Azevedos, Fernandes, A.guedas, Rodrigues, Pires, e Cunhas. A seguir os Gonçalves, Gonçalves das Figueiras, Bairros, Fagundes, Froes, Machados, Rodrigues de S. Pedro, Ferros, Pires do Couto, Dias da Bica, Borbas, Quadros, Reis, Cardosos, Gatos, Belos, Ferreiras, Soares, Ávilas, Castanhos, Souto Maior, Vilalobos, Silveiras, Trindades, Quaresmas, Fragas, Quadradas, Amarais, Beliagos, Cordeiros, Correias, Al-nadas, Martins, Jordões, Pais, Mendonças, Gregórios, Maciéis, Mirandas, Ornelas, Lainhas, Paivas, Dutras, Freitas Goularts, Valadões, Pains, Ramos, Silvas, Oliveiras, Lobões, Aguiar, Costas, Ramalhos, Gregórios, Matos, Monteiros, Sanches, Campos, Botelhos, Coelhos, Pedrosos, Sarmentos, Fontes, e Farias.

    Os Avilas, Matos, e Silveiras vieram do Topo.

    Aguiar, Costas, Gregórios, Ramalhos e Valenças, da Ribeira Seca.

    Lainhas, Monteiros, Sanches, e Vieiras Campos do Norte Grande.

    Oliveiras do Topo, Manadas e Rosais. Goularts do Topo, e da Piedade do Pico.

    Freitas e Valadões das Velas. Beliagos, Fragas, Freitas, Pains, Quaresmas, Ramos, e Correias da Piedade, Pico.

    Quadros Lobão, Miranda, Pais, e Correias da Silva, da Praia da Graciosa.

    Dutras, dos Rosais desta ilha de S. Jorge, e do Faial. Silvas de Angra. E Cordeiro da vila Franca do Campo, ilha de S. Miguel, sendo o 1.º deste apelido Francisco Cordeiro, já falecido em 1675, casado com Agueda Jorge, «fregueses» da dita Vila Franca.

    O povo iletrado, mas inteligente e malicioso, prefere cognominar as pessoas pela alcunha, a que chamam apelido ou traquete, a tratá-las pelo próprio nome e sobrenome. É mais rápido; mas só na ausência. dos possuidores o fazem, porque a alcunha é quase sempre odiosa.

    Expomos algumas dos tempos passados. O Anjinho, a Aranha, a Avó, o Bacalhau, a Baldareja, o Balra, (Balravento), o Bezerra, o Bico de galo, o Bil-ró, o Birreste, o Bisugo, o Bolas, o Bravo, o Buina, o Búzio, o Cabedal, o Cagarrinho (cognominação dada a toda o sujeito da ilha de Santa Maria que venha estabelecer-se aqui), o Calafum, o Cangui-nha, o Canudo, o Caracol, o Caranguejo, o Carlas, o Castanha, o Chará, o Cireneu, o Chuché, o Coco, o Comprido, o Conduto, o Congro, o Delgado, o Estragado, o Faneca, o Farrapão, o Fedacão, o Fronguinha, o Galego, o Galinha, o Garrafa, o Graveto, o Lóló, o Mede canadas, o Molho de tripas, o Nordeste, o Nuvem negra, o Ova de lapa, o Pandina, o Pantica, o Patente, o Papão, o Picardo, o Pelica, o Pinga nariz, o Poltrica, o Quinte, o Rabão, o Rangana, o Rei da Rússia, o Sabugo, o Sete Costas, o Tamujo, o Trinca, o Trovão, o Vaca de Grande, o Velalatina, o Vermelho, e o Viola.

    Em meados do século XVI, numa população de 100000 almas, tinha Lisboa para mais de 10000 escravos, mouros e negros (Pinheiro Chagas).

    Certamente que muitas famílias desta ilha tiveram seus serviçais de cor, vindas de Angra, ou directamente de Cabo Verde e do Brasil. Alguns propagaram, havendo constituído família com pessoas de sua condição, ou cruzando até com sujeitos da raça branca, o que se reconhece ainda hoje pelos traços fisionómicos de certa gente, se bem que em limitado número.

    Notam-se igualmente entre nós tipos de procedência flamenga, especialmente no Topo e Ribeira Seca, e que usam o apelido Silveira, Goulart, Matos e Ávila.

    Há também o tipo loiro, inglês, procedido de Alexandre Glayer, natural de Londres, donde no século XVIII veio para Angra, sendo deserdado por sua família, porque na Terceira abjurou o protestantismo, casando catolicamente com Isabel Blayer. Tiveram um filho, José Blayer, e não sabemos se mais, baptizado na Sé, o qual vindo para as Velas ali casou em 6 de Novembro de 1728 com Faustina Maria da Silveira, filha do cap. Domingos Goncalves Fagundes e de Beatriz Alvares da Silveira

    Seu filho José Blayer da Silveira, que, em 1763, era Tabelião e Escrivão Judicial, nas Velas, casou em 12 de Agosto de 1755, com D. Ana Maria da Silveira, filha de Mateus da Cunha Toste e de D. Clara Maria da Silveira; e foram moradores da Urzelina. Tiveram um fílho que veio casar a esta freguesia de Santa Catarina, e aqui se estabeleceu: José Tomás Blayer da Silveira, nascido em 1772, e casado com D. Maria Faustina da Silveira, filha do cap. António Faustino Pereira e de Maria Bernarda.-

    O capitão António Faustino Pereira, inteligente e homem activo, foi por vários anos arrematante dos dízimos, aumentando sua fazenda. Faleceu em 16 de Junho de 1799. Foi filho de Manuel Pereira Leal e de Francisca Rodrigues, e neto paterno de João Leal, e bisneto de António Leal de Valença, descendente do primitivo povoador Pero Enes de Valença e de Isabel Casada Barreto. Casou em 13 de Janeiro de 1755, com Maria Bernarda, filha de Pascoal de Sousa Pereira e de Maria Vieira da Cunha, todos dos Biscoitos; e tiveram 5 filhos: o P.e Pas-coal de Sousa Pereira, falecido em 5 de Setembro de 1792, com 36 anos de idade, Maria Faustina do Nascimento, casada com o tenente Francisco António da Silveira, irmão do P.' Filipe de Sousa Teixeira, e ambos filhos de António José de Sousa, de S. Tiago; o cap. António Faustino da Silveira, pai de Joaquim Silveira de Sousa, e este pai de José Faustino da Silveira e Sousa, benemérito calhetense, há pouco falecido, e foi casado com sua prima a sr.a D. Maria Madalena Blayer da Silveira; D. Maria Faustina, casada em 29 de Janeiro de 1800, com Antão Pereira de Borba, filho de António Pereira de Sousa, e de Maria Josefa, casados em 3 de Junho de 1753, e este filho do alferes Antão Pereira de Sousa, e de Maria de Borba, ele filho de Domingos Afonso de Sousa e de Maria da Cunha Vieira, e ela filha de Pedro de Borba, filha de João Gonçalves das Figueiras, e Domingos Afonso de Sousa, filho do cap. Baltasar Luís Pereira, atrás mencionado.

    O cap António Faustino Pereira casou 2. vez com Maria de Quadros da Silveira Lobão, oriunda da Graciosa, tendo 7 filhos: Faustino António da Silveira (Tenente) casado com D. Rita Antónia da Silveira, de que já nos ocupámos, quando lhe assinámos a descendência de Pero Enes de Valença, pela linha de seu neto Tomé Gregório, 1.º cap. mor da Calheta; Faustina Inácia, casada com António Silveira de Azevedo, em 13 de Janeiro de 1810; Teresa Laureana, casada em 21 de Junho de 1810, com João Machado de Azevedo, filho do cap. Manuel Silveira Machado, filho de Nicolau Silveira e de D Maria de Azevedo, e esta filha do sarg. mor António de Azevedo Teixeira, neto do cap. mor Manuel de Azevedo; Rita Inácia Delfina, casada em 28 de Setembro de 1811, com Francisco José de Bettencourt, pais de José Acácio de Bettencourt, casado com D. Emília Bernardo de Bettencourt, filha de José Bernardo de Sousa, das Manadas, e de sua mulher Ana Luísa de Oliveira, desta freguesia, e filha de Matias de Matos e de Luísa Rosa de Oliveira.

    José Acácio foi por largos anos encarregado do serviço postal, recebedor do concelho, negociante de tecidos nesta vila, e proprietário com Manuel José Machado e outros, de muitos iates construídos neste porto, e que navegavam entre estas ilhas, mormente para S. Miguel.

    José Acácio, nascido em 1815, e falecido em 13 de Novembro de 1885, não deixou descendência legítima, mas de Maria Clara do Sacramento, viúva de João de Sousa Belo, houve um filho José Bernardo, casado e residindo na ilha de Santo Antão de Cabo Verde. De. Josefina Rodrigues, de S. João do Pico, mas moradora desta vila, deixou este José Bernardo um menino e uma menina.

    Rita Inácia Delfina, mãe de José Acácio, faleceu com 92 anos, em 23 de Março de 1877.

    Outros filhos do cap. António Faustino Pereira e de Maria de Quadros: Luísa Laureana, solteira; Mariana Delfina casada com António Faustino Blayer, e José Joaquim da Silveira.

    Do casal de José Tomás Blayer e de Marta Faustina nasceram 5 filhos: O Tenente António Faustino Faustino Blayer, casado em 1826, com Mariana Delfina da Silveira, sem descendência;

    José Faustino Blayer, casado em 25 de Outubro de 1834, com D. Rita Teresa, filha do alferes José Francisco Flores e de D. Mariana Luísa, das Velas.

    Filhos: Joaquim José Faustino Blayer; João; José Blayer da Silveira, falecido na cidade de Adelaide, na Austrália; António Faustino Blayer, casado com Isabel Faustina (Cavaquinho), da qual 4 filhas Ana, outra Ana Blayer, casada nas Manadas, Maria Blayer, e Rita Augusta Blayer, casada no dito lugar de Manadas com João Miguel Silveira.

    De Georgina Constância da Silva, do Norte Pequeno, houve António Faustino Blayer um filho Virgínio Blayer da Silveira, casado, com mercearia nos Rosais.

    5.º filho de José Faustino Blayer e de D. Rita Teresa D Mariana Blayer, vivendo com seus filhos José, Maria, Rita, e Florinda, em Fall River, da América do Norte;

    João Faustino Blayer, casado com Bárbara Jacinto. Filhos: Marta Faustina e José Faustino, que faleceram solteiros, e Ana Faustina, casadacom José Faustino Correia, que se dizia filho do tenente Faustino António da Silveira.

    Do casal de José Faustino Correia houve apenas uma filha Maria Faustina Blayer, que é falecida, e casou com o sr. Jorge Machado da Rosa, Cabo de mar deste porto, havendo os filhos seguintes: João Cândido, Maria Catarina e José;

    D. Maria Madalena Blayer, casada em 1826 com Jorge Faustino de Azevedo, dos quais a sr.a D. Maria Madalena da Silveira, a quem já nos referimos, a sr.a D. Marta Blayer da Silveira, viúva de José Maria do Carvalhal de Azevedo, professor primário desta vila, dos quais D. Joana do Carvalhal, casada com Vitorino José Belo, com numerosa descendência; Maximiano do Carvalhal de Azevedo, casado em Califórnia; D. Maria Úrsula do Carvalhal, casada com o sr. António Faustino

    de Borba, digno Tesoureiro de Finanças deste concelho; e D. Rosa do Carvalhal, solteira.

    Do casal de Jorge Faustino de Azevedo houve mais três filhos João Faustino Blayer da Silveira, casado em 28 de Novembro de 1846 com Maria das Dores, filha de Manuel José Martins e de Isabel Cândida. João Faustino, oficial baleeiro, faleceu na Baía de Hudson, em direcção ao pólo do Norte, por naufrágio da canoa a que pertencia. Sua viúva casou mais ta.rde com Francisco Correia Borges, não havendo descendência de nenhum de seus consórcios;

    D. Ana Tomásia Blayer, casada em 1828 com José Machado de Azevedo, do Carvalho, avós dos falecidos sacerdotes P.e José Gregório de Mendonça e P.e Tomé Gregório de Mendonca e do sr. João Gregório de Mendonça, descendência a que nos havemos de referir.

    O dito José Tomás Blayer, casado com D. Maria Faustina, houve de Maria Rodrigues um filho natural José Rodrigues, casado com Rita Emiliana, filha de José Machado Cabral e de Umbelina Rosa, filha de Matias de Matos e de Luísa Rosa de Oliveira, já mencionados.

    Do casal de Jose Rodrigues houve Maria Rodrigues de Oliveira, que casou com João Caetano de Matos, há pouco falecido, com numerosa descendência, e todos, viúva e filhos, emigrados para a Califórnia.

    José Rodrigues teve também de Miquelina Emília um filho natural Manuel Rodrigues Goulart, casado com Maria Clara da Natividade, filha de Joaquim Francisco Machado, das Manadas, e irmão de José Bernardo de Sousa acima mencionado, e de sua mulher (dele Joaquim Francisco) Delfina Luísa da Silveira, moradores à Relvinha.

    Do dito Manuel Rodrigues Goulart e de sua mulher, são filhos Maria Miquelina, falecida, e foi casada com José Manuel Teixeira; Manuel Rodrigues, actualmente na Califórnia; e Delfina Adelaide de Azevedo, viúva de Manuel Vitorino de Azevedo, falecido da peste, em 9 de Maio do corrente ano de 1920, havendo de seu matrimónio duas filhas Maria, casada com Albino de Ávila, da Graciosa, e Amélia casada com Herculano de Almeida.

    Como se vê, a família Blayer, de origem inglesa, da cidade de Londres, acha-se largamente representada nesta ilha, mormente nesta freguesia de Santa Catarina.

    Em muitos desses representantes se nota bem acentuado o tipo loiro dos povos do norte da Europa; e nas senhoras tem aparecido algumas, verdadeiros tipos de beleza.

    Os outros dois filhos de Jorge Faustino de Azevedo chamavam-se António Faustino Blayer e José Faustino Blayer, que faleceram na América, e aquele designadamente em Point Rey Califórnia.

    Falámos do Tenente Francisco António da Silveira, filho de António José de Sousa, da Ribeira Seca, e casado com Maria Faustina do Nascimento, filha do capitão António Faustino Pereira e de Maria Ber-narda. Filhos do dito tenente e de sua mulher Maria Faustina do Nascimento: Faustino Cândido da Silveira Tesoureiro da Matriz por longos anos, e faleceu solteiro a 10 de Dezembro de 1879, com 85 anos de idade;

    2.º O sargento José Silveira Nunes, casado com D. Maria da Graça, moradores no Biscoitinho, à Ribeira da Calheta, e aquela filha do cap. Aleixo Caetano de Sousa e de D. Maria Tomásia.

    3.º D. Ana Rosa, casada em 11 de Maio de 1807, com Francisco Leite de Vasconcelos da Terra Brum da Silveira Corte-Real, filho do cap. Raulino da Terra Brum Silveira Corte-Real, e de D. Luísa Delfina, falecido em Junho de 1822.

    4.º António Faustino da Silveira, casado em 22 de Maio de 1813 com Bárbara Caetana, moradores na Rua de Baixo, e filha do dito cap. Aleixo Caetano de Sousa;

    5.º Faustina Inácia, casada em 10 de Fevereiro de 1814 com António de Azevedo Machado, filho de João Machado de Borba e de Marta de Azevedo, moradores aqueles no Egipto;

    6.º Maria Inácia, casada em 1822 com António José de Sousa, filho do P.e Filipe de Sousa Teixeira, antes de se ordenar, e de Rosa Maria, aqueles moradores no Egipto;

    7.º Isabel Bernarda, casada em 1831 com Francisco Machado de Borba, filho de João Machado de Borba e de Bárbara Silveira, dos Biscoitos, e moradores no dito lugar do Egipto;

    8.º Francisco António de Sousa, casou em 1832 com Isabel Joanina da Trindade, filha de José Machado de Borba e de Marta da Trindade, moradores também no Egipto.

    Pela nota que vamos dar, ainda assim incompleta, dos escravos desta jurisdição, nos séculos XVII e XVIII se vê que nesse tempo havia nestas ilhas muita gente de cor. Se chegaram a ingressar numa terra pequena como a Calheta, que seria em povoações importantes como Ponta Delgada, Angra e Horta?

    Esta nota é extraída dos arquivos paroquiais e de alguns testamentos.

    Anos : 1567 Joana, Francisca e Maria, escravas de Joana Pires, viúva de João Pires, moradores no Vale das Amoras, acima dos Lameiros.

    1594 Guiomar, escrava do P.e Álvaro Pires, desta vila.

    1626 Abraão, filho de Margarida de Lima, escravos de Bernardo Gonçalves Teixeira, da Ribeira Seca.

    1637 Inês e seus filhos gémeos João, Bartolomeu e Luzia, escravos de António Jorge de Borba, de S. Tiago.

    1643 José, Úrsula, Aleixos, Inácio e Madalena, filhos de Francisco e de Maria, todos escravos de Francisco Luís Souto Maior, da freguesia de S. Tiago.

    1648 Maria Machado, escrava do capitão Gaspar Nunes Brasil, da Ribeira da Areia.

    1649 Catarina, escrava de Pero Luís de Sousa, de S. Tiago.

    1652 António, escravo de Inês Fagundes, de S. Tiago.

    1652 António, escravo de Bartolomeu Fernandes Cordeiro, desta vila.

    1653 Adrião, escravo de Bartolomeu Goncalves, desta vila.

    1653 Filipa, Bartolomeu Nunes, João Nunes e Simão Nunes, escravos do sargento mor Bartolomeu Nunes Pereira, desta vila.

    1660 Maria da Cruz, escrava de Joana Dias de Azevedo, da Rua Nova.

    1660 Matias e Francisca, escravos do capitão mor João Luís Pereira, desta vila.

    1687 Bárbara e Antónia, escravos do vigário P.e João Pereira de Lemos, vila.

    1700 Atanásia e João seu filho, escravos do capitão Agostinho Pereira de Borba, S. Tiago.

    1704 Maria e sua filha Ana, escravas do capitão João de Quadros Pereira, Rua Nova.

    1704 Paula e seus filhos Francisca, José, João e Sebastião, escravos do Alferes Brás Pereira de Lemos, vila.

    1705 Ana e Maria sua filha, escravas de António Pereira de Borba, Biscoitos.

    1707 Manuel, escravo do cap. Miguel Afonso de Sousa, figurando no inventário de sua mulher Leonor Pereira, no valor de 40$000; Vale das Amoras.

    1708 Margarida e seu filho Bernardo, escravos do capitão António Álvares Machado, Rua Nova.

    1709 Melchior, filho de Agueda, escravos de Baltasar Luís Pereira, Rua Nova.

    1709 Domingos e Sebastiana, filhos de Catarina, escravos do capitão António de Azevedo Teixeira, vila.

    1709 Joana Gata, escrava que foi do cap. mor Belchior Nunes Pereira. Por alma desta sua escrava consignou Belchior Nunes em seu testamento uma missa rezada: caso único encontrado em dezenas de disposições testamentárias que lemos e decifrámos. Dar-se-á o facto de ser esta a infeliz arrebatada com eira, trigo e bois em 15 de Agosto por uma tromba marítima no local um pouco a leste do Pesqueiro Alto? Os terrenos ao norte e junto desse ponto, pertenceram ao cap. mor Simão Pereira, filho do dito Belchior. Como se vê, é muito fraca a circunstância para fundamentar uma conjectura. Mas a ser assim, o nome de Sumidouro ou de Outeiro de Santa Cruz, dataria do século XVII e não do princípio da colonização. A mais antiga referência que encontrámos ao Sumidouro, ou lugar da Cruz, é do ano de 1654. O cap mor morava no Norte Pequeno.

    1710 Bárbara, Agueda, Ana e Caetano, escravos de Joana Dias Pedrosa, Rua Nova.

    1711 Bárbara e seus filho Manuel, escravos do alferes André Pereira de Azevedo, Biscoitos.

    1712 Pedro e outro Pedro, escravos do cap. João de Quadros Pereira, Rua Nova.

    1714 José e Francisca, escravos de Joana Dias Pedrosa, irmã de António Pereira de Lemos, Rua Nova.

    1715 João, filho de Margarida, escravo do cap. António Alvares Machado, Rua Nova.

    1715 Maria Vieira, filha de Bárbara de Azevedo, escravas do alferes André Pereira de Azevedo, Biscoitos.

    1716 Agueda e sua filha Teresa, escravas do P.e Manuel de Azevedo de Sousa, Rua Nova.

    1718 8 escravos do cap. mor Simão Pereira de Sousa, e entre estes, Clara e seus filhos António, Francisco, Bartolomeu e Mariana. Clara, mãe dos escravos, faleceu em 4 de Junho de 1729. Vila.

    1725 Duarte, filho de Paula, escravos de Manuel Machado Fagundes. Vila.

    1728 Bárbara, escrava de D. Maria Machado, mulher do cap. mor Simão Pereira. Vila.

    1744 Genoveva e Leocádia, filhas de Helena, escravas do P.e Manuel Álvares Machado. Vila.

    1747 Anastácia, filha de Maria, escravas do cap. António de Azevedo Machado.

    1753 Domingas e seus filhos, Catarina, Bárbara, Manuel, António, João e Francisca, escravos que foram do sargento mor António de Azevedo Teixeira, falecido em 1737. Vila.

    1757 José, escravo do cap. João de Azevedo Pereira, Rua Nova.

    1760 Maria da Trindade, escrava de D. Margarida Machado de Azevedo. S. Tiago.

    1765 Rita, filha de Bárbara da Encarnação, escravas de D. Marta do Sacramento. Rua Nova.

    1780 José, filho de Cecília Rosa, do Faial, escravo do cap. António Faustino Pereira. Biscoitos.

    1784 Pedro de Sousa, escravo de D. Rosa Maria da Silveira, viúva de Jorge Brum. Rua Nova.

    1789 Maria, cuja avó tinha sido comprada em Cabo Verde, escrava do cap. Raulino da Terra. Rua Nova.

    1814 Francisco, ex-escravo de José Manuel Teixeira, da Rua Nova.

    Total: 98 infelizes.

    JUSTIFICAÇÃO DE NOBREZA. OBSERVAÇÕES

    No princípio as freguesias de S. Tiago e de Santa Catarina, formavam um só povo, não só pelas condições topográficas, sendo a Calheta o verdadeiro porto da Ribeira Seca, mas também pelas razões de procedência, de parentesco e de dadas de terreno.

    Pero Enes de Valenca estabeleceu-se na freguesia de S. Tiago, mas tinha terras no Norte Grande, Ribeira da Areia e Norte Pequeno.

    Nuno Jorge, casado com Margarida Toste, estabeleceu-se na Ribeira Seca, e seu irmão Goncalo Nunes Pereira fixou residência nesta vila da Calheta.

    João de Agueda, na Calheta, seu irmão Fernando de Águeda na Ribeira Seca.

    Aleixos Dias Bica nesta vila, e em S Tiago seu irmão António Dias Bica, já falecido em 1623.

    Sendo talvez uma dúzia de famílias o primeiro núcleo de população, é claro que fundindo-se os casais, à terceira ou quarta geração, eram já todos parentes uns dos outros. E como o Topo deu largo contingente aos enlaces matrimoniais da jurisdição da Calheta, é óbvio que no estudo de genealogias preciso é conjugar os respectivos arquivas paroquiais até onde eles remontam, visto serem assim reciprocamente subsidiários.

    Que ricas fontes a consultar se a deliberação do Concílio provincial de Lisboa em 1536, tivesse sido logo posta em prática com relação àqueles registos. Incluiriam, sem dúvida, os primeiros que para aqui vieram mondar, cavar, arrotear e lançar sementes à terra.

    Os párocos, porém, não compreenderam o alcance social dessa estatística. Nenhum se lembrou de trabalhar para o futuro. Preciso foi até que para cumprimento de tal dever os Prelados lhes cominassem penas.

    Justificações de nobreza desta jurisdição, que nos conste, apenas se produizu a de Miguel António da Silveira em 1735, o qual sendo filho de António Silveira e Avila, cap. mor do Topo, veio para a Ribeira Seca, onde era vigário seu irmão, o P.e João Machado Pereira. Casando na família de Lázaro Teixeira dos Santos, casal bem abastado, propôs-se à eleição do chefe desta capitania da Calheta.

    É interessante essa justificação por contender com as famílias principais das duas jurisdições, baseada certamente em apontamentos particulares. Nunca foi publicada por ser extensa. Vamos, porém, expor o conteúdo dos seus itens, ou artigos, que foram corroborados pelo depoimento de homens qualificados, mas que certamente em favor de seu testemunho só podiam invocar a tradição oral, ou a probidade do peticionário. Todavia são o único documento que possuímos acerca de algumas famílais a que se refere. E daí o valor e estima que se lhe consagra.

    Por este tempo Mateus Machado Fagundes de Azevedo, falecido em 1734, organizara seu livro de genealogias, ainda inédito, com respeito à família dos Machados desta ilha. Possuímos esse bom trabalho que ainda assim precisa de rectificações.

    PETIÇÃO

    Diz Miguel Antonio da Silveira, morador em o termo da vila da Calheta desta ilha de S. Jorge, que para bem da sua Justiça, e certos requerimentos que intenta, e conservação de sua Nobreza lhe é necessário provar os Itens seguintes. Se sabem que ele suplicante é legítimo filho de legítimo matrimónio de Antónia Silveira e Ávila, Capitão-mor que foi em a Vila Nova do Topo desta dita Ilha da onde ele suplicante é natural, e de sua legítima mulher Catarina Machado de Azevedo, moradores que foram em a dita vila. Item 2 Se sabem que o dito Capitão-mor António Silveira e Ávila, Pai dele suplicante era filho legítimo de legítimo matrimónio do Capitão-Sargento-mor da dita vila João Silveira e Avila e de sua legítima mulher Bárbara Pereira, Avós Paternos dele suplicante. Item 3 Se sabem que o dito Capitão-Sargento--mor João Silveira e Avila, seu Avô Paterno, era filho legítimo e de legítimo matrimónio, de António Silveira e Avila e de sua legítima mulher Agueda Dias, a qual era Bisneta de Pedro Luís de Sousa. Item 4 Se sabem que o dito António Silveira e Avila, segundo Avôdele suplicante era filho legítimo, de legítimo matrimónio de Manuel Silveira e Avila, e por esta linha descendente da Nobre família dos Silveiras da dita Vila, muito nobres e Fidalgos de geracão de sua legítima mulher Ana do Soto Maior. Item 5 Se sabem que a dita Ana Souto Maior era filha legítima de legítimo matrimónio de Baltasar da Cunha Teixeira quarto Avô Paterno dele suplicante, o qual Baltasar da Cunha era Fidalgo da Casa de Sua Majestade, e por esta linha é descendente legítimo das nobres famílias dos Cunhas e Teixeiras; e de sua mulher Adriana de Souto-Maior; e por esta linha descendente legitimamente da nobre família dos Soutos-Mores, também Fidalgos de geração. Item 6 Se sabem que a dita Bárbara Pereira, primeira Avó dele suplicante era natural da jurisdição desta dita vila da Calheta, e filha legítima, de legítimo matrimónio, de Gaspar Nunes Neto, o qual foi o terceiro Capitão-mor em esta mesma vila, e de sua legítima mulher Bárbara de Valença, segundos Avós dele suplicante. Item 7 Se sabem que o dito Capitão-mor Gaspar Nunes Neto era filho legítimo, de legítimo matrimónio, de Gonçalo Nunes e de sua legítima mulher Maria Luís Pereira, terceiros Avós dele suplicante. Item 8 Se sabem que o dito Gonçalo Nunes era legítimo filho de legítimo matrimónio de Nuno Alves e de sua mulher Catarina Fernandes, os quais vieram do Reino para esta Ilha e nela foi bem reconhecida a sua Nobreza, como actualmente estão gozando seus descendentes, como é ele suplicante. Item 9 Se sabem que a supradita Bárbara de Valença, segunda Avó do suplicante, era filha de legítimo matrimónio de Belchio,r Afonso de Valença e de sua mulher Isabel Dias, terceiros Avós dele suplicante. Item 10 Se sabem que o dito Belchior Afonso de Valença, era filho de legítimo matrimónio de Pedro Afonso de Valença e de sua legítima mulher Catarina Rodrigues, quartos Avós dele suplicante. Item 11 Se sabem que o dito Pedro Afonso e,ra filho de legítimo matrimónio de Pedro Anes de Valença e de sua legítima mulher Isabel Casado e Barreto, os quais vieram da Corte de Lisboa, conhecidos nobres Fidalgos, que procediam o dito Pedro Anes de Valença, dos legítimos Valenças, e Leais deste Reino de Portugal, e a dita Isabel Casado e Barreto dos Monises, Barretos e Casados, e legítimos do dito Reino, e como tais a sua Casa era coutada por privilégio Real. Item 12 Se sabem que a dita Isabel Dias, terceira Avó do suplicante, era filha legítima de legítimo matrimónio de Domingos Fernandes e de sua mulher Ana Dias, quartos avós dele suplicante. Item 13 Se sabem que o dito Domingos Fernandes era filho de legítimo matrimónio de Fernando de Agueda, e de sua legítima mulher Maria Anes os quais vieram do Reino, por Nob,res, Fidalgos, e como tais se trataram, e foram tratados, nesta vila; o qual Fernando de Agueda era legítimo Irmão de João de Agueda, o velho, fidalgo Escudeiro da Casa de Sua Majestade, que Deus guarde. Item 14 Se sabem que a dita Ana Dias, quarta Avó do suplicante, era filha de legítimo matrimónio de Sebastião Dias e de sua mulher, a Senhora Senhorinha Gonçalves, Fidalga muito Nobre, que veio da cidade e Corte de Lisboa. Item 15 Se sabem que a dita Maria Luís Pereira, terceira Avó do suplicante, era filha legítima de Gaspar Nunes Pereira e de sua mulher Maria Luís de Sousa, quartos Avós do suplicante. Item 16 Se sabem que o dito Gaspar Nunes Pereira, seu quarto Avô, era filho de legítimo matrimónio de Alvaro Nunes, e de sua mulher Maria Pereira, quintos Avós do suplicante. Item 17 Se sabem que o seu dito quinto Avô era filho de legítimo matrimónio de Álvaro Pires, Sargento-mor que foi no Reino do Algarve. Item 18 Se sabem que a dita Maria Pereira, quinta Avó do suplicante, era filha legítima de Lourenço Vaz e de D. Bárbara Pereira, os quais vieram do Reino do Algarve para a cidade de Angra, onde se aposentaram, e deles procedem as melhores famílias destas Ilhas, que as estão governando assim na Milícia como na República; e a dita D. Bárbara Pereira, era dos legítimos Pereiras deste dito Reino de Portugal. Item 19 Se sabem que a supra dita Maria Luís de Sousa, quarta Avó do suplicante, era filha de legítimo matrimónio de Inês Pires e de João Valido, que veio da Cidade de Lisboa para esta vila da Calheta, e nela conhecido por sua Nobreza, com a dita sua mulher casou, atendendo a sua qualidade dela. Item 20 Se sab-m que a dita Inês Pires, quinta Avó do suplicante era filha de legítimo ;natri-mónio de Pedro Luís de Sousa e de sua mulher Catarina Anes, e que este Pedro Luís de Sousa foi o que principiou as muralhas do Castelo de S. João Baptista, no monte Brasil da Ilha Terceira, que é um dos melhores fortes do Reino de Portugal, por cuja razão lhe chamam Pedro do Brasil. Item 21 Se sabem que o dito Pedro do Brasil, quinto Avô do suplicarit., ou por outra frase, Pedro Luís de Sousa, era filho de legítimo matrimónio de Fernando Luís de Sousa e de sua mulher D. Margarida, moradores que foram em a Nobre Vila de Santarém, o qual Fernando Luís de Sousa, sexto Avô do suplicante, era Fidalgo Filhado em os Livros de Sua Majestade, dos Sousas legítimos deste Reino de Portugal, o que se sabe por se ver escrito em um brazão que tirou o Capitão Francisco de Sousa Machado, de Armas. Item 22 Se sabem ser tão conhecido o nome do dito Pedro Luís de Sousa, assim por sua muita Nobreza e Fidalguia, como pelos muitos serviços que a Sua Majestade, que Deus Guarde, fazia no dito Castelo, que da Corte de Li.sboa veio um Conde a visitá-la com muita particular amizade. Item 23 Se sabem que a dita Catarina Machado, mãe do suplicante era natural desta Vila da Calheta, e filha de Joâo Machado Pereira e de sua legítima mulher Isabel de Azevedo, primeiros Avós pela parte materna dele suplicante. Item 24 Se sabem que o dito seu primeiro Avô era legítimo filho de legítimo matrimónio de Gaspar Nunes Pereira e de sua mulher Ana Machado moradores que foram em o lugar das Manadas, termo da Vila das Velas, desta mesma Ilha. Item 25 Se sabem que o dito Gaspar Nunes Pereira, segundo Avô dele suplicante, era filho de legítimo matrimónio de António Alves e de sua mulher Catarina Pereira, terceiros Avós dele suplicante. Item 26 Se sabem que o dito António Alves era filho de legítimo matrimónio de Nuno Alvares e de sua mulher Catarina Fernandes, o qual veio da Corte de Lisboa casado com a dita sua mulher, e foi dos primeiros Povoadores desta Ilha, muito nobre Fidalgo, e como tal foi tratado e a sua descendência. Item 27 Se sabem que a supra dita Isabel de Azevedo, primeira Avó do suplicante pela parte Materna, era filha de legítimo matrimónio de João de Azevedo e de sua mulher Maria Pereira, naturais e moradores desta dita Vila, segundos Avós do suplicante. Item 28 Se sabem que o dito seu segundo Avô João de Azevedo era filho legítimo de Manuel de Azevedo, terceiros Avós do dito suplicante, e segundo Capitão mor desta Vila da Calheta e de sua mulher Maria Vaz, o qual Manuel de Azevedo sendo Capitão de uma Companhia da Ordenança nesta Vila, junto com o Capitão Tomé Gregório, estes somente, com as suas Companhias, libertaram esta Vila do Tributo que pagavam os moradores dela aos Ingleses, defen-dendo-a varonilmente de uma armada de sete Naus de guerra que com cruenta guerra e grande força de armas e Artilharia acometeram a entrada dela; estes a defenderam somente com o esforço do seu valor, e de seus soldados sem armas nem muralhas mais que um amparo de pau-pique, expondo a sua vida a tão evidente perigo pela liberdade da Pátria e serviço de Sua Majestade, os quais sobreditos Capitães foram depois deste conflito Capitães-mores desta Vila sucessivos um ao outro, e outrossim foram os primeiros que nela serviram neste Posto. Item 29 Se sabem que o dito Capitão mor Manuel de Azevedo, terceiro Avô do suplicante, era filho legítimo de João de Agueda e de sua mulher Maria de Azevedo, quartos Avós do mesmo suplicante; e este João de Agueda, o qual veio do Reino e consta que era Fidalgo Filhado em os Livros de Sua Majestade que Deus Guarde. Item 30 Se sabem que Ana Machado, mulher de Gaspar Nunes Pereira, segundos Avós do suplicante, era filha de legítimo matrimónio de Isidoro Gonçalves Machado, o qual era muito Nobre e Fidalgo e morador em a freguesia das Manadas. Item 31 Se sabem que o dito suplicante é legítimo parente de Francisco de Sousa Machado, Almoxarife que foi desta Ilha, e morador na Vila das Velas cujo parentesco liga por todas as partes em que se habilitou e tirou o seu Brazão, e dito Brazão e habilitação, além do que dizem as Testemunhas oferece uma certidão. Item 32 Se sabem que o dito suplicante é legítimo descendente de todos os sobreditos já nomeados, a cuja imitação sempre se tratou e trata muito à Lei da Nobreza, desde sua puerícia até ao tempo presente e abastado de bens temporais, e servindo-se com criados e cavalgaduras de sela, como os primeiros e mais abastados da Ilha, e como tal é morador na Jurisdição desta Vila da Calheta desta Ilha de S. Jorge. Item 33 Se sabem que actualmente as pessoas que em toda esta Ilha nas três Vilas que ela tem exercitam os Postos de Capitães-mores e os principais Cavalheiros de toda a Ilha são parentes dele suplicante, a maior parte deles em grau próximo e ligados em Direito. Item 34 Se sabem que o Capitão Manuel de Sousa Pereira que morador que foi das Manadas desta Ilha e sua Família, parentes dele suplicante, da mesma progenitura supradita, estão gozando o foro de Fidalgos por um Alvará de Sua Majestade que Deus Guarde, de que lhe fez mercê. Item 35 Se sabem que o suplicante por si e suas ascendências ser limpo e de limpo sangue e geração sem raça de mouro, mulato, Judeu, ou de alguma outra Nação infecta à nossa santa Fé Católica, ou se disso foram em alguma bastardia, outrossim se sabem ser ele dito suplicante Casado com mulher sua igual em qualidade e quantidade. Item 36 Se sabem que D. Maria Josefa da Silveira e Cunha é legítima mulher dele Suplicante, e é filha de legítimo matrimónio de Lázaro Teixeira dos Santos e de sua mulher Isabel Gregário, o qual Lázaro Teixeira é filho legítimo de legítimo matrimónio de António Teixeira dos Santos, primeiro Avô, e de sua mulher Maria Luís. Item 37 Se sabem que o dito António Teixeira dos Santos era filho de João dos Santos e de sua legítima mulher Bárbara Gonçalves, segundos Avós da supradita Dona Maria Josefa. Item 38 Se sabem que o dito João dos Santos era filho de Brás Álvares Teixeira e de sua legítima mulher Margarida Mendes, terceiros Avós da dita mulher do Suplicante; e este Brás Alvares veio do Topo para esta Vila conhecido por muito Nobre, e dele procedem parte das principais famílias desta Ilha. Item 39 Se sabem que a dita Maria Luís, primeira Avó pela parte Paterna, era filha de António da Cunha e de sua legítima mulher Agueda Jorge, segundos Avós da dita Dona Maria Joseja. Item 40 Se sabem que o dito António da Cunha era filho de legítimo matrimónio de Manuel Vieira Ferro e de sua mulher Vitória da Cunha, terceiros Avós da sobredita, o qual Manuel Vieira Ferro era filho de legítimo matrimónio de António Vieira Ferro e de sua mulher Bárbara Manuel, o qual veio de Lisboa para esta Vila, e foi dos primeiros povoadores dela, conhecido por muito Nobre e dele procedem famílias muito graves. Item 41 Se sabem que a dita Vitória da Cunha, terceira Avó da dita D. Maria, era filha de legítimo matrimónio de Belchior Gonçalves da Cunha e de sua mulher Juliana Pires, quartos Avós da supradita. Item 42 Se sabem que o dito Belchior Gonçalves da Cunha era filho de legítimo matrimónio de Baltasar da Cunha Teixeira, o qual era Fidalgo da Casa de Sua Majestade; ou por esta linha é descendente das Nobres famílias dos Cunhas e Teixeiras, e de sua legítima mulher Adriana de Souto-Mor, descendente das Nobres Famílias, também Fidalgos de geracão. Item 43 Se sabem que a dita Águeda Jorge, segunda Avó da supradita, era filha de legítimo matrimónio de António Luís e de sua mulher Helena Toste, terceiros Avós seus, o qual António Luís era filho de Nuno Jorge e de sua legítima mulher Margarida Toste, quartos Avós da dita Dona Maria Item 44 Se sabem que o dito Nuno Jorge era filho de leptimo matrimónio de Nuno Alvares e de sua mulher Catarina Fernandes, os quais foram dos primeiros povoadores desta Ilha; e vieram a descobrimento dela, tidos por Nobres e Fidalgos, e como tais foram tratados e deles procedem muito Nobres Famílias. Item 45 Se sabem que Isabel Gregório, mãe da dita Dona Maria, era filha de legítimo matrimónio de Al,eixos Dias da Cunha e de sua mulher Bárbara Ramalho, seus primeiros Avós, pela parte Materna, o qual Aleixos Dias era filho de legítimo matrimónio de João Dias Bica e de sua mulher Juliana Pires, segundos Avós da supradita. Item 46 Se sabem que o dito João Dias era filho de legítimo matrimónio de Aleixos Dias, o velho, o qual veio da Praia de Angra da Ilha Terceira e se apresentou nesta Vila da Calheta; conhecido por muito Nobre e como tal na dita foi tratado e estimado. Item 47 Se sabem que a dita Bárbara Ramalho, primeira Avó da sobredita Dona, era filha legítima de Francisco Lopes Teixeira e de sua mulher Isabel Gregório, seus segundos Avós, o qual Francisco Teixeira e,ra filho de legítimo matrimónio de Brás Alves Teixeira e de sua mulher Margarida Mendes, terceira Avó da mesma Dona Maria, assim pela parte materna como paterna, como dito é no item acima. Item 48 Se sabem que a dita Isabel Gregório, segunda Avó da dita Dona Maria, era filha de legítimo matrimónio Ue Tomé Gregário Teixeira, primeiro Capitão-mor que foi desta Vila, e um dos Capitães acima nomeados que se acharam em o conflito na guerra com os Ingleses, e de sua legítima mulher Bárbara Ramalho, terceiros Avós da mesma Dona Maria. Item 49 Se sabem que o dito Capitão-mor Tomé Gregório Teixeira era filho de legítimo matrimónio de Jorge Fernandes, o qual era legítimo Irmão de Pedro Afonso, nomeado em ascendência do suplicante Miguel António da Silveira. Item 50 Se sabem que a dita Juliana Pires, segunda Avó da dita Dona Maria, era filha de legítimo matrimónio de Manuel Vieira Ferro e de sua mulher Vitória da Cunha, os quais ficam nomeados com suas ascendências em os itens acima pela parte paterna da mesma Dona Maria, legítima mulher dele Suplicante. Item 51 Se sabem que o dito Capitão-mor da Vila Nova do Topo António Silveira e Ávila, Pai do Suplicante, serviu no dito posto mais de trinta anos com limpeza de mãos e sem interesse algum temporal, e com muito zelo do bem comum e do serviço de Sua Majestade, que Deus Guarde, sendo nestas matérias o mais diligente entre os Cabos de Milícia, que em seu tempo governaram nesta Ilha, provendo os seus postos de vigias, não só de noite, mas também de dia, em lugar que se descobriam as costas desta Ilha, assim da parte do Norte como do Sul e, havendo novas ruins, eram obrigadas as ditas guardas a darem senhas as embarcações que passavam de umas para outras Ilhas a que se recolhessem debaixo das armas do Porto do dito Capitão-mor, para que não fossem cativas dos inimigos, de cuja vigilância resultou o não serem cativas muitas embarcações, por ser o posto do dito Capitão-mor em a ponta de uma Ilha pela qual passam todas as embarcações que navegam nesta Ilha do Comércio de umas para outras. Item 52 Se sabem que o dito Capitão-mor, Pai dele Suplicante, era diligente e estudioso na segurança de seu Posto, gover-nando-o com faxinas e reforma de Fortalezas, as quais provia de Armas e petrechos para a defesa dos inimigos, convocando muitas vezes sua ordenança e gente dela para a factura das ditas faxinas, e delineando-as por si próprio, e assistindo pessoalmente as ditas obras, sendo nelas tão generoso que não se fiava de outro Cabo algum de sua Ordenança, como também afável, benigno e caritativo para seus oficiais e soldadesca sem faltar à justiça, premiando os bons e repreendendo os maus, quando assim era necessário. Item 53 Se sabem que o dito Capitão-mor era tão diligente no serviço de S. Majestade, que tendo notícia de algumas embarcações de inimigos logo despedia resolutamente correios daquele seu posto aos mais Cabos da Governança da Ilha avisando-os para que assim se guarnecessem com armas para a sua defesa, como também socorrendo-os com armas e soldados, sem que por essa causa deixasse desfortalecidos seus postos, e outrossim noticiava às mais Ilhas, mandando barcos de aviso a elias, como também dando sinais às mesmas Ilhas, mandando fazer fogo de noite com o farol quando o não podia fazer por outro meio a respeito da invasão do inimigo. Item 54 Se sabem que na pessoa dele suplicante, pelo modo e asseio com que se porta, mostra concorrerem as mesmas prendas do dito seu Pai e dos mais Capitães-mores seus ascendentes em que concorreram as mesmas generosidades e qualidades. Item 55 Se sabem que dos ditos Capitães mores seus ascendentes não houve até hoje herdeiro descendente que fosse premiado pelos tais serviços memorados. Item 56 Se sabem que a dita Dona Maria Josefa da Silveira e Cunha, per si e todos seus ascendentes é limpa e de limpo sangue, sem raça de Mouro, Mulato, Judeus, ou de outra alguma Nação infecta a nossa Santa Fé Católica, ou se na sua descendência houve alguma Bastardia.

    Pede a Vossa Mercê, Senhor Juiz, seja servido mandar-lhe perguntar suas Testemunhas, e provado o que baste, mande ir os Autos a sua Conclusão para os sentencear como lhe parecer Justica, e para que seja jurídica sua habilitação lhe mande outrossim por seu despacho citar ao Procurador do Concelho para ver jurar testemunhas e alegar contra ele Suplicante o que for a bem da Justiça e Povo desta Jurisdição, e protesta ajuntar Papéis e anadir artigos, sendo-lhe necessários. E Receberá justiça e mercê. Despacho: Distribuída como pede; de Abril vinte e sete, de mil setecentos trinta e cinco. O Alferes Simão Pereira Brasil.

    Sobre a matéria desta justificação depuseram quatro testemunhas, em 29 de Abril do dito ano de 1735 perante o juiz Inquiridor, o Ajudante Francisco Inácio c tabelião António Alvares Machado, os quais todos se reuniram para esse fim na freguesia de S. Tiago, nas casas de morada do cura daquela paróquia P.e Manuel Alvares Pereira a saber: o capitão João de Matos da Silveira, de setenta e seis anos de idade, morador das Manadas, e primo do suplicante em 3.º e 4.º graus de consagui-nidade. Confirmou os artigos, dando lugar apenas a um reparo, como adiante diremos.

    2.º o capitão Manuel de Sousa de Oliveira, de setenta anos, morador na Ribeira Seca, o qual declarou ser parente do suplicante em 3.º e 4.º graus de afinidade. Conhecendo o fraco destes depoimentos, com relação aos mais antigos casais, confirmando os itens, depôs criteriosamente.

    3.º o P.e António Silveira Machado, morador nesta vila da Calheta, de trinta e nove anos de idade, e parente do justificante em 3.º grau de consanguinidade. Confirmou quase todos os artigos, ampliando alguns.

    4.º o ajudante Aleixo Correia Cabral, morador na Rua Nova desta freguesia de Santa Catarina, de setenta e quatro anos de idade. Confirmou quase todos os itens.

    O cap. João de Matos da Silveira, depondo sobre o artigo ou item 45, equivocou-se, porquanto diz que Aleixos Dias da Cunha foi filho de Aleixos Dias, o velho, e este filho de João Dias Bica, que viera da Praia da Terceira. Contra esta afirmativa há o dito artigo da Petição, como também o depoimento do capitão Manuel de Sousa de Oliveira, natural e morador da Ribeira Seca, onde morou Aleixos Dias da Cunha, que o Oliveira conheceu, tendo como tabelião, visto documentos que se referiam àquela descendência. E sobretudo temos o tombo desta freguesia de Santa Catarina, organizado sob a fiscalização da Ouvidor e vigário próprio, que melhor que outrem devia conhecer seus fregueses Nesse Tombo vem uma referência para efeito de cumprimento do legado de Aleixo Dias, o velho, que transcrevemos:

    • Treslado de urra estritura de certos bens que obrigou João Diaz da Bica, e sua mulher Já.liana Pires para o perpetuo de seu Pay Aleixos Dias (...J E ora elle ditto João Dias, como testamenteiro do dito seu Pay está dando conta ante o Juiz dos Resíduos (...J apareceu com sua mulher, e por elles foi dito que por seu Pay e sogro Aleixos Dias (...J etc., no ano de 1621. (Tombo de Santa Catarina, folhas 355).
  • No processo de prestação de contas ante o Provedor figura em primeiro lugar aquele João Dias Bica, e por falecimento deste, em 1642, sua viúva Juliana Pires; a seguir seu filho Manuel João da Bica; e por morte deste prestou contas seu irmão o dito Aleixo Dias da Cunha, que faleceu em S. Tiago a 4 de Dezembro de 1704, e foi casado com Bárbara Ramalho, seguindo-se Lázaro Teixeira dos Santos genro destes. E assim este Aleixo Dias da Cunha era filho de João Dias da Bica. Aleixos Dias da Bica, o velho, foi seu avô.
  • O cap. Manuel de Sousa de Oliveira referindo-se ao item 19, declarou que João Valido viera da Corte de Lisboa, conhecido por Nobre, e casara na Calheta com Inês Pires, filha de Pero Luís de Sousa, e se estabelecera ou aposentara «em o limite que se chama Fajã das Anvi-nhas». Nunca encontrámos tal denominação. Deve ser Fajã dos Azevinhos, que hoje é um trato de terreno compreendido entre a borda da rocha, e a estrada pública, na freguesia de S. Lázaro do Norte Pequeno, mas que outrora compreendia igualmente a Fajã do Mero. Na dita freguesia há a fonte de Feliciana Pires, e esta talvez descendente de João Valido, e de Inês Pires, sua mulher. A família Pedroso da Cunha é proprietária de algumas terras no dito lugar dos Azevinhos.

    O dito Oliveira, confirmando a matéria da justificação, acrescenta:

    • «... que tudo o que tem declarado é somente por uma verdade notória, e moral; porque algumas pessoas da ascendência dos justificantes conversou e conheceu; porém outras muitas não alcançou o seu conhecimento, mais que por tradições de pessoas velhas e homens nobres do governo desta Vila, a quem o ouviu praticar em autos sérios nas ditas ascendências e outras; como também testemunhar em habilitações de outros parentes dos Justificantes sobre as mesmas ascendências e de algumas foi escrivão, por servir o tal ofício público mais de vinte anos, no Juízo secular da mesma Vila, onde hoje está existindo no Ofício de Escrivão do Eclesiástico onde se acham muitas Inquirições por dispensas de casarem pessoas das mesmas famílias, e a todos estes documentos se reporta em seu testemunho; e esta é a razão por que ele diz que não tem dúvida no conteúdo nos itens dos justificantes; e mais não disse».
  • P.e António Silveira Machado, depondo sobre o item 28, declara:
    • «que Manuel de Azevedo, 2.º cap. mor da Calheta, sendo capitão de uma companhia, juntamente com o capitão Tomé Gregório Teixeira, defenderam esta vila de uma invasão de sete navios e uma Burlota de fogo, e a livraram do tributo que anualmente pagavam aos ingleses, o que sabe por ser tradição certa e constar também dos livros de Registos da Câmara (perderam-se) desta vila, em que ele testemunha leu algumas notícias do dito caso».
  • Acerca desta invasão, depôs da seguinte forma a 2.a testemunha cap. Manuel de Sousa de Oliveira:
    • «o qual Manuel de Azevedo, sendo capitão em a mesma vila, tendo por companheiro outro capitão por nome Tomé Gre-gório Teixeira, estes com suas companhias, libertaram a jurisdição desta vila do tributo que pagavam aos ingleses, defendendo uma armada de sete naus de guerra, que invadiram a costa da mesma vila com armas e artilharia, e os ditos capitães com seu ardil e valor, animando os soldados, sem terem muralhas mais que um pau-pique, a perigo de suas vidas, por serviço de Sua Majestade que Deus Guarde, a defenderam, e tendo disto notícia um corregedor e governador das armas de Angra, os fizeram e elegeram, capitães-mores, e o dito progenitor do suplicante o foi sucessivamente ao dito Tomé Gregório, e sempre ele testemunha ouviu praticar estes feitos dignos de memória ...»
  • O capitão João de Matos da Silveira, confirmando o Item 42, diz:
    • «Belchior Gonçalves da Cunha era filho de Baltasar da Cunha Teixeira [que já era falecido em 1588] Fidalgo da Casa de Sua Majestade, e por tal se intitulava, como constava da fundação que fez em a ermida do sr. São João, e par esta linha descendente das nobres famílias e Teixeiras, (sic) e de sua legítima mulher Adriana de Souto-Maior ...»
  • Ora, diz-se que tal fundação é do ano de 1550. Ignoramos a fonte desta afirmativa; e pelas razões que vamos expor afigura-se-nos errada aquela data.
  • Naquela época era o povo nimiamente religioso. Resolveram em sessão da Câmara no ano de 1560 fazer uma festa à Senhora do Rosário, a 25 de Março, para que «o Sr. Deus os livrasse da praga dos tentilhões que lhes comiam as searas». Eram apenas 64 os fogos da jurisdição naquele tempo. Em S. Tomé não havia ainda um único morador, nem na Fajã de S. João; e todavia já as respectivas ribeiras tinham o nome de Ribeira de S. Tomé e Ribeira de S. João. A falta de circunstâncias topográficas ou de qualquer acidente pessoal, deram-lhes o nome de Santos. Cremos, pois, que em S. Tomé nunca houve capela alguma nem a de S. João estava ainda edificada nesta época. Se há em S. Tomé o chamado cerrado da igreja, pertencia ele à matriz e não à pretendida ermida daquele interessante lugar, hoje compreendido na freguesia de Santo Antão Porquanto, o P.e Diogo de Matos da Silveira, fundador do Convento de S. Diogo da vila do Topo, testando em 26 de Setembro de 1664, diz: «A confraria do Senhor deixo mil reis; e quinhentos reis à confraria da Senhora. Deixo mil reis à dos Fiéis de Deus. Deixo mil reis a S. Pedro; cinco tostões à ermida de Nossa Senhora da Ajuda, mil e quinhentos reis à ermida de S. João, que meu pai e mãe deixaram que se fizesse». Logo a fundação ou edificacão da ermida de S. João, foi legada em testamento pelos pais do P.' Diogo. E falecendo este em 6 de Janeiro de 1667 se a capela estivesse erecta desde 1550, aquele sacerdote já seria nado nesse ano e faleceria na idade de 117 anos ou mais, o que se não é absolutamente impossível, é tão descomunal que havia de constar da tradição. E não consta. Além disso aquele padre repugnou os apelidos da família Cunha e Souto Maior, para tomar os de Matos da Silveira. Seria ele neto e não filho, de Baltasar da Cunha? Ou teria este casado em segundas núpcias com alguma filha ou neta de Diogo de Matos, de Jordão de Matos, Druciana de Matas, ou de Maria de Matos, filhos estes de João Pires de Matos e de Maria Silveira, filha do Vandaraga? Falecem-nos elementos para decidir este ponto. O P.' Diogo tinha neste tempo uma irmã Vitória da Cruz, freira pro-fessa no Convento de S. Gonçalo de Angra, à qual deixou o usufruto de certos foros da Fajã de S. João; bem como uma outra irmã Maria da Cunha, casada com João Dias de Águeda, e estes estabeleceram o vínculo da Fajã do Cubas; um sobrinho, Mateus Silveira, ao qual nomeou padroeiro do Convento de S. Diogo; e outra sobrinha Maria do Rosário, freira em S. Gonçalo na Terceira. No arquivo municipal do Topo aparece-nos um Baltasar da Cunha até ao ano de 1618; e naquela data outro Baltasar da Cunha, mas da Silveira que, como se vê do texto, não é o pai do P.' Diogo de Matos. E a primeira referência à ermida é do ano de 1623, como se vê do seguinte texto: «Em Dezembro de 1623, apresentou em Câmara seu título de nomeação de mamposteiro da SS. ' Trindade Diogo Vaz Salgado. Foi registada no competente livro a provisão do dito Vaz Salgado para servir na igreja da vila e ermida de S. João, o escrivão Manuel de Matos da Silveira.»

    Julgamos, pois, a erecção da ermida de S. João pouco anterior ao ano de 1618.

    Os pais do P.e Diogo de Matos seriam João de Matos da Silveira e Luzia Dias, como, segundo consta, dizia o Dr. João Teixeira Soares de Sousa? Parece mais provável.

    Antes de concluir este capítulo sobre a justificação de nobreza de Miguel António da Silveira, devemos notar a confusão que, segundo nos parece, se estabeleceu a respeito de dois casais do século XVI e princípios do século XVII, confusão proveniente de hormónimos, a saber: Gaspar Nunes Pereira, casado com Maria Luís de Sousa e moradores no Norte Pequeno; e Gaspar Nunes Pereira Neto, casado com Bárbara de Valença, moradores de S. Tiago da Ribeira Seca, e são avô e neto. Tem-se dado a este duas mulheres sendo uma delas Maria Luísa de Sousa, própria avó, e vice-versa, tem-se indicado como segunda mulher do avô a Bárbara de Valença, única mulher de seu neto Gaspar Nunes Neto.

    Também os filhos de um e de outro andam confundidos; porquanto o cap. mor Gaspar Nunes Neto e o cap. Pero Luís Pereira, eram, assim como Isabel Nunes, casada com o cap Miguel Afonso de Valença, irmãos, como filhos de Goncalo Nunes, casado com Maria Luís Pereira, filha do dito Gaspar Nunes Pereira e de sua mulher Ma."ia Luís de Sousa. Belchior Nunes Pereira, 2.º sarg. mor, casado com Bárbara Jorge de Borba, foi filho de Gaspar Nunes Pereira e de Maria Luís de Sousa que tiveram ainda outros filhos.

    Mais diremos que Baltasar da Cunha, casado com Adriana do Souto Maior, não tinha o apelido Teixeira, mas sim sua mulher, a dita Adriana, como filha de Jerónimo Gonçalves Teixeira e de Luzia Dias.

    Também Tomé Gregório, 1.º carp. mor da Calheta, não usava o dito apelido, por lhe não pertencer, mas sim seus netos filhos de Francisco Lopes Teixeira, e daí talvez a confusão.

    PADRE MANUEL DE AZEVEDO DA CUNHA

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